Obras nas Mercês deviam provocar reacção da DRC similar à suscitada pelas obras nas proximidades do Palácio de São Lourenço, dizem vozes críticas

Foto Rui Marote

 

Pessoas interessadas no património histórico e arquitectónico da cidade do Funchal questionam-se porque é que a Direcção Regional de Cultura não se preocupa em emitir recomendações à CMF sobre as obras em curso na Rua das Mercês. As interrogações foram-nos comunicadas na sequência do artigo que publicámos esta tarde, dando conta da criação de um túnel entre o Colégio da Apresentação e o novo edifício adquirido pela congregação que gere aquele estabelecimento de ensino, túnel esse que passa por baixo da Rua das Mercês. Recorde-se que, actualmente, decorrem naquela rua também obras da responsabilidade da autarquia, de melhoramento de condutas de água potável e de escoamento de águas pluviais.

A lógica do argumento que nos foi colocado foi a de que a DRC, que terá criado alguns constrangimentos e emitido directrizes relativamente à obra que a CMF está a realizar frente ao Palácio de São Lourenço, um monumento nacional, devia supostamente mostrar o mesmo desvelo com as obras que decorrem na Rua das Mercês, nas proximidades dum imóvel inventariado e classificado, a Casa Jacquinet.

Este vetusto imóvel é onde está hoje instalado o Centro de Estudos de História do Atlântico.

Ora, a Casa Jacquinet, nos números 6 a 10 da Rua das Mercês, que foi um antigo tribunal, é um edifício com dois pisos, com torre no seu alinhamento de mais um piso, sendo o térreo com lojas e arrecadações e portal central de acesso a átrio empedrado e aos andares, e com andar nobre e torre com janelas de sacada encimadas por friso e cornija. Enquadrada no centro histórico de São Pedro, dada do século XVIII; em inícios do séc. XX,  era propriedade de Augusto Justiniano da Silva Amorim, o “Jacquinet”, e de sua mulher, D. Alexandrina de Vasconcelos. Nos anos 90, chegou a estar ameaçada de demolição, tendo sido protelado o pedido de classificação da DRAC; no entanto, a eventual demolição acabou por ser travada pelo Governo Regional, e o edifício foi reabilitado.

Ora, as vozes críticas suscitam que, devido às obras da CMF naquela rua e nas proximidades deste edifício, é curioso não se ter levantado igual celeuma à que decorreu com a edilidade quanto às obras nas proximidades do Palácio de São Lourenço. Recorde-se que a DRC admitiu ter colocado à CMF “as suas preocupações no concernente aos cuidados que deveriam ser observados, quer no que se refere aos materiais a utilizar quer ao enquadramento patrimonial e paisagístico a preservar, tendo em conta a localização desta obra”, em frente ao Palácio.