“Há, mas são verdes…”

Pelourinho C
Desconhece-se se a zona verde que já cresce, a olhos vistos, na zona do Pelourinho, faz parte da recuperação histórica.

O Largo do Pelourinho e toda a zona envolvente está de “cara lavada”. E muito bem. A intenção de defender o património e de preservar um espaço, preparando-o para mostrar aos visitantes, e também aos madeirenses, um pouco da nossa História e a forma como a vemos e nos orgulhamos dela, foi uma opção muito bem pensada e só temos que reconhecer isso. E muito bem.

Os trabalhos foram sendo desenvolvidos nessa vertente e o Pelourinho foi reposto, naquilo que é possível, de acordo com a traça original, a zona foi classificada e há uma intenção de dar outra imagem aos prédios circundantes, por forma a que toda aquela área seja visitável e seja zona de referência turística no centro da cidade. E muito bem.

Pelourinho B
Esta imagem de abandono, que certamente não corresponde ao valor que se quer para a zona, pode ser evitada com uma pequena limpeza.

Sabemos que as obras levam tempo e que é importante, num trabalho desta natureza, ter em conta pormenores, cuja avaliação é, normalmente, inimiga da pressa em ter tudo pronto. Sabemos que é preciso tudo ser analisado minuciosamente e que tanto a zona de recuperação, como aquilo que se prende com os prédios à volta, têm requisitos e envolvem procedimentos que, no conjunto, dão trabalho e dão tempo para conclui-lo. Sabemos isso. E muito bem.

Mas, Estepilha, a gente quer aquilo de “cara lavada”, mas será que, entretanto, enquanto estudam e preparam a zona, não daria para ir “lavando a cara” e “limpando os pés”? Ou seja, não dava para limpar esta zona verde que já vai criando raízes e não fica bonito? Não é por nada, mas quem passa por lá, dá a idéia de abandono e ficamos com a sensação que aquilo está a crescer a olhos vistos e, se continuar assim, não nos parece que fique em relvado.

A limpeza que se precisa, diga-se, não é grande. E com pouco custo, aquilo fica limpo e com outra imagem, não só para explicar ao turista que ali vai ser zona histórica, mas também para que o madeirense não compare ao quintal de tanta casa abandonada que já não há quem veja para lá da varanda. Ou tanto terreno por limpar, apesar dos avisos, feitos sobretudo quando depois de incêndios. Neste caso, ali ainda está longe de tapar o Pelourinho. Ainda…

“Há, mas são verdes” é uma expressão que representa aquilo que a pessoa cobiça, mas que desdenha por não poder lá chegar. Ao contrário da fábula, não é difícil chegar a este “verde selvagem”.