Crónica Urbana: Castigo de Coelho recorda o “taxativo”

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Rui Marote
Acabou o serviço militar obrigatório, algo que ainda hoje não aceito. Muitos problemas da juventude dos nossos dias seriam reduzidos em mais de 60 por cento. Mas o castigo aplicado ao deputado Coelho ressuscitou, na minha memória, a guia de marcha para o serviço militar.
Para mim é inédito o castigo que lhe foi aplicado. Cumprir a pena em 72 períodos, aos fins-de-semana, com períodos nunca superiores a 36 horas…  Concluindo: o Tribunal da Relação retira os weekends a José Manuel Coelho, que terá de os passar no hotel da Cancela,  tipo escapadinha “vá para fora cá dentro”.
 O deputado poderá invocar  que é judeu e guarda o sábado…  Para o povo judeu o Shabat é na verdade, o dia dedicado às orações e considerado o dia mais importante da semana. Nesse dia não há actividades trabalhistas, não apenas para cumprir a lei de Moisés, mas para que todos tenham tempo para estudar as Escrituras, cantar Salmos ao Senhor, e orar.
Coelho poderá invocar que tem de ir à Sinagoga, uma vez que a Constituição garante liberdade religiosa… e em vez de 72 períodos passa a ser uma grosa (144).
Vou recordar há meio século, quando cumpria serviço militar na escola de aplicação militar em Boane  -Moçambique. Lá conheci um conterrâneo madeirense, um alferes de nome Santos, conhecido pelo “taxativo”.
Era um terror para os instruendos do CSM ou COM durante a recruta.Durante os três meses de instrução, o pelotão tinha dois ou três fins-de-semana; o restante período era passado  no regimento.
Todos os sábados, os instruendos do pelotão do alferes Santos preenchiam as licenças de fim-de-semana, e na hora da formatura, fardados a rigor, com as botas impecavelmente engraxadas, assistiam a um humor sádico de ver as suas licenças rasgadas em plena parada debaixo de um sol tórrido, com ordens para envergar o uniforme nº  3 porque a instrução continuava como fosse um dia normal.
O pelotão do taxativo chegou a comprar uma corda para enforcar o alferes, que durante dois anos em África bateu os recordes de instrução militar.
Hoje o taxativo  é médico e foi presidente da Câmara de Odemira durante vários mandatos, como militante do partido comunista.
Anos depois regressou à Madeira, á freguesia do Paul do Mar, onde seu pai foi durante décadas o médico local.
Será que o juiz que aplicou a pena a Coelho FOI DISCíPULO DO TAXATIVO…?

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