Do bullying institucional

 

– «Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda» – Jeroen Dijsselbloem. Estas palavras do Presidente do Eurogrupo, soaram como pedras atiradas aos países do sul da Europa, a quem se dirigiram.

Dijsselbloem é o Presidente do Eurogrupo. No entanto, representa o “factor x” da apropriação das Instituições supranacionais por um conjunto de indigentes impreparados, de brejeiros da política que envergonham o contributo, que também demos, enquanto nação, a um conjunto de valores que subjazem à formação da União europeia.

Quando, desde há alguns anos e repetidamente, se refere a “crise das lideranças europeias” como um dos principais factores que fundamentam o estado a que as instituições e as nações que compõem o velho continente, chegaram, é disto exactamente que falamos. Não podem líderes de povos e de representantes dos mesmos proporcionar exemplo aos seus concidadãos quando o (des)nível do seu discurso se situa, já não na taberna, mas na sargeta da mesma.

As declarações deste sujeito consubstanciam dois actos menores: o primeiro, o de sucumbir ao estereótipo cultural que associa os países do Sul ao excessivo consumo do álcool; o segundo, à concepção retrógrada, ofensiva e machista de que as mulheres são uma mercadoria. É, para ser sucinta, uma afirmação abjecta.

As redes sociais, a imprensa online, logo se povoaram de graçolas relativamente à situação, algumas com imensa piada, Uma delas, oferece o luso gesto do Zé povinho ao político europeu. E diz tudo.

No entanto, e acompanhando as notícias quanto ao assunto, ficámos a saber que o citado Dijesselbloem se recusou a pedir desculpas. Que as não peça, mas que vá para a digníssima rua onde circulam esforçados pagantes dos seus privilégios.

Pela teia tecnológica circula uma frase, atribuída a Mark Twain, que nos recomenda não discutir com este senhor: “Nunca discutas com um idiota, ele arrasta-te até ao nível dele e, depois, ganha-te em experiência”. A evitar, portanto. Assim, conhecendo agora, com maior e infeliz detalhe, o material de que este “criaturo” é feito, torna-se um imperativo de cidadania que seja imediatamente afastado e impedido de representar a UE seja de que modo for. É, igualmente, a única condição de resgate para uma instituição que se esvai, a não serem tomadas medidas que regulem, isso sim, o comportamento e a ética do exercício de cargos públicos, neste caso representativo de uma congregação de nações.


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