Bielorrússia ou “Rússia branca”

Inicio hoje uma série de viagens a “estranhos países”que irão causar, creio, alguma curiosidade aos leitores. Porquê? Por príncipio, não viajo no Verão. Os meus meses favoritos são de Outubro a Março. Tudo são vantagens: Aeroportos mais calmos, preço do transporte aéreo nalguns casos 50% menos oneroso e hotéis de qualidade baratíssimos.

Câmara Municipal de Minsk
Catedral da Abençoada Virgem Maria
Catedral do Espírito Santo

Mas vamos ao porquê da opção por estes países? É que conheço os países da Europa a uns, diria, 90 por cento. Restam-me umas pontas a atar, para completar o puzzle do mapa.
A Bielorússia com certeza pouco ou nada diz aos leitores da Madeira. O motivo porque inicio esta “tournée” pela capital deste país, Minsk, deve-se a ser esta a maneira mais económica e fácil de chegar a Astana, capital do Cazaquistão, onde decorre a Expo 2017, que encerrará a 10 de Setembro e que me interessa visitar. Sobre este país, falarei na próxima semana.
Tudo foi programado a régua e esquadro. Já há alguns anos que não visito agências de viagens. Costumo dizer aos meus amigos que a minha agência é a do Quebra-Costas, rua onde se situa a minha morada.

Ilha das Lágrimas: memorial aos filhos da pátria mortos no estrangeiro

Para viajarmos para a Bielorússia, os portugueses não necessitam de visto, mas há um senão: só o poderemos fazer através do aeroporto internacional de Minsk. Se formos por qualquer outro aeroporto ou fronteiras será necessário um visto. Estamos também limitados no período de permanência, que não pode ultrapassar os cinco dias.

Edifício onde viveu Lee Harvey Oswald
Pormenor da casa onde viveu Oswald, presumível assassino do presidente dos EUA, JF Kennedy.

Tirando todas estas directrizes, só me resta aproveitar a viagem.
Traduzido à letra, o nome do país quer dizer “Rússia Branca” e, apesar de politicamente a Bielorrússia já não estar dependente da vizinha Rússia, a verdade é que, economicamente, ainda o é.

Monumento à vítória na Segunda Grande Guerra.
Pormenor do monumento

Três das cidades mais atraentes da Bielorrússia são Minsk, Brest e Vitsebsk, e todas começam a receber uma razoável quantidade de visitantes, a reboque da evolução do turismo mundial. Ainda assim, os turistas ainda não surgem em quantidades que justifiquem aconselhar datas para fugir às multidões. Os Parques Nacionais Belavezhskaya e Pripyatsky são também importantes argumentos para visitar a Bielorrússia.
As sugestões que deixo para ver nos três dias que aqui estou:

Palácio da Cultura das Centrais Sindicais
Circo Nacional
Pormenor dos arredores do circo nacional

A capital

Minsk é uma cidade limpa e arrumada, caracterizada pela limpeza, quase não se vê um papel ou uma beata de cigarro na rua. Lamentavelmente, ainda estão um bocado a aprender o que é o “turismo”. Falam praticamente apenas russo e bielorusso e nem sempre são muito calorosos. Porém, a capital é muito segura. Os bielorussos são pobres mas muito dignos. Os três dias que projectei para aqui ficar foram suficientes para ver e visitar lugares não inerentes à história comunista, mas por vezes relacionada com a mesma  Pessoalmente, estou satisfeito, mas são gostos. Se gosta de estátuas e história soviética da Segunda Guerra Mundial em diante, este país tem muito para oferecer.

Grande movimentação nas passadeiras do centro da cidade
Monumento a Minsk – Cidade heroína
Teatro da Ópera e Ballet

Castelo de Nesvizh

O castelo de Niasviž, também é conhecido como o complexo arquitetónico, residencial e cultural da família Radziwill em Nesvizh e situa-se em Minsk, no centro da Bielorrúsia. A cidade em que se localiza, exerceu uma grande influência nas ciências, artes, artesanato e arquitectura. A dinastia Radziwill foi a responsável pela construção e manutenção deste local desde que a sua construção no século XVI, até o final dos anos 30.

Pormenor das portas da cidade: símbolo comunista

Este foi o lugar onde moraram algumas das personalidades mais importantes da história e cultura europeias. Este complexo está constituído pelo castelo e o mausoléu da Igreja de Corpus Christi, o primeiro tem 10 edifícios interligados, todos se desenvolveram em volta de um pátio de seis lados. Enquanto isso a igreja tornou-se, desde a sua construção, no ponto de referência para a construção e desenvolvimento de outras obras arquitetónicas em toda a Europa Central e Rússia.

O que ver: A antiga casa de Lee Harvey Oswald (alegado assassino do presidente dos EUA John F. Kennedy). Lee chegou à União Soviética em Dezembro de 1959. Queria abandonar a cidadania americana. Foi enviado para Minsk. Mudou o seu nome para Alek, casou-se com uma bielorussa, Marina Prusakova, com a qual teve uma filha. A família foi para os Estados Unidos a 1 de Junho de 1962. Maria a tiro o presidente em Novembro do ano seguinte, embora subsistam sérias dúvidas sobre se agiu sozinho ou foi apenas ele o autor do assassinato.

Já a Igreja de Santa Maria Madalena foi construída em 1847 no estilo ortodoxo – com uma torre octogonal na entrada; a Igreja de São Pedro e São Paulo foi construída em 1613 e reformada em 1871, e é a igreja mais antiga de Minsk. Vale a pena entrar; o Museu Nacional de História e Cultura da Bielorússia possui muitas coisas para serem vistas, mas infelizmente todas as explicações são na língua nativa; o Palácio das Artes (Palats Mastatsva) possui várias mostras de arte moderna, livros usados e venda de antiguidades.
O Museu de História da Grande Guerra Patriótica possui vários salões com exposições da Segunda Guerra Mundial, mas também sem nenhuma tradução; porém o mais impressionante talvez seja o Quartel-General da KGB, numa das principais ruas comerciais de Minsk. Aparenta-se apropriado que num país como a Bielorússia a KGB ficasse localizada num prédio-ícone no centro da capital.

Estátua de Lenine em frente ao Edifício da Assembleia Nacional
Praça Lenine / Praça da Independência

Assim é Minsk a capital e a maior cidade de Bielorússia. De 1919 a 1991. foi a capital desta República Socialista Soviética. É també m a capital da CEI, a Comunidade dos Estados Independentes, sucessora da URSS. A cidade foi destruída na sua quase totalidade durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos 1950 foi reconstruída de acordo com o gosto de Estaline. Grandes prédios em monobloco em estilo soviético compõem muito do cenário da cidade. Por essa razão, Minsk é um lugar óptimo para os que se interessam pelas memórias do passado da URSS, e e que se interessam por vê-la praticamente viva.

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Assembleia Nacional
Portas da cidade
Casamento em Minsk – parque das pedras

‘É possível fazer férias na Bielorússia?
Digo sim e não será defraudado.
O país está preparado e tem tudo para ser um destino a visitar. Os portugueses não necessitam de visto para permanecer cinco dias. A época para o fazer com temperaturas amenas é em finais de Agosto ou princípios de Setembro, quando estão  21 ou 23 graus. Para quem deseja neve, a partir de Outubro tem muito por escolher… Tem imensos restaurantes e as marcas de ‘fast food’ estão aqui todas representadas. Quatro dias no máximo são suficientes para conhecer a Bielorrússia. O que vou sugerir é um combinado de três países. visitando Geórgia e Ucrânia: três países com viagens curtas de avião e a preços invejáveis. Como chegar a Minsk? A partir de Lisboa para Amesterdão na KLM, e daqui na companhia da Belavia-Bielorussia pelo preço de 318 euros. De Minsk  para Tblissi, Geórgia, 80 euros. e daqui para Kiev, 115 euros. Regresso na Air Ucrânia para Bruxelas e na Tap para Lisboa
pelo preço de 178 euros. Cerca de seis horas de viagem. Alimentação a preços muito convidativos, já que o euro dá mais do dobro do rublo da Bielorússia, 2.3.
Este é um um destino em que as agências poderiam apostar. O único entrave é a língua… mas com a universal linguagem gestual, tudo é possível.