Crónica Urbana: tocou a rebate na Venezuela

 

Rui Marote

Quarenta e três anos passados, Portugal enfrenta uma nova onda de retornados. O povo português está a Leste de um problema que todos os dias entra dentro das nossas casas através daquela caixinha mágica que é a televisão, não se dando conta da gravidade do problema que se chama Venezuela.
Sérgio Marques regressou recentemente de uma visita relâmpago, com o semblante carregado da gravidade do problema, como se se tratasse de uma bomba-relógio pronta a explodir a qualquer momento.

Não sabemos bem se o secretário de Estado das Comunidades aproveitou a boleia do secretário regional, ou  vice-versa. O que é certo é que o dueto não gostou do que viu e regressou apreensivo.
O ex-director Gonçalo Nuno, que durante anos comandou a emigração madeirense nos quatro cantos do mundo, com largo conhecimento da diáspora venezuelana e que cessou funções não fazendo parte da equipa de Sérgio Marques para abraçar outras funções, foi o “socorrista” que o Governo chamou como bóia de salvação para abrir portas que tinham sido encerradas.
O Funchal Noticias teve conhecimento de que um emigrante madeirense em estado grave necessitava de cerca de 100 mil euros para uma intervenção cirúrgica urgente, recorrendo ao corpo consular, que deu conhecimento à Secretaria de Estado.
O cidadão madeirense foi assim tratado como fosse um português de segunda, tendo Secretaria de Estado enviado para o Governo Regional a incumbência de pagar essa solicitação.
Volto a repetir a célebre frase do general Massano de Amorim, governador de Goa, adaptada ao Governo Regional de Miguel Albuquerque: “não tenho dinheiro para medicamentos no hospital da Madeira, muito menos para os que sofrem no exterior”. A original era “não tenho dinheiro para os que choram, muito menos para os que cantam”…
Andámos durante anos nas visitas que os governantes efectuavam às comunidades madeirenses no exterior, repetindo o discurso-chavão “façam lobby junto dos países de acolhimento… integrem-se esqueçam a Madeira que não tem condições para vos receber”.
Por outro lado, os governantes exortavam os emigrantes a invistirem na Madeira; “Não ponham os ovos todos no mesmo cesto”, dizíamos-lhes. Hoje temos um caso complicado. Começou a tocar a rebate, mas o governo central continua a enterrar a cabeça na areia.
Estamos preparados para receber os que partiram na busca de uma vida melhor, e que amanhã poderão regressar com uma mão à frente e outra atrás…???

Entretanto, o que se sabe é que os luso-venezuelanos e emigrantes querem a presença do presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, na Venezuela. Os emigrantes têm manifestado esta vontade, uma vez que o presidente vai ao Brasil por causa do 10 de Junho, país que tem alguns problemas idênticos aos da Venezuela, com a grande contestação a Temer. Era altura do mais alto magistrado da Nação distribuir alguma da sua solidariedade aos seus compatriotas na Venezuela, que os mesmos bem precisam…

Os emigrantes terão de contentar-se, para já, com nova visita do secretário regional Sérgio Marques, que regressa este mês àquele país da América Latina, também acompanhado pelo Secretário de Estado da Comunidades, José Luís Carneiro, que o quer acompanhar.


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