Ireneu Barreto considerou que urge restaurar o prestígio e o respeito pela profissão de professor

 

Ireneu Barreto (foto de arquivo)

O representante da República, Ireneu Barrreto, considerou ontem, no discurso de encerramento do 12º Congresso do Sindicato dos Professores da Madeira, que, no âmbito do SPM, “existe um amplo espaço de debate democrático, e um grande esforço de reflexão sobre esta missão de serviço público fundamental que é o Ensino e o ofício de ensinar”.

Na oportunidade, Ireneu Barreto deixou “um elogio, imenso e sincero, ao papel fundamental que os professores e educadores tiveram no desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira nas últimas décadas, a partir da instauração da democracia”. Relembrando que a Madeira e Porto Santo tinham, antes da Primavera de 1974, uma taxa de analfabetismo superior a 30%, o representante da República referiu que hoje essa percentagem será já inferior a 6%. Uma “evolução do saber e do conhecimento” que trouxe consequências positivas a todos os níveis, desde as qualificações profissionais ao ambiente cultural, das competências parentais à consciência cívica, declarou.

“Também graças ao contributo dos professores se pode hoje afirmar que a Educação é uma das áreas onde os órgãos próprios da Autonomia Política Regional, trazida pela Constituição da República de 1976, mais longe foram no desenhar de soluções próprias para a Madeira e Porto Santo. Se é verdade que há sempre alternativas às soluções legislativas encontradas, parece-me inquestionável que se criaram na Região caminhos próprios e inovadores em muitas áreas da Educação”, referiu.

Ireneu Barreto reafirmou o seu empenho no reconhecimento da importância dos professores, tendo tido, nos seis anos do seu mandato, ocasião de propor, e ver aceites pelo presidente da República, nomes de educadores e professores da RAM para serem distinguidos na atribuição de ordens honoríficas nacionais.

Reconhecendo todavia os problemas que assolam a profissão, o orador salientou que, “num mundo em convulsão, que substitui facilmente referências e valores, exige-se à escola a capacidade de se regenerar. Mas, para que tal seja possível, é necessário atribuir-lhe meios que permitam a constituição de equipas multidisciplinares, turmas ajustadas, em dimensão, aos desafios propostos e formação contínua actualizada. Mais do que isso, urge restaurar o prestígio e o respeito pela condição de professor, frequentemente, uma condição de completa entrega em nome de fazer melhor pelo Outro e pela sociedade. E o poder político tem de se envolver nesta campanha, pois são infinitos os frutos a colher em prol do bem-estar comum”. Pois, destacou, “um poder político que desvaloriza a função de professor reflecte uma sociedade doente e inconsciente relativamente ao seu futuro”^.

 

 


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