Crónica Urbana: Novo hospital com remédio para tudo

 Rui Marote
O Funchal Notícias assistiu ontem à apresentação da fase final do projecto de arquitectura do novo hospital, segundo programa funcional previsto. Sala cheia na biblioteca do hospital Nélio Mendonça (curiosamente, um lugar sem livros). Faltou somente um quarteto de violinos para esta nobre apresentação.
Pecou pela escolha do local, a sala não oferecia condições pela sua pequenez. Mais de 50% dos presentes saíram como entraram, sem ter visto o projecto, porque o cameraman da RTP tapou a visualização da ala direita dos presentes que assistiam ao acto. Nada, porém, que ofuscasse esta cerimónia de divulgação. Os profissionais de diferentes áreas têm até ao final do ano tempo suficiente para apresentar sugestões e alterações ao que está neste rascunho arquitectónico.
As palavras de ordem ontem foram “vai ser uma realidade”, referindo-se ao novo hospital… palavras do secretário regional da Saúde, que saíram reforçadas pela presidente do SESARAM, que fez questão de repeti-las. Tanta esperança até abriu o apetite dos presentes para o almoço. Só quem não acredita que o novo hospital se concretizará, são os homens e mulheres de pouca fé…
Este será um hospital sem “trevas”: o arquitecto-chefe fez questão de sublinhar  que a nova infraestrutura irradiará luz por todos os cantos – haja luz! -numa poupança de energia enormíssima.
Ao seu lado enquanto falava, exibia-se uma “caixinha de surpresas”.
Tratava-se de  uma caixa de cartão, como se fosse um “oratório”. Mas era a “maquete”, bem simplezinha,  do novo hospital.
A descrição dos pisos e áreas  coube aos arquitectos que elaboraram o projecto elucidando os presentes pormenorizadamente. O novo hospital será revolucionário, e há até áreas em que terá recurso a robótica.
Volto a recordar a cartinha que a minha saudosa mãe me escreveu, já la vão mais de 40 anos, quando estava em Moçambique, descrevendo a inauguração do novo hospital da Cruz de Carvalho: – Filho, este hospital é um autêntico hotel! Tem quartos para dois doentes e até tem telefonia”. Hoje os tempos são outros, mas as promessas continuam grandiosas. Resta ver a concretização. Recordo o título do filme português dos anos 40, “Sonhar é fácil”, com António Silva…
Tudo é fácil quando existe o factor cifrão, hoje euro. Em engenharia não há segredos. Tudo é possível, basta existir o patacão. Porque não um túnel para o Porto Santo?  Haja dinheiro!
Só resta saber quem irá pagar o novo hospital. O Governo central prometeu e agora foge ao compromisso. Quem paga os novos hospitais que estão a ser construídos e projectados no rectângulo? Não somos todos nós ? Nunca ouvi falar que para Bragança ou Algarve o Terreiro do Paço só dá 50%…
É caso para dizer que de boas intenções, está o inferno cheio.
Não quero ser o Velho do Restelo mas o novo hospital, conforme apresentado, parece remédio para tudo, menos para a morte.
Quer dizer… até para a morte existe! É a ressurreição!

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