Tempos de pré-campanha

Julgava eu que assumidos os candidatos às próximas eleições autárquicas iríamos perceber as diferenças nas ideias, projectos, alternativas, seriedade, postura. Iríamos ver os candidatos dizer ao que vinham, como vinham e para o que vinham. Cada um com a sua estratégia e a sua táctica. Mas, cada um, presente e inteiro.

É sabido quem apoio para a câmara do Funchal. Não é disso que quero falar, mas de frontalidade. Detesto quando me tentam enganar à socapa, pela calada; até porque quem o tenta, faz o mesmo com toda a gente. A isto chama-se manipulação, desonestidade, falta de ética. O que se tem vindo a assistir nestas semanas passadas é exactamente isso: manipulação, desonestidade, falta de ética.

Nesta pré-campanha, em tudo o que diga respeito à câmara, a candidata Rubina Leal joga ao ‘toca e foge’. Em compensação, não há inauguração, reunião, acontecimento, onde ela não apareça. Ele é protecção civil – porque tem a tutela; ele é saúde – porque também lhe toca; ele é idas à serra ao lado da secretária do Ambiente – não sei bem porquê; ele é formação – porque dá imenso ‘capital’; ele é Festival Literário – em representação do governo; etc., etc. Ainda não perdi a esperança de a ver a bordo de um dos helicópteros que irão fazer os ensaios de meios aéreos de combate a incêndios ou a mergulhar de escafandro a acompanhar o afundamento de um navio para desenvolver um recife artificial – esperemos que não seja na Reserva do Garajau, mas nunca se sabe!

Tantas são as actividades e aparições que até ficamos com a sensação que não é preciso mais ninguém no governo regional. Rubina Leal É o governo!

E quanto à Câmara? Ah! Aí vão as tropas, com dois ou três porta-vozes de serviço. Deputados, municipais e regionais. É verdade que ainda não percebi porque é que os actuais vereadores do PSD não abrem a boca e às vezes nem aparecem nestas acções de campanha mal disfarçadas de genuínas preocupações, mas deve haver razões superiores que a razão comum desconhece…

E então é que são elas: a água que se perde na rede; o amianto nos telhados; o pouco investimento nos bombeiros municipais; a segurança da cidade é um problema.

Se não é demais perguntar, há quantos anos a actual vereação está em funções? 3 anos e meio. Quantos anos a câmara do Funchal foi governada pelo PSD? 43! E destes, quase 20 com Albuquerque presidente e os últimos 8 do seu mandato com a colaboração estreita de Rubina Leal.

Vamos lá a ver: há amianto em telhados? Há. Mas foi quando esta vereação lançou o programa ‘Amianto zero’ que alguém acordou e chamou os seus deputados para irem protestar para Santo António, confundindo a Quinta Falcão com a Quinta das Freiras? Convenhamos que ia ser complicado à própria Rubina Leal explicar a sua contribuição para a retirada do amianto – logo ela que, entre 2005 e 2013 (8 anos), teve o pelouro da gestão habitacional na Câmara!

Também há que convir que não era fácil a Rubina Leal pôr-se no lugar do deputado que se insurgiu contra a falta de medidas da Câmara para colmatar as falhas de materiais e equipamentos necessários para o auxílio à população e combate aos fogos florestais, relembrando os incêndios de Agosto. E não ia ser fácil porque todos sabemos qual foi o comportamento do governo, de que Rubina Leal é membro e protagonista destacada, durante esses incêndios.

Segurança da cidade em risco – outra ‘descoberta’, desta vez pela voz de um deputado regional! Segurança? Cidade em risco? E o que tem Rubina Leal a dizer disto, em particular se olharmos para o que se passa na montanha e na ribeira de Santa Luzia? Ou vão-nos dizer que tudo estava bem até ao dia 21 de Outubro de 2013 e que foi nestes 3 anos que tudo descambou? Que, se as serras são explosivos barris de pólvora e a ribeira um canal de cimento potencialmente criminoso, a culpa é da vereação actual?

Perde-se água na rede? Perde. E há quantos anos? Se a vereação do PSD não tivesse deixado a autarquia atolada em dívidas e se o actual governo regional – chefiados pelo mesmo Miguel Albuquerque –  não tivesse andado estes 3 anos a ‘brincar’ aos contratos-programa com a câmara, certamente a disponibilidade financeira teria permitido fazer muito mais. Agora, assim, não gozem com a nossa cara!

Há coisas que, quando são bem feitas, nem damos por elas; caso contrário, é o diabo! Um anúncio de propaganda de um jornal dizia ‘dia sem Diário, não é dia’. Agora é mais ‘dia sem Rubina, não é dia’. Mas tudo o que é demais farta – e já todos percebemos o que se passa.

Com esta estratégia de enviar para a frente umas ‘lebres’ a ver se conseguem mudar o ritmo da corrida, Rubina Leal – e o seu chefe – pensa passar entre os pingos da chuva, conseguir fugir às responsabilidades, não explicar tudo o que não fez em 8 anos de mandato municipal e chegar à campanha eleitoral, impoluta e salvadora, qual D. Sebastião de saias numa qualquer manhã de nevoeiro.

Mas eu confio que Outubro continuará a trazer sol ao Funchal!

 

 

 


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