Novo hospital necessário mas com reestruturação da rede de apoio, defende a Ordem dos Enfermeiros

Elvio Jesus
Contrução do novo Hospital é “necessária”, diz Élvio Jesus, da Ordem dos Enfermeiros.

O responsável pela Ordem dos Enfermeiros na Região, Élvio Jesus, afirma que a construção do novo Hospital da Madeira é “pacífica e necessária”, em função dos pareceres existentes e dos novos desafios que se colocam em termos de prestação de um bom serviço aos utentes.

Recorda mesmo que foi a Ordem quem primeiro debateu o assunto, trazendo à Região um especialista que foi inequívoco quanto à solução de futuro para o desenvolvimento da unidade hospitalar, uma vez que as instalações atuais não eram suscetíveis de serem alargadas, tanto na horizontal como na vertical, daí a necessidade de um espaço de raiz.

Perito defendeu hospital de raiz

Élvio Jesus lembra que esse debate ocorreu no início de 2011, depois de ser conhecida a posição do anterior Governo Regional de mandar suspender a construção do novo hospital, fazendo com que “de imediato trouxessemos um perito à Madeira, precisamente para abordar a questão do ponto de vista da necessidade de um novo espaço ou de remodelação das atuais instalações. E foi logo aí que esse perito disse que, ao contrário do que defendeu para o Hospital Santa Maria, que foi reestruturado em 2011, desta vez e relativamente ao Hospital da Madeira, não tinha a mesma opinião e considerava como melhor solução de futuro a construção de uma unidade de raiz, uma vez que o atual espaço não tem condições para ser alargado”.

Repensar a rede

projeto novo hospital santa rita março 2017
O novo Hospital deve ser acompanhado por uma reestruturação da rede de apoio ao nível dos cuidados continuados, diz Élvio Jesus.

Face aos indicadores e pareceres, Élvio Jesus é de opinião que “o novo hospital da Madeira é necessário para os utentes, mas é também necessário para quem lá trabalha, para a eficiência e para a segurança”, salvaguardando, por outro lado, uma outra componente de todo o processo que deve ser tida em conta num contexto de solução global, que se prende com a importância de “repensar, em simultâneo, a rede de apoio ao nível dos centros de saúde, no âmbito dos cuidados continuados. Se não cuidarmos dessa rede, em matéria de cuidados de saúde, proporcionando às pessoas um serviço de proximidade, dificilmente o hospital, por si só, resolverá os problemas que teremos pela frente”.

O responsável pela Ordem na Madeira foca um aspecto que, em sua opinião, “é pouco falado”, que é, como aponta, “a integração entre a saúde e o social. As pessoas, como são cada vez mais idosas, têm necessidades que são difíceis de avaliar, em termos de saber o que é cuidado de saúde e o que é cuidado social, quando está provado que uma área não pode viver sem a outra. Essa situação deve ser analisada em todo este universo de serviços integrados”.

Já no que se prende com a redução do número de camas, contemplado pelo novo Hospital da Madeira, face ao novo enquadramento de serviços e à aposta no ambulatório como forma de reduzir os internamentos e, logo, a ocupação, Élvio Jesus considera que “se a rede integrada, no âmbito dos centros de saúde, for bem pensada e bem estruturada, correspondendo às necessidades das pessoas, pode não ser necessário introduzir mais camas. Mas claro que isso implica construir outras infraestruturas de apoio aos utentes, na fase dos cuidados continuados, que por vezes implicam muitos anos. Se assim não for, será difícil termos uma solução correta. Nós preferimos colocar o problema do ponto de vista da rede, mais do que propriamente no número de camas, além de que, temos o compromisso da secretaria regional da Saúde, que a unidade a construir pode, a todo o momento e de acordo com as necessidades e ajustamentos, aumentar esse mesmo número de camas”.

Estruturas de periferia

Élvio Jesus insiste na reformulação da rede de saúde, com estruturas determinantes de periferia. E diz mesmo que isso tem implicações, inclusive ao nível da legislação, que deveria ser adaptada de acordo com as novas exigências, o que deveria ser conseguido através de “um apoio parlamentar alargado a todas as forças com assento, precisamente para haver um consenso sobre matéria tão importante como esta. Por isso, em relação ao número de camas, temos uma reação de “sim, mas…”