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“The rules of fair play do not apply in love and war”
John Lyly in Euphues: The Anatomy of Wit – 1579
Na Síria, como em todos os lugares onde a incúria e a insanidade dos homens se demonstra, ninguém tem razão e nenhum poder está isento.
Já sabemos da informação, da contra-informação, da desinformação e de todos os modos atrozes como se tenta, da forma mais indigna possível, manipular consciências e formatar opiniões, de modo a justificar o injustificável, de modo a tornar aceitáveis, perante uma qualquer ética invertida, actos atrozes que nos deixam a todos curvados de vergonha e dor.
Quer se chame Trump, Putin, Bashar Al-Assad, Daesh (e a ordem é aleatória) ou outra coisa qualquer, na Síria, cada criança inocente morta, leva o selo de um mundo que não pediu, um mundo que regressa a uma barbárie da qual parece, afinal, nunca ter abdicado.
Quem já viveu meio século de vida (e não precisaria ser tanto) com certeza se recorda da menina vietnamita coberta de napalm. Essa imagem, que percorre a minha infância e que não esqueço já adulta, simbolizou sempre a defesa de uma ética que respeite os povos, em especial os seus mais inocentes escravos, as crianças. A menina-napalm, tal como Anne Frank e, antes delas, outra tantas, representavam uma reserva de valores que sabia ser preciso defender a todo o custo.
Haverá guerras justas? Impossível responder que não. Enquanto houver loucos aos comandos das novas “narrativas” cederemos à justiça do acto da sua deposição. Mas que não se destitua, em seu nome, a única esperança que nos resta: a de poder conceder aos infantes deste mundo a possibilidade de construir um mundo melhor, mais digno e mais pacífico do que o que lhes legamos. Que não se lhes retire o único direito que ainda sobraria: o da sobrevivência.
Dos meninos da guerra far-se-á, também, o registo da História deste século que se anunciava de Paz. Dos já quase esquecidos cayucos, nas Ilhas Canárias, dos cadáveres infantis nas costas gregas ou italianas, das crianças que sufocaram na Síria, em nome de um deus menor, edifica-se um Tempo que nos acolhe de forma agreste.
Dos facínoras, que são todos, quaisquer que seja o fio da narrativa que nos contam, dos lobbies que os alimentam e da contra-informação que nos manipula, rezará a História.
Quo vadis Humanidade?
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