Candidato da CDU promete “fazer história” e se eleger um vereador vai “a pé do Funchal ao Porto Moniz”

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Miguel Cabral, candidato pela CDU à Câmara do Porto Moniz, quer devolver “o serviço de urgências noturno, que foi retirado ao concelho. “Fui residente no Porto Moniz e sei muito bem o que é ter um serviço aberto e o que é ter um serviço fechado”. Foto Rui Marote

Vai a votos a 1 de outubro, no Porto Moniz, pelas listas da CDU, mas na qualidade de independente. Acredita que, com ele, a Coligação Democrática Unitária vai contar com mais votos do que aqueles obtidos há quatro anos, concretamente mais do que 18. Mas a fasquia até vai mais alta, quer mesmo eleger um vereador e se isso acontecer, o que será um feito notável para o partido naquele concelho, já definiu uma promessa: ir do Funchal ao Porto Moniz a pé. Não vai sozinho, leva consigo o líder regional Edgar Silva e o coordenador do partido para a zona norte, Ricardo Lume. Fica já escrito para que se saiba.

Miguel Cabral diz ser “conhecido em todo o concelho”

Miguel Cabral, natural do Porto, professor do Ensino Básico, tem um discurso de grande convicção. Está consciente das dificuldades, tem os pés assentes no chão, mas a par disso tem, também, um querer do tamanho do tamanho do sonho, em conseguir ganhar a confiança de uma parte do eleitorado. Lecionou no Porto Moniz, lembra que deu aulas no Ensino Recorrente “a uma faixa etária de setenta para cima”. E conta com isso como um factor importante de credibilidade “em função do trabalho feito em matéria de educação”. Recorda, como diz, ser conhecido “em todo o concelho”, teve muitas ligações com a sociedade civil e espera que esse seja um “capital”que pode ter reflexos no momento do voto. Claro que resultados só mesmo a 1 de outubro, altura do “tira teimas” quanto a este querer muito fazer história. Enquanto candidato determinado, vai no bom caminho. É esperar para ver se o povo vê isso e muito mais.

Vamos ter mais votos”

A amizade com Edgar Silva levou-o a aceitar este desafio. “Já tinhamos falado sobre várias situações e depois de debater o assunto com a família, decidi aceitar”. É a primeira experiência política, mas não vê nisso uma desvantagem. Afirma ter “um projeto bonito para o Porto Moniz”. Admite, no entanto, quando confrontado com a realidade dos números do passado, que terá uma missão muito complexa. Primeiro porque o concelho tem evidenciado uma votação muito conservadora, quase sempre no PSD, com exceção precisamente nas eleições de há quatro anos para a Câmara, onde ganhou o PS. Depois, porque a CDU, em meios rurais, pequenos, enfrenta algum estigma que entretanto já não se verifica tanto em meios urbanos. Está consciente disso tudo: “Estou bem ciente da dificuldade. Mas estou convicto que vamos ter mais votos do que aqueles de há quatro anos “porque sou conhecido no concelho, fiz um trabalho muito bom na Educação e só saí porque na altura era professor contratado e saíram muitos professores. Conheço a população idosa, não só pelas alunas que tive mas pelo trabalho desenvolvido pela Casa do Povo, onde fui destacado para dar aulas nos centros de dia. Sabem que não viro a cara à luta e sabem qual a minha forma de estar na vida”.

Devolver o serviço de urgências noturno

A CDU parte para esta missão com uma proposta muito concreta: devolver o serviço de urgências noturno, que foi retirado ao concelho. “Fui residente no Porto Moniz e sei muito bem o que é ter um serviço aberto e o que é ter um serviço fechado. O Centro de Saúde tinha uma valência de internamento e fosse à hora que fosse um utente poderia, em caso de emergência, ser transportado para o Funchal, e acompanhado. Isso não se resolve com uma ambulância, como diz o atual presidente da Câmara, porque uma ambulância pode estar muito bem apetrechada mas não substitui um centro de saúde, onde se encontram médicos que prestam uma assistência diferente, no atendimento e na prestação de cuidados”.

Fazer um mercado agrícola e resolver transportes públicos

No enquadramento da estratégia definida para fazer chegar a mensagem ao eleitorado, mostra duas ideias que pretende defender se for eleito vereador nas eleições de outubro. Uma prende-se com o mercado agrícola. Miguel Cabral diz-se preocupado em dar melhores condições aos agricultores no escoamento dos seus produtos, defendendo que o mercado seria uma forma de ir ao encontro dessa necessidade. “Há um espaço, perto do Centro de Ciência Viva, onde era um café, que se adapta a essa pretensão”. Outra, é para os jovens. Quer que no final das licenciaturas, com os apoios correspondentes, eles possam regressar à sua terra, aplicando aqui os conhecimentos adquiridos e contribuindo para que o Porto Moniz seja ainda mais forte”.

Rodoeste trata Porto Moniz como se estivessemos num país subdesenvolvido

Mas a CDU não fica por aqui. O transporte público é um problema, o transporte de doentes é outro. Não tem reservas na acusação que faz: “A Rodoeste trata a população do Porto Moniz como se estivessemos num país subdesenvolvido. Uma pessoa que queira ir e regressar ao Porto Moniz no mesmo dia, corre o risco de ir e não vir. Muitas vezes as carreiras são canceladas. E quando cheguei ao Porto Moniz, tinha dias em que não sabia como sair e muito menos como voltar. É preciso resolver isso”. Quanto ao transporte de doentes, considera essencial que se encontrem mais soluções, uma vez que “existe uma ambulância, mas se houver uma outra emergência, ficamos sem alternativa no concelho”.

Proteger a floresta laurissilva, uma das riquezas naturais do concelho, apostar nas levadas e na respetiva identificação, incentivar o turismo rural, num nicho específico “porque o Porto Moniz não comporta mais camas”, são outras ideias chave que o candidato da CDU vai apresentar à população.

Farinha “fez alguma coisa”, Valter “não fez nada” e Emanuel “tem trabalho social”

Situando a Câmara do Porto Moniz num quadro político que tem sido dominado pelo PSD, mas agora sob liderança socialista de Emanuel Câmara, o candidato da Coligação tem um retrato feito dos três últimos responsáveis autárquicos. Gabriel Farinha, eleito pelo PSD, que ressurge agora como candidato do Movimento “Melhor Porto Moniz”, “fez alguma coisa pelo concelho”, mas já Valter Correia, que veio a seguir, também pelo PSD, “não fez nada e teve a pior equipa autárquica de sempre. Preocupou-se só com o seu umbigo e por isso não foi surpreendente a sua derrota de há quatro anos”. De Emanuel Câmara, uma opinião favorável: “Reconheço que a atual equipa camarária tem feito muito em termos sociais. Eu não mudava nada, apenas complementava. Talvez na atual equipa do idoso pudesse fazer algumas alterações na composição, colocando pessoas com formação específica para tratar com idosos”.

Vou percorrer todas as casas, vamos fazer história”

Miguel Cabral já tem uma posição formada sobre o modelo de campanha que vai adotar para tentar convencer o eleitorado. O contacto direto, o porta a a porta, será a fórmula encontrada. As saídas das missas, também. E um ou outro jantar-comício. Mas há uma novidade: “Vou percorrer casa a casa do concelho, começando pelas Achadas da Cruz, a freguesia mais longe. Não vou deixar uma única casa de fora, isso leva tempo mas estou aqui para isso. Já disse aos responsáveis pelo partido que temos que comprar umas sapatilhas e andar”. E reforça objetivos: “Vamos fazer história. Algum voto vem pelo coração, pelo trabalho que fiz no concelho. Estou esperançado numa boa votação. Não estou arrependido, estou aqui com prazer. Não vou ter 18 votos, nem 28 nem 38, vou ter 100 ou 200 e para mim é uma vitória. Connosco na Câmara, é diferente”.