
Alexandre Fernandes é a escolha da Coligação Democrática Unitária para Câmara de Lobos. Já foi candidato há quatro anos e repete esse desafio para procurar levar até às pessoas uma mensagem que, acima de tudo, envolve princípios e estratégias definidas pela estrutura partidária, que tem um padrão de comportamento perante o eleitorado, que constitui, podemos dizê-lo, uma imagem de marca ligada ao Partido Comunista, um partido que se diz do povo para o povo.
O candidato aponta que essa postura, de candidatura de partido e não pessoal, como “aquilo que nos diferencia dos outros partidos”. O projeto da CDU, na globalidade, envolve “muita gente, homens e mulheres, apostados numa causa e na defesa intransigente dos interesses das populações. Eu apenas sou o rosto da CDU no concelho de Câmara de Lobos”.
Questões sociais ganham dimensão
As questões sociais, que ganham ainda maior acuidade num concelho onde o social é de uma importância acrescida, constituem não só a imagem de referência da coligação, mas também “uma necessidade para Câmara de Lobos, é uma bandeira da qual não abdicamos, por ser uma prioridade a par da nossa estratégia de defesa da Agriculturas e das Pescas, que aqui ganham igualmente uma grande expressão em termos de luta”.
O emprego, o apoio aos jovens, não só em meio escolar, mas na procura de habitação, bem como a ajuda domiciliária aos idosos, “uma faixa etária cada vez mais predominante e a necessitar de uma atenção especial”, são áreas para as quais a CDU olha com particular ênfase, em virtude de estarmos a assistir a elevados níveis de desemprego e a um número cada vez maior de idosos, face ao aumento da esperança de vida. “Temos que criar condições de emprego estável, com direitos, até para podermos eliminar bolsas de pobreza que ainda existem, algumas incentivadas pelo assistencialismo, que terá que existir, sempre, mas é importante ter, no horizonte, o objetivo de ir reduzindo”.
Abandono escolar na linha da frente
Alexandre Fernandes aponta o abandono escolar como “um dos fatores que está na linha da frente das nossas preocupações. Acho que deveriam ser desenvolvidas políticas mais eficazes para combater essa realidade, os números têm vindo a diminuir, mas a verdade é que ainda atingem níveis que nos levam a pensar seriamente no assunto e procurar encontrar soluções”.

Do atual mandato de Pedro Coelho à frente da autarquia, o candidato da CDU lembra, antes de ir diretamente ao assunto, que “pelo facto de não aparecermos junto da população apenas em altura de eleições, outro aspeto que nos diferencia dos outros, temos uma radiografia quase permanente do concelho. E neste contexto, muitas das coisas que a atual liderança camarária fez, nestes quatro anos, foram defendidas pela CDU ao longo de tempos, nomeadamente as obras de proximidade, muitas inclusive foram alvo de abaixo assinados promovidos pela nossa coligação, dinamizando o processo junto das populações”.
Problemas de saneamento básico no Garachico e Fontainhas
Acaba por não dar nota negativa à gestão camarária, mas isso não o impede de dizer que há muito por fazer, apontando Garachico e Fontainhas “onde o saneamento básico não existe e é uma condição base para o desenvolvimento humano”. Acusa a Câmara de ter feito obras nos arruamentos e deixar para trás o saneamento básico, mesmo depois da CDU insistir para que fosse aproveitado o momento da repavimentação para resolver as duas situações. É um problema que persiste”.
Concelho está melhor
Apesar de tudo, admite que “o concelho está melhor”, relativamente ao estigma verificado durante muito tempo. “É um concelho diferente em todos os aspetos e as pessoas foram o principal motor dessa mudança, sem esquecer as instituições, de âmbito autárquico ou de âmbito associativo, que também deram o seu contributo para isso. A integração nos bairros sociais, mais pequenos do que antigamente, além do arranjo na parte baixa de Câmara de Lobos, alteraram muito aquilo que era a visão de Câmara de Lobos. Reconhecemos isso”
Na componente política, perspetivando as eleições de 1 de outubro, um concelho com comportamento conservador em termos eleitorais torna mais complexa a missão dos ditos pequenos partidos, ainda que a CDU se apresente às eleições sempre com uma caraterística de partido de combate, que passa um pouco ao lado dos resultados expressos nas urnas.
O candidato em Câmara de Lobos diz que “o trabalho político não é muito fácil em qualquer lugar. Mas também, digo-lhe que já foi mais difícil, para a CDU, ter esse papel político junto das populações, que cada vez mais entendem o nosso trabalho e reconhecem ser importante. Temos dificuldades, não vou mentir, chegamos mais facilmente às populações, mas em matéria de dimensão eleitoral não temos os valores que gostariamos de ter. A maior dificuldade é conseguir que as pessoas reconheçam a CDU no momento do voto, dando números ao reconhecimento que nos fazem quando lutamos ao lado delas por qualquer reivindicação que façam. Entristece-nos de certa forma”.
Jovens esclarecidos mas alheados da política
Sendo o concelho mais jovem da Madeira, é natural que os partidos incidam a sua atenção nessa faixa da população, que não está muito vocacionada para as questões políticas e tem engrossado a lista de abstenção em diferentes atos eleitorais. O candidato reconhece isso mesmo. Sublinha aquilo que se nota mais: alheamento dos jovens às questões políticas, lembrando que “esse comportamento não é exclusivo de Câmara de Lobos, é um pouco transversal aos concelhos e até ao País na generalidade. Eles sabem o que querem, o que acontece é que na hora de irem votar, dizem que não vale a pena, que é tudo a mesma coisa e acabam por se abster. O que é grave, porque abster-se significa que as pessoas estão a demitir-se dos seus direitos e dos seus deveres, é mau para a democracia”. Alexandre Fernandes diz que “a juventude de Câmara de Lobos é esclarecida e sabe o que quer”.
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