O Dia Mundial da Poesia celebra-se todos os anos a 21 de março. Esta data foi criada na 30.ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999 e tem por objetivo maior, celebrar a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias por intermédio das palavras, da criatividade e da inovação.
A iniciativa visa – através da poesia – fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa. Assim, para comemorar esta arte, no dia 21 de março realizam-se, um pouco por todo o mundo, várias atividades de índole poético – como a leitura e escrita de poesia, lançamentos de livros, etc. – sobretudo nas escolas, nas bibliotecas, espaços culturais e até nas ruas.
Realmente, é de extrema importância o contacto com textos poéticos, pois a arte da poesia contribui para a diversidade criativa, usando as palavras e os nossos modos de perceção, interpretação e de compreensão do mundo. A poesia é algo “cozido” com palavras destemidas, pois“ a boca do poeta não se abre para dizer palavras encharcadas em medo. (Zé Abreu, p.85, 2015).
Felizmente, na literatura portuguesa há vários poetas e poetisas, mundialmente conhecidos, devido à força da sua bibliografia poética. Podemos referir alguns desses autores, como Luís de Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, Herberto Hélder, entre outros escritores clássicos e contemporâneos, que têm uma obra poética que merece o nosso orgulho e conhecimento.
Como a 21 de março também celebra-se o Dia Mundial da Árvore, que tal os professores construírem com os alunos – e os pais com os filhos -, uma árvore com folhas de poemas, por exemplo? Ou então escrever um poema sobre a temática da árvore, e desta forma celebrar, conjuntamente, estas duas datas!?
Embora, lamentavelmente, saibamos que a poesia é um género literário que não está na preferência da maioria dos leitores, e tem dificuldade em ganhar destaque nas livrarias, no entanto, “acredito que aceitar a poesia é valorizar a liberdade de expressão de cada um e aperfeiçoar também a nossa forma de estar, pensar e agir no mundo. (Abreu, p.9, 2015).
Todos nós sabemos que há poemas que nos tocam profundamente, alguns até nos atingem como um soco. ”O poeta é afinal aquele que sabe dar-nos de surpresa um soco no mais fundo do que somos. Para com isso aprendermos a ver melhor o esplendor do mundo.” (Fonte: http://observador.pt/especiais/21-poemas-dia-mundial-da-poesia/.)
A 21 de março de 2016, Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial da Poesia, escreveu o seguinte, na sua mensagem: “Ao prestar homenagem aos homens e mulheres cujo único instrumento é a liberdade de expressão, que imaginam e agem, a UNESCO reconhece na poesia o seu valor como um símbolo da criatividade do espírito humano. Ao dar forma e palavras ao que não as tem – como a beleza insondável que nos rodeia, o imenso sofrimento e miséria do mundo – a poesia contribui para a expansão da nossa humanidade comum, ajudando a aumentar a sua força, a sua solidariedade e sua autoconsciência.”
Há textos e imagens que conseguem criar uma emoção poética tão intensa que só a grande arte consegue atingir através desta coisa conhecida e sentida como poesia. Há poemas que faz-nos cortar a respiração e até aproximarmo-nos mais uns dos outros, independentemente dos ideais e gostos de cada um. Muitos são os versos com palavras que nos embalam, e acima de tudo, fazem-nos levantar a cabeça, naqueles momentos que estamos com menos esperança. Há poemas que são como puro alimento para a nossa alma. Por isso é que a grande poetisa açoriana, Natália Correia, escreveu que “ a poesia come-se”.
A 21 de março, comemora-se, também, o Dia Mundial da Marioneta; e em Portugal, festeja-se, igualmente, o Dia Nacional do Teatro Amador. Já a 27 de março, um pouco por todo o mundo, celebra-se o Dia Mundial do Teatro.
Festejamos a arte teatral, porque precisamos de um teatro, que nos surpreenda e nos faça pensar, nesta arte do aqui-e-agora, de olhos nos olhos. Segundo, Anatoli Vassiliev, “do que nós certamente não necessitamos é de um teatro de terror diário – seja ele individual ou coletivo, do que não precisamos mesmo é do teatro de cadáveres e de sangue nas ruas e nas praças, nas capitais ou nas províncias, um teatro falseado de confrontos entre religiões ou grupos étnicos…”
Já que estamos a falar sobre teatro, é de louvar a adesão do Teatro Municipal Baltazar Dias, à nova Rede Nacional de Teatros, denominada Rede EUNICE, justamente em honra da atriz Eunice Muñoz.
No âmbito desta Rede, irá realizar-se no Funchal, um espetáculo de teatro, de três em três meses, o que, sinceramente, parece-me muito. Calma, que eu já explico! Muito, no sentido que estamos a lidar com dinheiros públicos, para espetáculos que circulam só num sentido. Não seria mais justo de seis em seis meses, por exemplo, e em contrapartida criar-se uma rede – porque não, Rede Rui de Carvalho? – em que o Teatro Nacional D. Maria II, também recebesse espetáculos teatrais das outras zonas de Portugal – incluindo da Madeira – com as mesmas condições com que são acolhidos por esse país fora!?
Mas o mais importante é podermos continuar a praticar o teatro da força das palavras que nos comovem e nos transformam, pois, “talvez a sobrevivência da cidadania passe, em parte, por escolhermos habitar e ajudar a construir lugares onde a palavra conserva algum do seu poder transformador. Os Teatros são lugares assim”. (Tiago Rodrigues).
Na Madeira durante o mês de março acontecem várias iniciativas que de certa forma estão integradas no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro, como o Festival Regional de Teatro Escolar “Carlos Varela”, O Amo-Teatro, e algumas apresentações teatrais como da OFITE | Oficina de Teatro do Estreito, que vai estrear, a 24 de março, o seu segundo trabalho teatral que consiste numa Performance Poética, denominada: “Habemus Palavras, Poesia e Sonho”.
Há que se promover a arte do teatro junto das pessoas, de forma que possam arrecadar contributos para a sua formação pessoal, social, artística e cultural. Pois o teatro é uma arte milenar que além de ser uma forma de expressão, funciona como um meio de divulgação da cultura de diferentes povos. Por isso é que “ … servir o teatro, através de um livro ou de um espetáculo, é um ato democrático que me cria um agrado profundo. Podemos servir o teatro através da criação de novas histórias, escritas, representadas, ou mesmo usufruindo dos diversos espetáculos que estão ao nosso dispor por tantos palcos espalhados por esse mundo fora.” (Zé Abreu, pp.1-2, 2015).
Quem nos dera que todos os dias fossem, verdadeiros, dias de poesia e de teatro, porque estas duas artes contribuem, nitidamente, para o desenvolvimento da educação e disseminação da cultura no mundo.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





