Bispo do Funchal publica mensagem para o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”

Conforme proposta do Papa Francisco, a Igreja católica vai celebrar amanhã, 1 de setembro, o  “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”. A este propósito, o bispo do Funchal escreveu uma mensagem intitulada “Celebrar a bondade de Deus, a beleza do Criador”, em que lembra as “raízes ecuménicas” desta “ iniciativa que nos convida a celebrar a bondade de Deus presente em todas as criaturas, a respeitar e a guardar com carinho a beleza do Criador”, e sublinha a urgência e a responsabilidade de cada um na defesa da “obra maravilhosa” que Deus “confiou ao nosso cuidado”.

No texto divulgado esta quinta-feira, D. António Carrilho manifesta preocupação pelos  recentes “desastres ecológicos, catástrofes naturais, incêndios devastadores e ataques terroristas”, que  “põem em causa o equilíbrio e a harmonia da família humana e da criação.” Causas e consequências que, “além das perdas de vidas humanas e de animais”, provocam “uma devastação de grandes zonas de cultivo agrícola e florestal.” Neste contexto, alerta,  “ a ecologia humana e ambiental está gravemente ameaçada, num mundo ferido pela violência, pelo medo e desamor. Com o aquecimento global surgem surpreendentes mudanças climatéricas, que ameaçam gravemente a saúde e a permanência dos homens e das mulheres sobre a terra.”

Invocando São Francisco de Assis (Padroeiro da ecologia), o bispo do Funchal diz que são “urgentes os desafios de protegermos a casa comum, em ordem a um desenvolvimento sustentável e integral”, em que as regras  sejam ditadas pela “fraternidade”, pelo “respeito mútuo”, pela “liberdade e amor”. Uma tarefa de “todos e não apenas das grandes instituições políticas, económicas, internacionais e mundiais”, aponta.

Neste sentido, D. António Carrilho considera ainda necessidade de se praticarem “pequenos gestos de fraternidade, de atenção mútua e respeito pela natureza”, como acontecem já nos ambientes “familiar e educativo”, com “iniciativas já desenvolvidas com as crianças e os jovens, que apontam para compromissos ecológicos”. Também “não podemos esquecer a ecologia humana, o valor da vida e a sua imensa dignidade, em todas as etapas do seu desenvolvimento”, sublinha, lembrando a encíclica Laudato Si (Louvado Sejas) do Papa sobre o ambiente.

A mensagem exprime a “comunhão” e a “oração” com o “Papa Francisco e com todas as Igrejas” nestas questões ambientais dos nossos dias; e apela à “transformação dos nossos corações” sob “a luz do Espírito Santo para uma autêntica conversão ecológica, lembrando que a “espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia” (LS, 216).