Candidato quer Porto Santo “ilha do desporto” e antes de ir pela CDU teve convites do PSD e do PS para “posições boas”

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“Se isto continua assim como está, daqui a dez anos o Porto Santo é uma aldeia sénior”. Foto Rui Marote

Hugo Nóbrega personifica uma candidatura de “luta pelo Porto Santo”, como o próprio diz. Tem um histórico que lhe dá algum protagonismo, fez a primeira manifestação digna desse nome em Porto Santo durante um comício de Jardim, o que para a época, para o então líder social democrata e para a ilha, não eram momentos fáceis de “digerir”. Foi isso que projetou o seu nome, foi essa disponibilidade interventiva que esteve na base de vários convites que recebeu para integrar as listas nestas próximas eleições autárquicas. Diz que foi convidado pelo PSD, pelo PS e pela CDU. Não precisou de ponderar muito com a seguinte leitura: “PSD e PS são responsáveis pela governação autárquica do Porto Santo, a CDU era a opção lógica neste contexto”.

CDU sem “riscar grande coisa

Mas não se pense que este é um candidato só para fazer número. Nem que a CDU vai “riscar” grande coisa neste rumo de independência que não abdica. As partes assinaram mesmo um documento em que fica salvaguardo, preto no branco, que a autonomia do candidato é praticamente “intocável”. Hugo Nóbrega diz que não poderia ser de outra forma.

Lembra que a sua luta vem do ano 2000. Diz que quando fez a manifestação, no comício do PSD, “por ser o partido do sistema”, já via que “o Porto Santo estava em queda e os jovens estavam a ser esquecidos. Já na altura, estava muito preocupado. O cartaz que levou até Jardim, num ato considerado de risco, tinha escrito “Os mentirosos não apoiam os jovens, estes políticos também não”. Afirma que, na altura, “as pessoas não estavam preparadas para aquilo”. O motivo foi o hoquei-em-patins, era jogador, mas quando o clube quis subir de divisão, “quiseram afastar os atletas do Porto Santo”. A história foi grande, a sua ação também, ainda com a associação “Somos Porto Santo”, sempre com determinação, nunca com partidos.

Prioridade é esclarecer as pessoas

Assume-se como um percursor de mudança. Considera mesmo ter conseguido alterar mentalidades, como por exemplo fazer com que as pessoas acreditassem que o voto é secreto. “As pessoas tinham muito medo de mudar. Por isso, esta minha candidatura tem como prioridade esclarecer as pessoas”. Há quatro anos, foi convidado para integrar alguns partidos, não aceitou, achou que “não era o momento acertado”. Saíu do “Mais Porto Santo” mas não fala dos motivos. Recentemente, os partidos políticos voltaram à carga e desta vez teve que pensar melhor. “Fui convidado tanto pelo PS como pelo PSD para fazer parte das listas e em posições muito boas. Mas são partidos que têm estado na gestão autárquica”. Também houve convite de outros partidos, só não foi pelo PTP . Entretanto, surgiu esta aproximação da CDU, falou com o Edgar Silva e decidiu aceitar mas reconhece que “foi muito difícil dizer que sim, uma vez que as exigências foram muito duras para impormos a nossa independência. Somos candidatos independentes pelos Os Verdes” nas listas da CDU. Assinei uma declaração com as minhas condições e a CDU aceitou. Essa declaração diz que o projeto Porto Santo é a única razão desta candidatura. Eu abraço projetos, não partidos. Considero-me inteiro, não partido”.

Porto Santo cresceu muito para o tramanho que tem

Hugo Nóbrega não coloca de parte, num futuro, , integrar projetos de outros partidos, reforçando a ideia que preside à sua intervenção, ser a favor do Porto Santo. Lembra que, já este ano, foi “o primeiro cidadão comum, ainda não era candidato, a reunir com partidos na Assembleia da República, por ocasião do concurso para a linha aérea do Porto Santo”.

Para já, no âmbito do ser projeto, sabe bem aquilo que a ilha precisa. “Se repararmos bem, ao longo do tempo, ficámos habituados a dizer que o Porto Santo era praia. Mas já viu como o tempo (quente mas nublado) está hoje? É importante termos alternativas. O Porto Santo cresceu muito para o tamanho que tem e entre os investimentos que aqui foram feitos não há um que seja rentável. Docas paradas, um campo de golfe que ainda ninguém entendeu se rende ou não, temos sete campos de ténis sem atividade regular, temos campo de volei de praia inativo, uma piscina que esteve mais tempo fechada do que aberta e uma escola que anda há doze ou catorze anos para ser construída. Os problemas estão identificados, agora é preciso planificação para o futuro”.

Equipa de independentes e pessoas ameaçadas

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Hugo Nóbrega quer o Porto Santo a funcionar como uma “ilha do desporto”, uma espécie de multicentro de estágios. Foto Rui Marote

Formou uma equipa de independentes, mas reconhece que teve dificuldades. “É mais fácil ser candidato num PSD ou num PS. Houve pessoas ameaçadas, mas acabei por reunir um conjunto de candidatos de coragem e que tiveram o Porto Santo como objetivo. Não lhes fiz qualquer promessa e dei-lhes uma única garantia: lutar pelo Porto Santo”. Sem promessas, mas com projetos.

Pretende fazer do Porto Santo “uma ilha do desporto, um multicentro de estágio”, utilizando as infraestruturas que foram construídas e que hoje estão inativas, da responsabilidade da Sociedade de Desenvolvimento, que foi um organismo que fez muito mal ao Porto Santo e nunca desenvolveu um trabalho de manutenção das infraestruturas. Veja-se a vergonha do parque de campismo, que no site tem um conjunto de serviços que na realidade não possui”. Já reuniu com os agentes políticos, desportivos e económicos, a quem deu a conhecer a sua intenção de formar um grande centro de estágio, visando tirar o maior aproveitamento do facto de “estarmos perante uma ilha com bom clima, com segurança atendendo aos atentados e conflitos que existem noutros destinos, além de que podemos captar interessados no mundo do futebol”.

Fala na relevância que o Hotel Pestana pode vir a ter nesse projeto. Faz um “apelo” a Cristiano Ronaldo, um seu “ídolo”, para vir a colaborar neste “plano de mudança do Porto Santo”.

Cunha explica situação do emprego ou a falta dele

Em termos de serviços prestados, numa frente de trabalho de contacto com o público, toca no tema da chamada cunha para explicar a situação do emprego ou da falta dele. Acusa os responsáveis pelo atual estado de coisas de nunca terem promovido a competência, contribuindo para “uma má qualidade de serviço. E quando o serviço não tem qualidade, o Porto Santo perde e se o Porto Santo perde, mais desemprego haverá. As cunhas estão a destruir o Porto Santo”.

Hugo Nóbrega diz que esta Câmara “isolou-se” e isso “prejudica a população”. Afirma estarmos perante uma autarquia que não resolveu os verdadeiros problemas do Porto Santo. E sublinha que, se for eleito, os jovens estarão no centro das preocupações. Com um gabinete e com orientações que a autarquia deve dar, encaminhando-os para a hotelaria, mas começando a sensibiliza-los aquando da atribuição de bolsas, que são dadas sem estratégia e que deveriam obedecer a alguns condicionalismos que têm a ver com a vida no Porto Santo. Atribuir bolsa, sim, mas os jovens que a recebessem ficariam no Porto Santo durante três anos depois de concluírem a licenciatura. Não é obrigar, é pensar Porto Santo”.

Meio ano abertos, meio ano fechados mas isenções todo o ano

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Hugo Nóbrega apresenta-se com este cartaz ao eleitorado do Porto Santo. Foto Rui Marote

O candidato da CDU quer, também, condições para os hoteleiros: “Não tenho nada contra os grandes grupos, mas a verdade é que vieram para o Porto Santo com a condição de estarem abertos todo o ano e metade do tempo estão fechados. Mas estão isentos de IVA durante trinta anos. Qual é o mérito disso? Podem fechar, não quero bloquear ninguém, mas nesse caso não contem com incentivos”. Por isso, reforça a ideia de que “a Câmara deve ser a grande alavanca do povo. E não é isso que tem acontecido. É verdade que há assuntos que não estão nas competências da autarquia, como sejam os transportes, a saúde, educação, É verdade, mas a Câmara deve assumir um papel interventivo”.

Hugo Nóbrega é o candidato com mais diferenças”

Olha em frente, estando subjacente críticas ao quadro da presente da autarquia, com um retrato negativo relativamente à atual orientação da Câmara, para dizer ao povo olhos nos olhos: “Hugo Nóbrega é a pessoa indicada, é o candidato com mais diferenças, é a voz do povo, vive com o povo e para o povo, mas não vive do povo. Precisamos de alguém que ame o Porto Santo de verdade, não para agradar pessoas mas para globalmente satisfazer as necessidades das populações. O que vemos é que quem é eleito já trabalha pensando na reeleição e não sabe dizer não a ninguém. Não pode ser assim. O que se passa é que as pessoas estão divididas, os partidos pensam cada vez menos no Porto Santo”.

Daqui a dez anos Porto Santo pode ser uma aldeia sénior

Continua a dirigir-se para o povo. Com um alerta muito concreto: “O povo não pode continuar a aceitar que digam que não é possível. E deve exigir saber porquê quando dizem que não é possível, quando dizem que estão a bloquear da Madeira, da República. Então, se assim é, deixa de haver eleições no Porto Santo e começamos a ser governados pela Madeira, poupamos milhares de euros e dentro de pouco tempo os problemas estão todos resolvidos. O povo deve dar resposta, deve ser parte interventiva no desenvolvimento da ilha. Porque se isto continua assim como está, garanto-lhe que daqui a dez anos o Porto Santo é uma aldeia sénior”.