Presidente dorme literalmente na Associação de Escritores da Madeira

A Associação de Escritores da Madeira está moribunda. Na Rua Latino Coelho, num espaço que deveria ser igualmente nobre (Centro Cívico Edmundo Bettencourt), a sede da associação foi transformada em dormitório da presidente da associação.

É visível a olho nu que o espaço é utilizado diariamente para pernoitar e preparar refeições. Há objetos espalhados pela sede relacionados com comida, limpeza, higiene pessoal. O espaço é partilhado por um gato.

Aparentemente não se realizam ali reuniões há vários meses. Na entrada da porta há um aviso relacionado com outra associação, a Associação de Bandolins da Madeira, remetendo para a “sala ao lado”.

Recorde-se que o Centro Cívico de Animação e Cultura ‘Edmundo Bettencourt’, dedicado ao fadista e poeta  madeirense Edmundo Bettencourt (1899-1973), é um espaço tutelado pela direcção regional de Cultura.

Mas, depois do fulgor inicial, o espaço deixou de ter a movida cultural que este tipo de infraestruturas merece. A correspondência espalhada pelo chão, as montras mal-amanhadas com livros ‘a amarelar’, o aparente desleixo na limpeza e conservação de todo o imóvel dão nota de que é preciso intervir.

O imóvel deixou de ter vida…cultural e limita-se a albergar instituições, algumas delas igualmente moribundas. O Cerne-Casa da Europa na Madeira, a Associação de Bandolins da Madeira, a Associação de Folclore e Etnografia da RAM, o Teatro Experimental do Funchal (TEF) e a Escola de Bailado Carlos Fernandes fazem do espaço a sua casa.

Os dirigentes que regularmente frequentam estas instituições utilizam as traseiras do edifício, o que potencia o aparente estado de abandono da entrada principal.

Em contraciclo, ali mesmo ao lado, o fulgurante espaço privado do ‘Armazém do mercado’ promove o que o Centro Edmundo Bettencourt deveria ser: um espaço de cultura urbana por excelência.