Grupo Leya dá formação a professores sobre o novo romance de Saramago obrigatório no Secundário

O editor de José Saramago, da “Caminho”, Zeferino Coelho, e as autoras do Manual de 12.º ano da Texto Editora, Célia Cameira e Ana Andrade. Fotos FN

O romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, da autoria de José Saramago, passa a constar, no próximo ano letivo, do programa nacional da disciplina de português, como obra de leitura integral obrigatória. Sai de cena Memorial do Convento, do mesmo autor, para proporcionar aos novos estudantes uma outra obra do Nobel da Literatura Portuguesa.

Tendo por base esta anunciada mudança programática, o Grupo Leya, proporcionou, este sábado, aos professores da Madeira do Ensino Secundário uma ação de formação com as autoras do novo manual de 12.º ano, da Texto Editora, intitulada “Para uma didatização de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago”.

Célia Cameira e Ana Andrade, as autoras do manual, sugeriram aos professores diversas propostas de abordagem do novo romance de Saramago, dando particular ênfase às várias pontes intertextuais que poderão ser estabelecidas com conteúdos anteriormente estudados pelos alunos, num cotejo sempre possível entre o romance de Saramago e autores como Camões, Cesário Verde e outros.

É de acrescentar também que a atualidade nacional pode mesmo ser considerada o palco privilegiado para este diálogo de sentidos e analogias, uma vez que o romance de Saramago é intemporal nas suas abordagens ao homem e à sua condição, à defesa do povo contra todas as formas de censura e de exploração das minorias e à denúncia de uma sociedade lusa assimétrica com uma burguesia na sua zona de conforto e os bairros pobres de Lisboa a mostrarem o submundo do povo oprimido.

Com recurso a suportes digitais bem atuais, as autoras do manual sugerem a motivação dos estudantes para o romance de Saramago também a partir do espaço nuclear de ação, Lisboa, bem como o percurso de um protagonista, o médico Ricardo Reis, e a sua trajetória paradoxal e ao mesmo tempo errante por essa mesma Lisboa, dividido entre os amores por Lídia e Marcenda, sem contudo se comprometer definitivamente nem com ninguém nem com nada.

O estilo narrativo, a posição do narrador no romance, o sempre polémico tom oralizante e os desvios linguísticos à Saramago, entre outros tópicos, foram sumariamente abordados por ambas as formadoras, preparando assim os docentes para o novo desafio de lecionar outro romance de Saramago.

Umareprodução de um original do texto de Saramago, do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, com as notas do escritor.