
O projeto cultural “DAR A VER”, iniciativa da responsabilidade da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, está de volta, sendo retomado na próxima segunda-feira, pelas 21 horas, com uma visita guiada à Quinta Vigia, conduzida por Francisco Clode e Rita Rodrigues.
A história da Quinta Vigia, residência oficial do presidente do Governo Regional da Madeira desde 1979, remonta ao primeiro capitão donatário, João Gonçalves Zarco, no que concerne à referência de terrenos nesta área, que ainda no século XIX estão identificados como área agrícola, terras de pão e de vinha. Na planta de Mateus Fernandes (1567) há localização de uma habitação e um mirante sobre os arrifes da baía do Funchal, identificando bem esta zona da cidade do Funchal. Mas é a partir de XVII (1661) que a sua história está melhor documentada com a presença do sargento-mor Diogo da Costa Quintal e sua mulher, D. Mécia de Vasconcelos, e os terrenos acima de Santa Catarina onde tinha um serrado e a Quinta das Angústias com sua capela, para a qual obtiveram autorização de culto em 1662.
A Quinta das Angústias, como era então a designação da Quinta Vigia, teve vários proprietários que ao longo dos tempos foram adaptando a casa residencial e jardins às novas realidades. Destacam-se os sucessivos herdeiros diretos de D. Mécia de Vasconcelos, no final do século XVII e princípios do seculo XVIII; João José de Vasconcelos Bettencourt (1766); D. Guiomar Madalena de Sá Vasconcelos Bettencourt Machado de Vilhena (1705-1789); João de Carvalhal Esmeraldo de Vasconcelos Bettencourt Sá Machado (1814); Dr. António José Monteiro (1815); Alexandre Carlos (Karl Karlovic), o conde de Lambert (1864); Dr. Júlio Paulo de Freitas (1903).
Por esta quinta passaram figuras ilustres como a rainha viúva Adelaide de Saxe-Meiningen, de Inglaterra, casada com o rei Guilherme IV, em 1847; o príncipe Maximiliano, duque de Leuchtenberg (Alemanha/Baviera), irmão de D. Amélia, duquesa de Bragança, por doença pulmonar, em 1849-1850: a imperatriz D. Amélia, consorte do rei D. Pedro IV de Portugal e I do Brasil, em 1852-1853, procurando a cura de tuberculose da sua filha, D. Maria Amélia, que faleceu com apenas 22 anos em 1853, tendo mandado então construir o Hospício D. Amélia; o fidalgo russo conde de Lambert (1864).
Na Quinta Vigia, para além da arquitetura da casa residencial, destaca-se a capela de Nossa Senhora das Angústias, que apesar do aspeto austero da fachada apresenta um interior de aparato cenográfico, tão caraterístico do barroco seiscentista, principalmente pelo jogo de “bel composto” e “arte total”, conjugando diversas áreas artísticas como a pintura (tela, cobre), talha dourada, imaginária e azulejaria, servindo os preceitos da Igreja contrarreformada.
Merecem especial referência os painéis de azulejos estilo D. Maria com representações alusivas às Fábulas de La Fontaine, da Real Fábrica do Rato, de c. 1808, na varanda da casa; “o mirante de D. Guiomar” (XVIII), com excelente vista sobre a baía; a vasta área ajardinada, com árvores de grande porte e gama diversificada de plantas.
Recorde-se que, tal como na primeira edição do projeto DAR A VER, a segunda edição da iniciativa, que teve início no passado mês de janeiro, tem por base a ideia da divulgação, de forma gratuita, do património artístico existente no arquipélago da Madeira.
Para além dos trabalhos de investigação, classificação e conservação e restauro, é essencial proceder-se à divulgação e ao conhecimento de um vasto e diversificado conjunto de bens móveis e imóveis postos à guarda de todos os madeirenses, e que constituem uma essencial reserva de identidade cultural.
Até novembro do corrente ano serão convidados vários especialistas, locais e nacionais, que abordarão de forma mais específica ou generalista aspetos dessa imensa diversidade cultural conservada in situ, ou já transitada para museus. O essencial do programa é, como em 2016, constituído por visitas guiadas e por conferências a realizar em vários locais.
Refira-se ainda que a participação na atividade é gratuita, sendo que deverá ser feita uma inscrição prévia através do endereço daraver.drc@gmail.com
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