Candidato do CDS/PP diz que Rubina Leal “quer trazer o Governo para a Câmara” e Paulo Cafôfo “quer levar a Câmara para o Governo”

Rui Barereto B
Rui Barreto candidato do CDS/PP à Câmara do Funchal: “Já fomos mais zelosos com o bem comum, já cuidámos melhor da nossa floresta, das nossas árvores, dos nossos jardins, das nossas ruas, da nossa iluminação. Havia um outro brio”.

A leitura que se permite fazer no quadro político diretamente ligado às eleições autárquicas de 1 de outubro, nesta fase de pré campanha, dá-nos alguns indicadores da forma como os candidatos à Câmara do Funchal vão encontrando espaço e do “desenho eleitoral” que começa a vislumbrar-se. Nos discursos e nos posicionamentos. De um lado, Rubina Leal com o PSD em linha direta com a reconquista da liderança na Câmara do Funchal. Do outro, Paulo Cafôfo, procurando a reeleição depois de um contexto que era bem mais fácil antes da tragédia do Monte. Rui Barreto, o candidato do CDS/PP aparece, mais ou menos, como podendo ser o “fiel da balança”, que pode entrar um pouco como “fator surpresa”. Até que ponto, só chegando lá para ver. O próprio diz que “está preparado para ganhar” e é para aí que aponta o objetivo.

Mandato de Cafôfo “não foi positivo”

Diz que o mandato de Cafôfo “não é positivo”. Explica porquê: “A candidatura do doutor Paulo Cafôfo apresentou-se como uma candidatura de mudança de hábitos, de estilo, querendo democratizar mais a vida pública e dar um sentido diferente à forma como se faz política, mais aberta, inclusiva e com maior coesão territorial. Isso não aconteceu. Não foi feita uma estrutura relevante e não houve cuidado nas pequenas coisas, fazendo dessas pequenas coisas grandes coisas”. Dá dois exemplos, dois programas, um deles denominado “Preserva”, outro “Câmara à Porta”, que Rui Barreto considera terem sido “duas boas ideias, mas que se transformaram em dois fracassos”, sublinhando que o sucesso das mesmas teria sido outro se houvesse “uma maior ligação com as juntas de freguesia, o orgão autárquico mais próximo das pessoas”.

Funchalenses estão desiludidos

Para o candidato centrista “os funchalenses estão desiludidos. Esperavam um presidente mais focado no Funchal e nas competências, mas o que viram foi um presidente a galgar terreno e a querer competir com o Governo Regional, provavelmente interessado em outros voos e pouco concentrado nas funções para as quais teve o mandato dos eleitores”.

Autarquia deve ser menos burocrática

A reabilitação foi “outro falhanço”. A Câmara devia agradecer aos privados, diz Rui Barreto, uma vez que “o pouco que foi feito ficou a dever-se à iniciativa privada”. Quer, por isso, “uma autarquia menos burocrática perante esses investidores, que se queixam do tempo que medeia entre o pedido de licenciamento e a sua obtenção, considerando-o demasiado longo. Os empresários precisam de uma maior celeridade da Câmara para dar resposta em tempo útil”.

Aquilo que o candidato do CDS/PP considera ter sido “um ambiente de guerrilha entre Câmara e Governo”, é outro “factor de instabilidade no relacionamento institucional”, sendo que Rui Barreto defende que “a Câmara deveria estar mais preocupada com o destino do que propriamente com aquilo que é da competência da Associação de Promoção da Madeira”. E justifica: “A Câmara devia estar a cuidar dos becos, das ruas, das avenidas, dos fontanários, dos miradouros, dos abrigos para os caixotes do lixo, da canalização de água porque temos perdas superiores a 50 por cento, da Etar que tem envolvido grande discussão, do cuidado pelos jardins. Veja-se o passa culpas, com Rubina Leal a criticar os espaços do Sociohabita e Cafôfo a criticar os espaços da Investimentos Habitacionais”.

Funchal precisa de um presidente que se concentre na cidade

Rui Barreto afirma ser contraproducente esta crispação “que não tem favorecido os funchalenses”. Diz saber porquê: “Temos uma candidata que quer trazer o Governo para a Câmara e temos um candidato que quer levar a Câmara para o Governo”. Por isso, não deixa passar a oportunidade para que os eleitores do Funchal possam, de alguma forma, encontrar a escolha acertada para o futuro. Afirma que estes candidatos “não fazem um compromisso com os funchalenses” e sublinha que “o Funchal precisa de um presidente que se concentre na cidade, que se concentre nos munícipes, que mantenha relações institucionais cordatas com o Governo, sendo simultaneamente exigente na defesa dos cidadãos”.

Tenho as melhores pessoas, com experiência política, com competência”

Rui Barreto
“Os funchalenses estão desiludidos. Esperavam um presidente mais focado no Funchal e nas competências, mas o que viram foi um presidente a galgar terreno e a querer competir com o Governo Regional”.

O quadro político do Funchal, neste contexto de eleições, parece encaminhar-se para uma bipolarização. De um lado, Cafôfo. Do outro Rubina. Uma perspetiva que, naturalmente, não é partilhada pelo candidato centrista. Por uma razão, que aliás aponta de imediato: “Tenho as melhores pessoas, com experiência política, com competência, temos gente com provas dadas na sociedade. Acho que os eleitores devem avaliar, fazendo o balanço do passado, vendo as propostas, olhando mais para as pessoas e menos para os emblemas”. É por isso que quer “entrar na equação” das contas que os funchalenses vão fazer para a escolha do futuro presidente da Câmara.

Rui Barreto “preparado” para governar a autarquia

Recusa ficar de fora da luta direta para a presidência. Diz-se “preparado para governar a autarquia”, mas aceita o resultado que for ditado pelo voto dos funchalenses. Se as pessoas entenderem que deve ser vereador na oposição, considera-se “preparado para defender os interesses da população”, recordando que o partido “já contribuiu para muitas propostas aprovadas, neste mandato, como seja a redução do IRS, o programa Amianto Zero, a redução de 50% nas taxas de publicidade, toldos, esplanadas, a redução de 15% nos parcómetros. Enfim, um conjunto de iniciativas que resultaram do empenho do CDS/PP e do facto do executivo não ter maioria absoluta”.

Democratizar a cultura, descentralizar o Funchal Jazz

Na linha direta com o futuro, com os vetores que a candidatura definiu para o desenvolvimento do Funchal, Rui Barreto aponta a importância de “democratizar a cultura”, defendendo uma descentralização, por exemplo, do Funchal Jazz, a “valorização do património”, considerando que “a Câmara adquiriu e bem a estação do Largo da Fontes, porque não adquirir, também, a do Pombal, criando assim condições para que possam aparecer empresários. Isso iria melhorar as dinâmicas económicas em freguesias como Santa Luzia, Imaculado e Monte”.

Diálogo com os comerciantes

O comércio constitui outro dos problemas da cidade a que o candidato pretende dedicar uma “particular atenção”. Considera que “não tem havido diálogo entre a Câmara e os comerciantes no sentido de adequar um plano de animação e de atividades na cidade, mais consentâneo com o que eles pensam e não com aquilo que a Câmara quer fazer”. Lembra que a criação de “demasiada habitação coletiva nas novas centralidades” e muitos centros comerciais, “em excesso para o nosso poder de compra”, acabaram por “afastar as pessoas da cidade”. Considera que “temos uma cidade extraordinária, com boas condições de acesso, com uma grande frente mar e um excelente porto de cruzeiros. Não é, por isso, admissível que no inverno, a partir das sete da tarde, a cidade esteja vazia, mais parecendo uma aldeia do interior. Temos que fazer uma política integrada”.

400 prédios devolutos na zona histórica

Savoy florestação jardim
Rui Barreto questionou Cafôfo sobre a existência de alterações no projeto do Savoy. Aguarda resposta.

Aponta a existência de cerca de 400 edifícios devolutos na zona histórica do Funchal, que “precisam de reabilitação”. E apresenta ideias dando o exemplo dos prédios que representam orgãos de soberania e onde se encontram a funcionar serviços do Estado, como a Alfândega, a GNR, a Polícia Marítima, na Avenida do Mar, que, “por serem antigos, não estão adaptados à finalidade da sua função. São prédios que, em articulação com a República, poderiam ser libertados, encontrando espaços alternativos no Funchal, tendo como objetivo a dinamização da Avenida, com hotéis, galerias, restaurantes, provavelmente fechando a faixa sul da Avenida à circulação automóvel, pelo menos um dia, para fazer com que as pessoas andem de bicicleta, façam passeios, desfrutem da cidade. Costumo dizer que os empresários vão para onde tem gente”.

Criar uma Sociedade de Reabilitação Urbana

Defende a criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana, que tenha verbas da Câmara e do IHRU, que desperte interesse dos proprietários e dos investidores, ajudando na recuperação e criando condições para o comércio, para a habitação e incentivando ao arrendamento, apoiando nomeadamente casais jovens que não têm possibilidades de construir a sua própria habitação”.

Funchalenses não gostam das obras nas ribeiras

O contencioso relacionado com as obras nas ribeiras, da responsabilidade do Governo, trouxe para a Câmara do Funchal uma situação de gestão complexa face à necessidade de exercer alguma pressão sobre o Executivo Regional, no sentido de defender questões que têm a ver com o património. O Savoy junta-se aos “pacotes difíceis”. Rui Barreto tem o entendimento que “a Câmara poderia ter utilizado instrumentos que evitassem alguns atropelos que foram feitos ao património. E acho que, hoje, é certo que os funchalenses não gostaram das intervenções que foram feitas nas três ribeiras do Funchal, a de João Gomes, São João e Santa Luzia, que descaraterizaram aquelas que eram algumas caraterísticas das nossas ribeiras. Não era necessário ter feito aquela intervenção, com aquela impacto visual. Até porque os funchalenses têm a perfeita noção que o problema não está a jusante mas a montante. E se era para aproveitar dinheiro da Lei de Meios, então teriam feito intervenções mais nas zonas montanhosas, consolidando os leitos das ribeiras”.

Projeto atual do Savoy pode ser diferente daquele entrou em 2009

Relativamente ao Savoy, o candidato deixa claro: “O erro cometido foi quando a Câmara aprovou, em 2008, o Plano de Urbanização do Infante, que o CDS votou contra. Foi esse plano que permitiu a volumetria. E os investidores, que querem criar riqueza e retirar dos investimentos a maior rentabilidade possível, adequaram o projeto ao que estava definido pelo Plano. O que o atual presidente da Câmara ainda não conseguiu explicar, apesar do CDS já ter questionado há algum tempo, aguardando resposta, é que neste mandato houve alterações ao projeto inicial. E supostamente, o projeto dado entrada em 2009 é diferente daquele que hoje está ali. Convém perceber se o projeto cumpre, tanto com o PUI como com o PDM. Estamos à espera do esclarecimento do presidente da Câmara”.

Rui Barreto diz haver, hoje, um sentimento na cidade, que “a Câmara é branda com os fortes e forte com os fracos. E a autarquia deve ter celeridade para os grandes investimentos, mas também deve ser célere quando um munícipe pede para fazer uma obra em casa. Tratar de igual forma um empreiteiro, um mecânico ou um funcionário público”.

Já fomos mais zelosos”

O candidato define a segurança da cidade como um dos polos determinantes de preocupação por parte dos responsáveis autárquicos. Lembra ocorrências dos últimos sete anos que acabaram por trazer “um sentimento de insegurança”. O temporal de 2010, os incêndios, a situação no Monte são disso exemplo. Não tem dúvidas em afirmar que “já fomos mais zelosos com o bem comum, já cuidámos melhor da nossa floresta, das nossas árvores, dos nossos jardins, das nossas ruas, da nossa iluminação. Havia um outro brio, numa cidade que ganhou prémios internacionais precisamente por ser limpa e estar bem cuidada”.

Temos que respeitar o ambiente, cuidar da limpeza

Face a este quadro que descreve como sendo o Funchal atual, lança um apelo aos funchalenses para inverter o estado de coisas: “Temos que quebrar este ciclo, temos que saber reagir, estamos cansados mas mesmo assim é importante voltarmos a primar pelos investimentos que dão qualidade de vida, cuidar da limpeza da nossa floresta, dos nossos jardins e dos espaços públicos. Sermos mais vigilantes com a nossa natureza, respeitar o ambiente, inclusive premiando os que limpam os terrenos”.