Esse escasso punho de políticos, deputados europeus ou outros que, sem descanso nem pudor, nos agastam e ofendem a nossa inteligência

 

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Acordei hoje estarrecido e com pasmo horripilante pelo que li na imprensa regional, nacional, francesa, espanhola e alemã sobre os novos ataques orquestrados contra a Madeira e o seu povo, por via de mais um ataque hediondo e sem sentido ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM).

Como podem criaturas concidadãs nossas que se julgam acima de tudo e de todos, que se apregoam  impolutas e se creem donas de uma razão absoluta,  no entanto obtusa e desviada da realidade, organizar e manipular um ataque intencional de clara pirataria informativa a nível internacional contra uma praça internacional de negócios e uma honesta região do seu próprio país que a abriga, ao seu próprio país, convenhamos, aos partidos que as suportam e sem os quais eventualmente nada seriam e às instâncias comunitárias que, desde a génese do CINM, aprovaram previamente e regularmente monitorizam desde então a atividade e os efeitos de um regime fiscal mais favorável que desde sempre preconizou e eficazmente continua a diversificação e crescimento da nossa economia insular diminuta e ultraperiférica?

E isso ao mesmo tempo em que todos os índices de eficácia económica demonstram tratar-se o CINM de um dos dois principais pilares do desenvolvimento, nos últimos 25 a 30 anos, da nossa economia regional, gerador de riqueza e responsável atualmente por mais de 15% do PIB da Madeira! Contributo esse, só ultrapassado pela indústria turística do arquipélago, há muitas décadas a principal atividade da região. De acordo com dados que muito recentemente vieram a público, divulgados por entidades regionais com funções e cargos públicos ou afins, no ano de 2016, o CINM arrecadou acima de 60% da totalidade das receitas fiscais coletadas a nível do IRC na Região Autónoma da Madeira e isto com cerca de 1.500 empresas de um universo empresarial regional que mais do que o decuplica em número. Para além disso, em breve poderemos aferir se as receitas totais fiscais da Região provenientes do CINM rondarão os € 200 milhões, como têm apontado as previsões dos nossos governantes regionais. Para uma economia como a nossa, esses valores são deveras importantes.

Independentemente de quem possa divulgar ou ter tomado parte na recolha e ou na divulgação dos dados tornados públicos e comunicados oficialmente, em qualquer momento, relativamente ao Centro Internacional de Negócios da Madeira, as estatísticas existem, estão comprovadas, disponíveis e foram obtidas de forma metódica e séria!

Levantar-se dúvidas em Bruxelas a este nível repugna-me verdadeiramente, pois se ao redigir-se um relatório, parlamentar ou outro, subsistiram dúvidas por parte do seu autor, deveria tê-las confrontado previamente com quem de direito e mesmo deslocar-se à fonte onde facilmente averiguaria da sua veracidade, mesmo até vindo pesquisar pessoalmente, por exemplo, quantos empregados existem e foram criados na região em todo o âmbito do CINM.

Levantar suspeições a partir de Bruxelas, entre outras coisas sobre os cerca de 2.800 empregos gerados localmente pelo CINM e ainda reduzir a esse fator o sucesso deste regime para a Madeira e mesmo para o país, não só é extremamente redutor da realidade, como o autor arrisca-se a ver o seu ato qualificado pela comunidade em geral como  intencional, intelectualmente desonesto e desviante, em todo o caso, potencialmente causador de danos irreparáveis para todos quantos desse relatório venham a sofrer consequências, seja qual for a sua natureza ou espécie.

Nunca é demais repetir a certas pessoas que o ordenamento jurídico onde se insere o CINM, nada mais é que o vigente em Portugal. E as entidades reguladoras, bem como os respetivos processos e práticas de regulação em todas as áreas do sistema, são comuns, não fora acrescer o escrutínio e monitorização adicional de Bruxelas a que está sujeito o CINM por se tratar de um regime de auxílios de Estado e como tal perfeitamente regulamentado a nível da UE. Não querer ver isso é que é tapar o Sol com uma peneira…

Como ousa um ser humano digno, seja qual for a sua profissão, credo ou crença política, publicamente gabar-se de, enquanto o seu país, ainda por cima governado pelo seu partido, “tapa o Sol com uma peneira” (sic), ser responsável por ter “acordado a imprensa alemã para uma realidade”, quanto a mim, só muito sua e dos seus acólitos, sabe-se lá com que motivos ou veladas intenções, conduzindo dessa feita vários órgãos de imprensa europeus a tornar públicos os artigos e comunicados que hoje li baseados no seu impreciso e insidioso relatório de duvidosa qualidade e que incute e transpira suspeição? Atira sim consigo indevida suspeição e arrasta, em consciência, novamente de forma injustificável e injusta, a Madeira e o seu Centro Internacional de Negócios para as bocas do mundo por desmerecidas e inimputáveis razões, com aparentes requintes da pior lusa malvadez. O que não sobrarão, são os habituais tiros nos pés circunstanciais daí decorrentes!

Este país que eternamente trago no coração e que é o meu, também tem destas gentes e destas coisas! E não será único nisso, mas como me agastam semelhantes atores e as suas atitudes despudoradas, com os seus relatórios e comunicados afins que suscitam a calúnia mediática sobre o alvo visado e arrastam consigo lama e potenciais prejuízos inestimáveis ao mesmo e a todos quantos dele honestamente dependem!

Será só porque existem certos programas e projetos governativos que os desagradam visceralmente e com os quais eventualmente não se revêm ou não concordam, como seguramente não nos reveríamos muito de nós se tais criaturas comandassem a superior governação no nosso país?

Sinceramente não sou ingénuo, por isso não acredito que seja só por isso! Outras razões os motivam.

Ouso pedir que não abusem mais do CINM e da Madeira para atingir os vossos reais objetivos velados, muito menos indo deliberadamente buscar o suporte dos media de países estrangeiros com reconhecidos interesses evidentes em outras praças internacionais europeias nossas concorrentes e que fazem parte da respetiva esfera de influências como são o caso, nomeadamente, das praças do Luxemburgo, da Holanda, de Malta ou de Espanha! A isso chamo deitar achas para a fogueira, esperando que o fogo ateie e lhe suceda o debacle.

Por favor, não ofendam mais a nossa inteligência!