Nenhuma entidade judiciária contactou até agora a única família residente no Largo da Fonte, no Monte

O galho, reconstituído aos pedaços pela investigação do MP

Dez dias passados sobre a tragédia que abalou a Madeira, com a queda de uma árvore no Largo da Fonte, no Monte, que causou a morte a 13 pessoas e causou 50 feridos, ainda nenhuma entidade judiciária contactou a família Mendonça, os únicos residentes naquele Largo, e os que ainda em Março deste ano alertavam, através do FN, para a queda de galhos dos plátanos e para o facto de que qualquer dia poderia acontecer uma catástrofe naquele local, que ceifasse vidas humanas. Garantem os próprios.

O facto até poderia parecer estranho, não fosse a realidade de o Ministério Público apenas ter encetado diligências de investigação no local quase três dias depois do acontecimento, tendo permitido à CMF, parte interessada no acontecimento (dado que podem eventualmente ser-lhe assacadas responsabilidades) conduzir  a sua própria peritagem na cena do que pode vir a ser considerado um eventual crime.

Continuam as investigações no Largo da Fonte

Hoje, o MP e os peritos convocados pelo mesmo estavam, como estiveram ontem, no Largo da Fonte a reunir galhos e a tentar reconstituí-los, como é visível nas fotos. Galhos que, ao que se afigura, pertencerão a plátanos. Recorde-se que uma professora da Escola Secundáira de Jaime Moniz, testemunha ocular presente no local, assegurou ao FN que foi o galho de um plátano que caiu sobre um carvalho, tendo provocado a queda deste sobre as pessoas que se encontravam no Largo, na festa do Monte.

O MP deverá ainda manter vedado o espaço durante mais algum tempo.

 

Residentes na localidade ainda se mostram abalados com o sucedido e comentam que “o Monte cheira a morte”. Criticam, por outro lado, a demora em fazer com que tudo volte à normalidade naquele lugar. A atmosfera continua a ser demasiado pesada, a lentidão do funcionamento das investigações judiciais, comentada.

Fotografia retirada do site da CMF, que mostra o que supostamente é o carvalho que caiu, e mostra a inclinação do mesmo [ver linha vermelha horizontal]

Entretanto, o FN teve acesso a uma carta registada enviada por António José Gomes Mendonça, datada de 18 de Março de 2016, e remetida ao presidente da Câmara Municipal do Funchal. Na missiva, o signatário aponta a queda constante de galhos sobre e o Largo e sobre o prédio de que é proprietário, causando alguns prejuízos; salienta que “as árvores têm sinais de maus-tratos”, apesar da circunstância de “serem endeusadas”; critica “o fundamentalismo da anterior vereação” no que diz respeito às podas; refere que a 17 de Fevereiro realizou-se uma poda parcial de dois plátanos, mas considera que “a poda devia ter sido mais completa, já que ficaram por eliminar alguns galhos que a caírem comportam riscos gravíssimos e cuja opção por os manter não se justifica (…)”.

“Muito embora tenha chamado à atenção, o operador referiu que o Engenheiro disse que os troncos estavam fortes”, refere nessa carta António Mendonça, que também nela afirma ser a terceira ou quarta vez que se dirige por escrito à CMF “alertando e solicitando a resolução do problema”.

O signatário pedia que “no interesse da Segurança de todos que se verifiquem a saúde das árvores, e que procedam às necessárias podas ou cortes a fim de eliminar o risco potencial e a respectiva responsabilidade que daí advirá em caso de acidente”.