Crónica Urbana: Uns são filhos de Deus… outros do diabo

 

Rui Marote

Prometi um interregno de 10 dias nas minhas crónicas, mas não consigo manter esse silêncio. A razão? A revolta. Estou numa ilha a 1400 km da Madeira, no vizinho arquipélago de Canárias. Ao percorrer uma rua paralela à Praia de Las Canteras, vejo uma agência de viagens situada na Sagasta, Viajes Las Palmas, exibindo nas suas vitrinas uns dísticos que me chamam a atenção.
Barcelona ida para residentes em Canárias, 39 euros. Madrid, ida residente, 36 euros.
Parei, fotografei, fiz uma pausa e entrei na agência.


Queria esclarecer a verdade do dístico colocado na montra. Fui atendido e quis esclarecer se o preço estava correcto. O residente canário paga 39 euros por uma ida e o dobro por ida e volta, ou seja 78 euros pagos ao balcão, por 6 horas de voo, ida e volta. Para Madrid são 36 euros só ida, mais 36 euros pelo regresso, cerca de 5h30 ida e volta.
É limpinho. Não vão para os correios, nem esperam sessenta dias pelo reembolso.
Somos uma região periférica como o são as Canárias, mas com direitos totalmente diferentes. O secretário da tutela, ou seja o pai da criança do que se chama o subsídio de mobilidade, dá pelo nome de Eduardo Jesus. Desde a primeira hora não soube negociar com o secretário de estado da tutela, que o “embrulhou” numa teia sem poder de negociação. Ele bem tenta sair deste imbróglio, mas continua amarrado de pés e mãos, sem nenhuma solução a vista.
Será difícil o secretário da Economia e Turismo meter-se num avião, deslocar -se a Canárias, falar com o seu homólogo, e inteirar-se como se procede a deslocação dos canários à Península?

Desde há muito que o Governo da Madeira se encontra de costas viradas para “nuestros hermanos” não se realizando uma cimeira entre estes dois povos ilhéus.
Sabemos que o Governo da Madeira muito em breve irá apresentar uma solução marítima, ou seja, um presentinho muito bem embrulhadinho com fitinhas e tudo, este Verão, que é o novo ferry. Faço votos que não seja um presente envenenado só com fins eleitorais, porque os madeirenses não embarcam em jogadas. Eduardo Jesus coloca as fichas todas no pano verde e Miguel Albuquerque não perdoa outro desastre de um super-secretário que continua a apanhar as canas dos foguetes…