Não podemos ficar mais sem barco em janeiro nem podemos tolerar mais os preços da TAP

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Idalino Vasconcelos, candidato do PSD à Câmara do Porto Santo: “É preciso um trabalho de concertação, envolvendo a Câmara e o Governo, no sentido de serem encontradas soluções rápidas de empregabilidade”. Foto Rui Marote

Idalino Vasconcelos apresenta-se ao eleitorado do Porto Santo com uma analogia ao serviço militar, sublinhando o facto de já ter feito a “recruta” nesta caminhada de experiência pelo Poder Local. A “recruta”, entenda-se, tem a ver com o percurso que o candidato do PSD à Câmara da ilha dourada vem fazendo em matéria de estruturas autárquicas, não esquecendo o cargo que desempenha presentemente, o de presidente da Junta de Freguesia. Os anos de vida e os anos de proximidade com a população, dão-lhe conforto quanto baste para encarar este desafio com alguma naturalidade, esperando que o capital adquirido na junta possa, de algum modo, ser mais valia para chegar à cadeira que hoje é ocupada por Menezes de Oliveira, que há quatro anos tirou a maioria ao Partido Social Democrata.

O que está feito foi o PSD que fez em 40 anos

O candidato vai ao “sentido de responsabilidade” para explicar esta nova missão que lhe foi pedida pelo partido. Vai também às raízes de um natural do Porto Santo para dizer “basta”, argumentando que “esta terra precisa de uma mudança”. Considera que “esta Câmara não foi uma verdadeira alternativa ao desenvolvimento do Porto Santo e aquilo que está feito aqui na ilha, respeitante aos últimos 40 anos, ainda foi o PSD que fez. Temos que ser uma fonte de esperança grande para as gentes do Porto Santo”.

A junta é como uma recruta, eu fiz essa recruta”

Idalino Vasconcelos foi membro da Assembleia Municipal durante quatro anos, foi membro da Assembleia de Freguesia e foi presidente da Junta de Freguesia durante 12 anos. Coloca este currículo num patamar decisivo para estar na vida autárquica. Diz que “para atingir uma maturidade política, é preciso uma aprendizagem”. E, sem se deter, afirma que teve “essa aprendizagem”. Admite que “não é fácil ser autarca, porque isso representa ser importante para a nossa terra e para a população. Julgo que a junta de freguesia foi uma escola, até digo mais, acho que antes de ser deputado, presidente da Câmara ou qualquer outro posto político, uma pessoa deveria passar por uma junta de freguesia. A junta é como uma recruta e eu fiz essa recruta durante doze anos. Não é uma vaidade, é um orgulho ter servido a minha terra. Isso deu-me uma aprendizagem grande”.

É preciso sentir, sermos honestos”

Admite que, numa eleição autárquica, como aquela que ocorrerá a 1 de outubro, conta mais a pessoa do que os partidos. “É uma eleição muito localizada, muito sentida de perto pelas populações e isto não é acordar e dizer que se quer ser presidente da Câmara. É preciso sentir, é preciso sermos honestos, arregaçar as mangas e não ter medo do trabalho. Temos que estar ao serviço do povo”.

Está consciente das dificuldades que representa esta missão de recuperar a Câmara Municipal para o PSD, perdida para o PS há quatro anos. Sabe de todos os condicionalismos, está preparado inclusive para a existência de uma candidatura na área ideológica do PSD, a de José António Castro pelo movimento “Mais Porto Santo”, que pode ser um factor de divisão dos votos, mas não fica com menos alento por causa disso. Está convencido que a candidatura de Castro não vai abalar o otimismo do PSD. Volta a referir aquela que parece ser o mote de campanha social democrata: “O que está feito no Porto Santo, em 40 anos, foi o PSD que fez”. Esta ideia repete-se enquanto estratégia, numa visível intenção de captar a atenção do eleitorado para os “feitos” da gestão “laranja” na Câmara do Porto Santo.

Bons níveis de ocupação de maio a outubro

Idalino Vasconcelos salvaguarda que o PSD não fez tudo bem feito, mas sempre vai afirmando que “foi o PSD que desenvolveu a ilha, retirou-a do atraso em que se encontrava e deu-lhe o desenvolvimento que hoje tem”. Lembra-se da ilha agrícola que era antes do 25 de abril, para uma ilha de serviços da atualidade. Admite que estes “são tempos incertos, porque “os serviços dependem muito das conjunturas”, mas faz alusão ao facto do turismo da ilha estar a ser cada vez menos sazonal. “Hoje, temos níveis de ocupação hoteleira que atingem valores muito bons a partir de maio e vão até outubro. Falei há pouco com o diretor do Hotel Porto Santo que me disse ter outubro fechado, o que é um bom sinal. É um esforço de todos os agentes envolvidos, o Governo, os hoteleiros, os operadores e os agentes de viagens, que em conjunto têm feito uma promoção muito grande da ilha”.

Avião pequeno com serviço de reservas mau

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O candidato do PSD diz que “se calhar, para ir aos Estados Unidos é mais barato do que vir ao Porto Santo””. E questiona: É assim que uma ilha que vive do turismo quer estar?” Foto Rui Marote

Para manter e alargar este quadro de desenvolvimento, os transportes marítimos e aéreos são determinantes. O candidato social democrata diz que, relativamente aos transportes marítimos “estamos mais ou menos bem servidos, tirando a situação que ocorre em janeiro, onde o Porto Santo fica sem barco. Penso que o governo, em conjunto com o operador, deverão ter uma opção rápida e eficaz para resolver esse problema que afeta o Porto Santo. Não podemos ficar mais sem barco em janeiro”. Quanto aos transportes aéreos, não tem dúvidas: “O serviço não corresponde às necessidades. “Temos um avião pequeno, não tem “codeshare” com nenhuma outra companhia, não cabe uma pessoa em cadeira de rodas, o serviço de reservas é mau, qualquer pessoa que se encontre na Europa não consegue fazer uma reserva. Julgo que essa situação deve ser alvo de abordagem em breve”.

Não podemos tolerar mais os preços da TAP

Sobre a chamada “companhia de bandeira”, a TAP, Idalino Vasconcelos, que é guia intérprete e agente de viagens no Porto Santo, considera que a transportadora aérea nacional “está a aproveitar o subsídio de mobilidade dos residentes para penalizar nos preços. A TAP disparou com os preços para os 400 euros, o que é mau para os que cá vivem, mas é muito mau para aqueles que nos querem visitar. Ainda hoje, estive a fazer uma simulação Porto Santo-Madrid, para outubro, e obtive uma tarifa de 75 euros. Há dias, um senhor queria ir para Lisboa e custava 280 euros, mas se fosse para Madrid era metade do preço. Então, é melhor comprar o bilhete para Madrid e ficar em Lisboa. Chegou-se a este ridículo. Temos que resolver esta situação. Não podemos tolerar mais os preços da TAP. Se calhar, para ir aos Estados Unidos é mais barato do que vir ao Porto Santo. É assim que uma ilha que vive do turismo quer estar?”

Esta Câmara demonstrou grande falta de diálogo

No domínio das relações com a Câmara Municipal e na qualidade de presidente da Junta de Freguesia, classifica-as de institucionais. Muito simples: “Aquilo que a Câmara nos pediu, nós correspondemos; Aquilo que pedimos à Câmara, ela correspondeu. O que penso que se passou com esta gestão autárquica foi a falta de diálogo. Ninguém está isolado do mundo, o Porto Santo precisa da Madeira, de Portugal Continental e da Europa, a Madeira precisa de Portugal Continental e da Europa e a Europa precisa do mundo. Hoje, não podemos estar mais de costas voltadas para ninguém. E a Câmara do Porto Santo demonstrou uma grande falta de diálogo com o Governo. Isso não pode acontecer. Com a minha equipa, vamos ter diálogo a favor do desenvolvimento do Porto Santo, não estaremos fechados a nada”.

Trabalho de concertação contra o desemprego

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O cartaz da candidatura de Idalino Vasconcelos aponta para um “Porto Santo de verdade”. Foto Rui Marote

Como vetores de progresso para garantir o Porto Santo do futuro, o candidato do PSD define um de forma prioritária, sem hesitar: combate ao desemprego. Tudo gira à volta desse problema. E diz que “é preciso um trabalho de concertação, envolvendo a Câmara e o Governo, no sentido de serem encontradas soluções rápidas de empregabilidade, com incentivos ao investimento privado, nomeadamente visando a construção de duas ou três pequenas unidades hoteleiras, que deem resposta aos diferentes nichos de mercado turístico, que vão ao encontro do enquadramento na paisagem e que, por via disso, promovam a criação de emprego”.

Temos que atrair novos operadores, há negociação com noruegueses

Para Idalino Vasconcelos, a questão da sazonalidade não é um entrave, até porque acredita que a mesma será cada vez menor à medida que forem sendo encontrados mecanismos para tornar o Porto Santo atrativo o ano inteiro. Aponta que a ilha ainda tem capacidade para dispor de um maior número de camas, a ter em conta os elementos que dispomos e que permitem, hoje, uma ocupação que vai além do que se via antigamente, que era entre julho e setembro. Temos que atrair novos operadores no inverno, já temos dois aviões dinamarqueses, o Governo Regional está a tentar uma nova operação de noruegueses, temos um voo italiano todo o ano e um voo da TAP ao sábado”.

A par do turismo que já dispõe, o candidato defende a exploração de uma outra faixa de mercado, o chamado turismo social. A aposta no Inatel poderia ser uma boa solução, porque como diz “trata-se de um turismo bom, que quer conhecer e que gasta. Temos que fazer qualquer coisa, caso contrário os jovens vão embora”.

Onde começou o tudo incluído já acabou

Falar do turismo no Porto Santo é falar de uma especificidade que está a criar cada vez mais controvérsia: o tudo incluído. Foi uma forma encontrada de cativar o cliente e tornar a oferta hoteleira mais atrativa. Acontece que, se por um lado resolveu um problema, por outro pode estar a originar dificuldades no comércio local. O candidato social democrata está por dentro da atividade turística, é um agente com experiência no setor e diz logo que, no mercado de hoje, “os operadores é que ditam as regras perante os hoteleiros. Não concordo com essa política. Onde começou o tudo incluído já acabou, mas nós no Porto Santo estamos a começar. E há procura, as pessoas estão satisfeitas, mas não sei se é isso que queremos para o futuro do Porto Santo tendo em vista um turismo de qualidade. Não podemos vir de férias para engordar, mas sim para passar bem, degustar o que a terra tem em termos de gastronomia, temos bons restaurantes, embora tenha dúvidas se existem em número suficiente para dar a resposta que se exigia”.

O Porto Santo tem que apostar na mesa

Idalino Vasconcelos diz que é fundamental apostar na formação das pessoas. Lembra que para fazer uma excurssão de autocarro, são necessárias diversas autorizações, com os guias, com as empresas de autocarros, com os motoristas. Ser empregado de mesa, é só ser, não é preciso mais nada. Mas não deve ser assim, porque quem está sentado num restaurante tem que ser bem serviço, para que as pessoas voltem. O Porto Santo tem que apostar na mesa…não sei, mas talvez até mais do que no aeroporto. As pessoas têm que ser bem recebidas, mas para isso é preciso dar formação”.