Liliana Rodrigues questiona Comissão Europeia sobre a discriminação por parte da Porto Editora

Um livro de actividades para “rapazes”, outro para “meninas”. Os exercícios não são os mesmos, a dificuldade também não, as referências aos objetos com base no género são discriminatórias.

A Porto Editora publicou dois blocos de actividades para crianças dos 4 aos 6 anos que se encontram divididos por género. Liliana Rodrigues mostrou-se chocada com a legitimidade desta segregação e questionou, esta quarta-feira, a Comissão Europeia sobre a discriminação feita pela Porto Editora nos livros “Bloco de Actividades para Rapazes” e “Bloco de Actividades para Meninas”.

Para Liliana Rodrigues, esta divisão “nunca deveria acontecer” e revela a sua preocupação quando “ideias discriminatórias socialmente concebidas são transportadas para livros de actividades de crianças que se encontram numa idade de aprendizagem”. A eurodeputada socialista acredita que a “Porto Editora deve um pedido de desculpas a todas as crianças, mulheres e homens deste país, e àqueles que todos os dias lutam pela educação democrática”.

Os livros da Porto Editora em questão apresentam-se com uma série estereótipos visíveis. Enquanto no caderno dos rapazes existem referências aos carros, aos foguetões, às actividades desportivas e aos dinossauros, no bloco das meninas elas guiam princesas, ajudam as mães, contam pulseiras e doces e brincam com novelos de lã. A diferença na dificuldade apresentada em alguns dos exercícios, discriminando géneros, é também outro dos problemas expostos.

Questão escrita enviada à Comissão Europeia:

Discriminação de género por parte de editora Portuguesa em livros infantis

A Porto Editora decidiu comercializar cadernos de exercícios destinados a crianças dos 4 aos 6 anos destacando os cadernos a serem usados pelo género feminino e pelo género masculino. Esses mesmos cadernos apresentam graus diferentes de complexidade cognitiva para as meninas e para os meninos.

Considera a Comissão legítimo que uma editora de materiais pedagógicos lance no mercado europeu este tipo de material fomentanto uma aprendizagem que discrimina géneros?

Considera a Comissão que este tipo de discriminação de géneros poderá ter consequencias negativas para as crianças visadas, tanto ao nível do seu desenvolvimento sócio-cognitivo como nas opções profissionais futuras?

Considera a Comissão que as empresas possam usufruir de dinheiros europeus quando contribuem para o perpetuar de estereótipos pondo em causa os princípios fundamentais da UE, nomeadamente o princípio da igualdade?