Madeira inaugura já em Novembro no Museu Nacional de Arte Antiga grande mostra patrimonial, artística e documental

Fotos: Rui Marote

O Governo Regional da Madeira e as entidades responsáveis pelo Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e pelo Ministério da Cultura apresentaram hoje oficialmente, no Salão Nobre do Governo Regional à Avenida Zarco, a grande exposição que a Madeira vai realizar no supracitado Museu em Lisboa, na Rua das Janelas Verdes. A mesma estará patente de 15 de Novembro do corrente ano a Março de 2018, e pretende, de acordo com o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, afirmar-se como uma autêntica embaixada da cultura madeirense na capital, apresentando um extenso conjunto patrimonial datado dos séculos XV e XVI, representando várias oficinas artísticas de renome daquelas épocas e reflectindo a importância que o comércio do açúcar teve na economia e na cultural de Portugal no Atlântico, sobressaindo no Funchal, a primeira cidade da Expansão Portuguesa.

A notícia de que esta exposição se estava a preparar e iria realizar em breve tinha sido já avançada em Março deste ano, aquando de uma reportagem realizada pelo Funchal Notícias em Lisboa, acompanhando uma visita de Miguel Albuquerque e outros responsáveis do Governo da Região ao MNAA.

Para a apresentação deste grande evento cultural deslocaram-se à Região responsáveis como Filipe Pimentel, director do MNAA, ou o historiador e especialista em arte Fernando António Baptista Pereira, em representação do Ministério da Cultura.

O discurso e o suporte teórico da exposição, foi explicado na apresentação, assenta aliás em duas figuras principais, Fernando António Baptista Pereira e o madeirense Francisco Clode de Sousa, director de Serviços de Museus da Direcção Regional de Cultura (DRC). A mostra conta ainda, para além da colaboração de instituições regionais, com o apoio imprescindível de coleccionadores particulares.

O governante regional com a pasta da Cultura sublinhou que esta mostra se realizará  no Museu Nacional de Arte Antiga porque este é um dos mais importantes do país, senão o mais importante museu nacional, possuidor de uma importantíssima colecção, e proporcionará grande impacto e visibilidade às obras da RAM que ali serão expostas, atraindo as atenções nacionais e não só para a Madeira e a sua riqueza cultural.

Pretendem-se apresentar na exposição, designada “As Ilhas do Ouro Branco – Arquipélago da Madeira – Do Século XV ao Século XVI”, mostrar um conjunto de peças de elevado valor patrimonial, parte do acervo dos museus da Região e da Diocese.

O evento assinala também o arranque das comemorações dos 600 anos do achamento da Madeira e do Porto Santo, efeméride que, sublinhou Eduardo Jesus, deve ser entendida como “uma celebração nacional, de relevante interesse internacional”, dado que a Madeira “foi a primeira experiência de expansão atlântica”. Algo que também foi enfatizado pelo director do MNAA, na sua intervenção: nessa época, realçou, Portugal testou na Madeira, como se de um laboratório experimental se tratasse, os mecanismos de gestão e administração política, civil e eclesiástica que posteriormente seriam aplicados em outros locais aonde a expansão lusa, chegou, como por exemplo o Brasil.

A exposição que assinala os 600 anos do achamento do arquipélago, sublinhou Eduardo Jesus, principiará em Lisboa, e faz sentido que assim seja, porque “foi ali que principiou todo este processo de expansão”.

Obras portuguesas, espanholas, belgas e holandesas dos museus da Região estarão representadas na mostra que será exibida na capital, em expressões como a pintura, a escultura, a ourivesaria civil ou religiosa e ainda as artes decorativas, para além de documentos relacionados com a produção e comércio do açúcar no século XVI.

A título de exemplo, Eduardo Jesus citou obras como a Cruz Processional de D. Manuel, pertencente ao Museu de Arte Sacra, ou o tríptico “A Anunciação’, de uma oficina flamenga da capela dos Reis Magos do Estreito da Calheta, ou ainda o tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia, de Jan Provoost, que é do espólio do Museu Nacional de Arte Antiga, mas que é proveniente da Madeira, mais concretamente da capela de São João Latrão em Gaula, e que está exposta permanentemente no MNAA.

“Trata-se de uma exposição muito completa”, sublinhou, enaltecendo a parceria que tem vindo a ser desenvolvida, já desde há anos, com o Museu Nacional de Arte Antiga, e que se tem revelado extremamente profícua para ambas as partes, com cedência de obras para mostrar numa interacção muito favorável. Por exemplo, a exposição de uma obra emprestada pela Madeira, proveniente do acervo do Museu Quinta das Cruzes, da autoria de François Duchatel, “Retrato de D. Francisco de Moura Corte Real, terceiro Marquês de Castelo Rodrigo, uma pintura a óleo sobre tela datada de cerca de 1664. Tudo isto traz visibilidade cultural acrescida à Região e coloca-a no mapa nacional e internacional da cultura e do património.

António Filipe Pimentel, director do MNAA, também não foi parco em palavras para enaltecer o intercâmbio que até agora tem existido com as entidades madeirenses, e frisou que faz parte da estratégia do museu que dirige o acolhimento de projectos em parceria com entidades externas, fazendo rodar colecções de grande interesse nacional e internacional.

O orador destacou a grande quantidade, qualidade e escala do acervo artístico e patrimonial madeirense, que importa a todos os títulos estudar, e não apenas mostrar, uma vez que hoje em dia as instituições museológicas não se limitam, como no passado, a apresentar peças artísticas, mas também se preocupam hoje em dia em enquadrá-las e explicá-las de modo adequado e compreensível, “contando uma história”.

A concretização desta mostra hoje apresentada e noticiada em primeira mão pelo FN em Março foi, de acordo com Filipe Pimentel, o “ponto de chegada de uma relação científica transversal” entre as instituições madeirenses e as continentais como o MNAA, que considerou particularmente feliz.

Miguel Albuquerque, Eduardo Jesus, Natércia Xavier e outras entidades visitaram em Março o Museu Nacional de Arte Antiga

Por seu turno, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, salientou a qualidade do património artístico dos sécs. XV, XVI, e XVII, advogou que a Madeira é possuidora de “um conjunto de obras de excepcional qualidade, que fazem parte do património universal”, e salientou que “aquilo que somos hoje resulta das circunstâncias do chamado ciclo do açúcar, que moldou a estrutura social e geográfica, o modo de viver da população e o património cultural de modo muito vincado”. Agradecendo a todas as entidades, nacionais e regionais, que se associaram à realização deste acontecimento, realçou a qualidade de museus como o Museu de Arte Sacra ou o Museu Quinta das Cruzes, pela natureza do espólio que possuem, bem como o património existente nas igrejas e capelas da Região. Dirigindo-se a António Filipe Pimentel, desejou que a cooperação entre a Madeira e o MNAA prossiga na mesma senda positiva, pois existe ainda um conjunto de iniciativas que ambos ambicionam levar a efeito.

Presentes na apresentação deste exposição estiveram o bispo emérito do Funchal, D. Teodoro Faria, o presidente da Assembleia Legislativa da RAM, Tranquada Gomes, as directoras regionais do Turismo e da Cultura e responsáveis de museus da Região, entre outras entidades.