“Funchal Forte” diz que Cafôfo está a cortar árvores com “grande histerismo”

A coligação “Funchal Forte” acusou hoje a Câmara Municipal do Funchal, dirigida por Paulo Cafôfo, de estar a atravessar um momento de “grande histerismo e alucinação”, motivado pelos trágicos acontecimentos ocorridos do Monte. A CMF, diz o “Funchal Forte”, “desatou a cortar árvores a torto-e-a-direito na nossa cidade”.

Acusando Paulo Cafôfo de fazer com que as árvores do Funchal “paguem todas elas um elevado preço pela sua incompetência e negligência no caso da queda do galho do plátano e do carvalho sobre a multidão, durante os festejos de Nossa Senhora do Monte”, a coligação diz que a CMF “montou uma equipa “técnica” em cima do joelho que percorre justiceira a cidade de moto-serra em punho, a cortar tudo o que tenha copa e folhas, tal o espírito de vingança desvairada que Paulo Cafôfo ganhou agora contra as árvores”.

O “Funchal Forte” afirma que tem recebido “imensas queixas de munícipes escandalizados com o corte a eito de espécimes com vários anos”,  e diz que as árvores urbanas necessitam de cuidados e manutenção constantes; “ora, nestes últimos anos, o desleixo autárquico levou a que o nosso parque arbóreo andasse ao Deus-dará, com árvores cheias de ramos secos ou doentes, outras necessitando de podas e outras ainda, ameaçando cair, como é o caso de uma Auracaria bidwillii que existe no nosso Jardim Municipal, junto ao auditório, e que está em grande risco de colapsar”, denunciam.

“Mas, após a desgraça do Monte, a autarquia perdeu o discernimento e  a racionalidade, e contratou à pressa, empresas, que nada percebem do assunto e nem sabem o que é fazer uma poda criteriosa e cirúrgica. E com a loucura que por aí vai, os cortes são de tal forma atabalhoados, quase a talho de foice e fora de época, que as árvores em vez de ganharem vitalidade e vigor, irão se tornar verdadeiras bombas relógio sobre a cabeça dos cidadãos. (Observamos também que alguns dos homens que andam a cortar ramos e a derrubar árvores não estão devidamente equipados e a qualquer momento poderá ocorrer um grave acidente de trabalho)”, refere a nota de imprensa.

A coligação acusa “a equipa justiceira de Paulo Cafôfo” de ter abatido “dois jacarandás (Jacaranda mimosifolia) na Rua João de Deus, que poderiam ser simplesmente podados e salvos”, afirmam.

“Contudo, em frente ao Banco de Portugal, existem vários jacarandás, (onde foram amarrados cabos de aço para suportar os enfeites da festa do vinho), e esses sim, mostram sinais preocupantes de doença nas raízes, nos troncos e nos ramos, e necessitam de ser intervencionados urgentemente”, destacam.

“Isto é uma prova que a Câmara tem actuado por impulsos e emoções, levando o populismo mais serôdio e vil ao reino vegetal”, acusa a coligação Funchal Forte, que acrescenta que  “muitas árvores têm sido abatidas sumariamente e ilegalmente, sem autorização do Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza, que é a entidade regional, que por lei da Assembleia Legislativa da Madeira, deve dar o licenciamento para o abate)”.

A coligação acusa a CMF de ter abatido uma figueira-da-índia (Ficus benjamina) centenária que existia no Largo de São João, sob o pretexto que o tronco estava podre e que tinha recebido reclamações dos moradores. Ora, assegura, os moradores de facto reclamaram contra um ramo seco de grandes dimensões que se apresenta apodrecido na outra figueira-da-Índia, vizinha à árvore que foi abatida. “E o mais ridículo, é que cortaram rente a figueira-da-índia que poderia ser salva e deixaram o ramo perigoso na figueira-da-Índia do lado”, criticam.

O comunicado do Funchal Forte conclui que se um terrorista ou um criminoso matar alguém, “não vamos começar a matar pessoas por um simples sinal de violência ou briga doméstica. O mesmo se passa com as nossas árvores, elas são importantes para o nosso ambiente, para a nossa qualidade de vida e para o enriquecimento da nossa paisagem”, alertam.