Candidato do CDS/PP está preparado para ser poder e diz que vai “governar mais para a Calheta e menos para o partido”

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
“Se eu for presidente da Câmara, não vou ter medo de falar”, garante o candidato do CDS/PP na Calheta. Foto Rui Marote

Quando apresentamos o quadro político do concelho da Calheta como sendo de uma forte hegemonia social democrata na governação da Câmara Municipal, também temos que fazê-lo relativamente ao histórico que dá ao CDS/PP o papel de liderança da oposição, a tal ponto que já teve a seu cargo a gestão de diversas juntas de freguesia, duas delas ainda mantém, a Ponta do Pargo e Fajã da Ovelha. Os centristas são, por isso, aqueles que têm um capital de votos suscetível de ser potenciado para o patamar seguinte da luta política, o de conquistar a Câmara.

Apelo ao “voto útil no CDS/PP”

Martinho Câmara, vereador, farmacêutico de profissão, trabalha no Funchal mas vive na Calheta, apresenta-se ao eleitorado com um objetivo bem definido, o de retirar a maioria ao PSD e assumir a liderança do município. Apela ao voto útil, neste caso a utilidade a favor do CDS/PP, que em sua opinião “é o partido que se encontra em melhor posição para operar a mudança que a Calheta precisa”. Diz-se “pronto para a governação autárquica”, considera mesmo que “pela primeira vez, se houver mudança, nós sentimos que estamos preparados para liderar essa mudança, de forma calma e serena”. Alerta para o perigo da dispersão de votos. E reage consciente que o que vai dizer pode não agradar aos dirigentes do partido: “Temos o símbolo do CDS/PP para concorrer, mas não vamos estar a pensar no partido para governar a Câmara, vamos estar a pensar, prioritariamente, nos munícipes. Isso será uma marca se ganharmos as eleições, vamos governar mais para a Calheta e menos para o partido”.

Devolução dos 5% de IRS e manuais gratuitos

A metodologia para convencer o eleitorado dizendo que “o CDS/PP já é poder em juntas e agora chegou a vez da Câmara” não pode ser do género “passo de mágica”. O candidato lembra que, “num contexto democrático, todos partem de votos zero. Vamos fazer uma campanha pela positiva, contactando as pessoas e temos algumas idéias do ponto de vista económico e social”. Indica, por exemplo, “a devolução dos 5% do IRS, reservar pela primeira vez uma verba municipal para medicamentos das famílias mais carenciadas, nomeadamente tendo em conta idosos e crianças, investir na Educação com manuais gratuitos e transportes para todos os níveis de ensino dentro do próprio concelho, além de haver uma redução nas taxas de água e de resíduos, para os que, comprovadamente, tiverem necessidade”.

Mudança para preparar o futuro

Na opinião do candidato centrista “a Calheta precisa dessa mudança para se preparar para o futuro”, considerando que “as obras no concelho foram praticamente inexistentes, não conseguiu fixar as pessoas, não conseguiu criar um conjunto de instrumentos que alavancassem a economia, que está estagnada, além de que o grande investimento público, que deveria ser feito, não acompanhou o investimento privado”. Estranha o facto de, neste momento, não ocorrer qualquer obra, quer do Governo quer da Câmara, “quando na realidade sabemos que há necessidades de investimento nas áreas da acessibilidades e do saneamento básico, por exemplo”. A alteração do Plano Diretor Municipal (PDM), segundo o candidato, é outro dos “instrumentos que já deveriam ter sido alvo de mudança”, porque é um documento que “estabelece alguns princípios que deveriam estar adaptados à realidade que hoje se vive no concelho”.

Todos os problemas da Calheta são problemas da Câmara

Martinho Câmara avalia o concelho em duas velocidades, “uma até aos Prazeres, outra daí para a frente. A própria via expresso, segundo refere, “é uma obra que deve ser concluída e que em muito iria beneficiar as acessibilidades. E repare que parou na Raposeira”. Sabe que é uma obra do governo, mas também diz que “todos os problemas do concelho da Calheta, quer sejam na Saúde, na Educação ou em estradas, são problemas da Câmara da Calheta. Se formos eleitos, não nos vamos escudar e dizer que este é um problema do Governo ou de outra entidade qualquer. É na Calheta, logo faz parte das preocupações da Câmara. A partir do dia 2 de outubro, se o CDS/PP merecer a confiança da população para governar a autarquia, podem contar com a nossa pressão sobre o Governo no sentido, específico, de inscrever no orçamento uma verba que permita concluir a via expresso até à Ponta do Pargo, que é uma via estruturante para trazer o desenvolvimento de todo o concelho de forma harmoniosa”.

É preciso espalhar investimentos pelo concelho

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
“Temos o símbolo do CDS/PP para concorrer, mas não vamos estar a pensar no partido para governar a Câmara, vamos estar a pensar, prioritariamente, nos munícipes. Foto Rui Marote

Nesta apreciação sobre o equilíbrio de desenvolvimento, vai mais longe e diz que “se calhar, é preciso esquecer um pouco a centralização que existe na Calheta e no Arco, espalhando os investimentos por todo o concelho. E mesmo admitindo que há menos gente em algumas zonas, nomeadamente Ponta do Pargo e Fajã da Ovelha, é preciso criar condições para fixar as pessoas, o que só se consegue através do emprego”.

Turismo e Agricultura são dois setores essenciais, nos quais assenta a economia na Calheta, cada um nas suas proporções, o primeiro de maior escala, o segundo mais de subsistência ou de pequena produção. Por isso mesmo, o candidato do CDS/PP tem um objetivo, que é criar, no âmbito da atividade camarária, “um pelouro específico para o Turismo e Agricultura”. Defende que, ao nível agrícola, “os produtos deve ser transformados e valorizados para consumo local. Não para exportação, porque essa é outra agricultura, mas neste momento precisamos de incentivar a produção de pequena e média dimensão com o objetivo de escoar os produtos no próprio concelho, criando uma associação que envolva o setor da restauração como forma de sensibilizar para a valorização da produção local”. Quer Turismo e Agricultura lado da lado, numa perspetiva de valorizar a terra e mostrar, a quem nos vista, aquilo que temos para oferecer e que tem procura. Só assim é que entendo a Agricultura na Calheta, não a ideia peregrina de exportação”.

A colocação dos produtos poderia ser feita de várias formas, mas Martinho Câmara pensa, por exemplo, no aproveitamento do mercado abastecedor, que poderia ser potenciado no sentido de despertar a atenção dos restaurantes”.

Temos que investir no saneamento básico

Em matéria de Turismo, Martinho Câmara defende que “quanto mais investimento, melhor”, sublinhando que a Calheta tem capacidade para absorver mais hotéis e mais camas. Lembra, no entanto, que “é preciso o concelho fazer a parte que lhe cabe em termos ambientais. Temos uma ETAR com capacidade para receber 80% do esgoto da Calheta, que funciona com tratamento primário. É inadmissível. Temos que investir no saneamento básico, sei que não dá votos mas é importante pensar em soluções. Não se fez nada. Temos que melhorar o abastecimento de água potável, temos que devolver a bandeira azul à praia da Calheta”.

A falta de emprego é o grande problema

A falta de emprego que possa contribuir para fixar as pessoas no concelho, assume-se como “o grande problema”. Mas há outros dois, de menor dimensão, mas também relevantes, que o candidato tem em mente: a reabilitação urbana, dando outra imagem aos prédios devolutos na zona central da Calheta; o Centro de Saúde que constitui uma necessidade extrema da população. “Eu já me tinha substituído ao Governo e tinha construído um centro de saúde”, desabafa para mostrar o descontentamento relativamente à “inércia” verificada para “resolver estes graves problemas”.

Se for presidente da Câmara não vou ter medo

A segurança, tanto na marginal, onde tarda a consolidação da escarpa, como na ligação ao Paul do Mar e ao Jardim do Mar, onde as obras também não começaram, representa um obstáculo ao desenvolvimento da Calheta enquanto destino turístico. Tem bons hotéis, uma praia atrativa e muito visitada, de areia amarela, mas a queda de pedras “emperra” a confiança de quem lá vai. “Não sei se a Câmara tem ou não pressionado o Governo”, diz o candidato, prosseguindo com o que afirma está à vista: “O que sei é que essas obras ainda não foram feitas. O resultado é o que conta. Não se esqueça que, neste fim de ciclo do PSD, as pessoas medem o que dizem, têm medo, imagine o que é ser-se muito reivindicativo e depois acabar por não ser escolhido pelo partido para ser candidato. Um partido que acabou por não corresponder às expetativas de governo que foram criadas. Se eu for presidente da Câmara, não vou ter medo de falar. Nesses casos concretos, trata-se da segurança das pessoas, não se brinca com a segurança das pessoas”.

As pessoas notam a diferença entre junta do CDS/PP e junta do PSD”

Martinho Câmara já vai direto às pessoas com as bandeiras das juntas onde é poder. Tem essa vantagem para mostrar e irá fazê-lo porque, como refere, “as pessoas sabem e notam a diferença entre uma junta liderada pelo CDS/PP e uma junta liderada pelo PSD”. A diferença, uma delas, prende-se com o facto do CDS/PP “votar favoravelmente tudo o que é importante para o concelho”. Diz que pretende “contar com todos”, reafirma que “o desafio é de tal ordem que só contando com todos é que podemos unir esforços para o desenvolvimento que queremos e que é o melhor para o concelho”.