O presidente do Bairro da Argentina não gostou de ter sido condenado pelo Conselho de Disciplina da Associação de Futebol da Madeira (AFM) numa pena de suspensão de um ano e convocou a imprensa para dizer o que lhe vai na alma.
Eis o teor do que disse José Luís Nunes na conferência de imprensa de 13 de junho último:
“Marquei esta conferência de imprensa hoje, terminada que está a época desportiva do futebol, para fazer um balanço junto de vós, bem como, denunciar uma série de questões tenebrosas que assolam o futebol regional.
Como é do Vosso conhecimento, o futebol regional foi claramente marcado esta época por uma série de situações menos dignas, em que esta Associação também se viu indirectamente envolvida, contudo a Associação de Futebol da Madeira, pautou-se por comportamentos discriminatórios onde a balança nem sempre teve o mesmo peso na análise dos mais diversos casos.
Velhos do restelo, há tempo demais presos noutros tempos, sem conseguirem ver o horizonte, para além do nevoeiro.
O Futebol Regional estagnou e vive um permanente show off. O Futebol Regional não pode mais continuar na mesmice, precisa de uma reflexão profunda e não apenas de um face lift.
Temos campeonatos desfasados e desajustados, quadros competitivos mal enquadrados e agentes desportivos inqualificados, onde a falta de competência técnica, ética, profissional e pessoal de determinados membros integrantes dos órgãos sociais são uma constante. O Futebol regional merece mais e melhor.
Há quem conviva mal com a verdade e a liberdade de expressão, e a caça às bruxas voltou como se no tempo da inquisição vivêssemos, alguns podem ainda viver nesses tempos sombrios, mas terão rapidamente de se fazer à vida e perceber que há já mais de 40 anos que somos um estado de direito democrático.
A AFM não pode continuar a viver com “lei própria”, esquecendo e violando grosseiramente as mais elementares regras básicas de um estado de direito democrático. Os seus associados não podem ser condicionados através de procedimentos disciplinares por se manifestarem sobre as mais diversas situações, atentando assim de uma forma clara, contra direitos constitucionalmente conquistados, tais como a liberdade de expressão. Existe claramente um tratamento discriminatório e abusivo.
O Conselho de Disciplina da Associação de Futebol da Madeira tem sido um inequívoco protagonista pela negativa na mais recente história do futebol regional. Uma dualidade de critérios gritante, onde há dois pesos e duas medidas na sua actuação. Os deveres de neutralidade e imparcialidade são constantemente colocados em causa. Há filhos e enteados!
Porque não me conformo, nem aceito as injustiças, ontem mesmo, dei entrada na Associação de Futebol da Madeira de um pedido de Demissão de todo o conselho de disciplina.
A atribuição de um título honorífico à AFM, veio confirmar a banalização na atribuição destes títulos, pondo mesmo em causa o mérito de distintas personalidades que justamente receberam tais distinções. A história encarregar-se-á de julgar tal recente distinção.
Achincalhar, é este o termo que mais se adequa à relação da AFM com os seus Associados. O medo e receio imperam e levam a melhor junto dos associados. A insatisfação é demonstrada em privado, mas como já estou habituado a processos disciplinares por falar publicamente, sei que com certeza e prontamente haverá abertura de processo de averiguações ao que aqui hoje desabafo convosco, processo esse que será mesmo mais rápido que os golpes de pugilismo vividos recentemente e devidamente ecoados pela imprensa regional.
Como é que se pode querer a promoção dos jovens e se apostar na formação desportiva destes, se a AFM é a primeira a desmotivar, achincalhar e vetar os sonhos dos mesmos, através da falta de organização estrutural e ética.
A AFM é uma sugadora de apoios públicos, um verdadeiro poço sem fundo onde impera o descalabro financeiro. O PRAD 16/17 contemplou em mais de 428 mil euros esta instituição. Instituição esta que paralelamente cobra aos seus Associados as Inscrições, Organização de Jogos, Arbitragens, Transferências, multas … um sem número de taxas e taxinhas que de forma clara convertem-se numa duplicação da subvenção pública que auferem.
Se a AFM recebe subvenção pública por forma a levar a efeito a sua actividade, a promoção do desporto junto dos mais jovens e fomentar a prática desportiva, em que esse dinheiro destina-se às despesas correntes, organização de provas, arbitragem e afins, porque é que esta imputa aos seus associados o pagamento do atrás referido?! Assim sendo, para que é que recebe a subvenção pública?
Neste sentido, decidi, solicitar um parecer jurídico para aferir da legalidade da duplicação de pagamentos feitos à AFM.
Só me ocorre o livro de McCarthy, “Este País não é para velhos”, para descrever a minha percepção sobre o que a AFM actualmente simboliza.
Gostava ainda aqui de alertar os Senhores jornalistas para um outro problema, transversal a toda a actividade desportiva regional, nomeadamente a arrecadação de fundos.
A falta de apoio aos clubes e associações por parte do tecido económico regional é uma constante, mas tal situação poderia ser revertida, se as sucessivas promessas de alteração / adaptação da lei do mecenato fossem levadas por diante. Há anos e anos que os dirigentes políticos falam no assunto, mas até aos dias de hoje ainda não houve vontade política para se alterar um diploma caduco, descontextualizado e datado.
Uma Iniciativa Legislativa Regional que Vise a criação de um Diploma Regional que complemente a “Lei do Mecenato” e que atribua benefícios fiscais para as empresas instaladas e sediadas em Território Regional, que apoiem financeiramente as Associações e Clubes não detentores do Estatuto de Utilidade Pública seria a solução para parte do problema.
Para finalizar gostava ainda de fazer um pequeno comentário às declarações do Sr. Presidente Rui Marote, no programa Prolongamento da RTP Madeira da noite de ontem.
Ora bem, há 2 pontos que merecem reflexão.
1 – foi referido que devido à condição da subida do Câmara de Lobos aos nacionais de futebol sénior, o Bairro da Argentina e os Xavelhas verão reduzidas ainda mais, as horas disponíveis para ocupação do Estádio de Câmara de Lobos, devido à falta de instalações disponíveis. Quero aqui deixar bem claro que esta Associação e eu opomo-nos claramente à retirada de ainda mais espaço horário. Os nossos jovens na época que findou já treinavam por vezes das 21h30 às 23h, o que não é de todo um horário aconselhável a menores, ora, se agora o Sr. Presidente entende retirar ainda mais horas de ocupação, a nossa formação, vai treinar onde e a que horas? Os jovens não podem ser uma vez mais prejudicados, nós não consentiremos de forma alguma que uma vez mais se maltrate e achincalhe a formação. Os jovens de camaralobenses merecem mais respeito.
2 – O Sr. Presidente da Direcção da AFM referiu igualmente que o Conselho de Disciplina da AFM decidiu de acordo com o Relatório Policial, no que toca aos mais recentes acontecimentos da semana passada ocorridos num jogo de juniores, onde houve uma batalha campal, invasão de campo e graves desacatos, onde a própria PSP teve dificuldade em sanar os ânimos. Lá vamos nós novamente aos dois pesos e duas medidas, à dualidade de critérios e à posição cega, quando interessa, do Conselho de Disciplina.
O Sr. Presidente disse ainda que mantinha um apoio incondicional a todos os órgãos sociais da AFM e quando questionado pelo entrevistador sobre os acontecimentos, reafirmou por duas vezes “ Inquérito para quê?!” … Ó Sr. Presidente, Inquérito para quê?! Sejamos sérios.
Você, como todos nós vimos e lemos o que se sucedeu e temos noção da gravidade da coisa.
Em dezembro último aquando da tomada de posse desta associação, teve a indelicadeza, de nestas mesmas instalações, comentar um outro caso que envolvia o Bairro da Argentina e disse ser inadmissível o sucedido e exigiu responsabilidades. Passados 6 meses o que mudou? Apenas os clubes?
Sr. Presidente exigimos que se retrate das declarações da noite passada, ou então Demita-se também, porque quem é conivente, é igualmente responsável.”
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