PCP critica Grupo Pestana e exige dignificação dos trabalhadores da Hotelaria

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O PCP esteve hoje junto ao Casino da Madeira, para abordar a precariedade dos trabalhadores do sector hoteleiro. O dirigente regional do PCP, Ricardo Lume, criticou os dados oficiais e as notícias que dão conta de que 2016 foi o melhor ano de sempre na hotelaria da Madeira.

“Tendo em conta esta realidade, seria de esperar que as condições de trabalho neste sector estivessem a melhorar. Mas a realidade é bem diferente, vivemos numa região onde o lucro dos empresários do Sector Hoteleiro aumenta, mas a estabilidade laboral diminui”, acusou.

Segundo Ricardo Lume, há grupos hoteleiros, como por exemplo o Grupo Pestana, que estão a reduzir o número de pessoal efectivo nos seus hotéis para, posteriormente, recorrer a empresas de prestação de serviços. “Desde os recepcionistas às governantas, passando pelas empregadas de quartos, empregados de bar, ou mesmo cozinheiros, este que é considerado o “maior” grupo hoteleiro português, tem dado um lamentável exemplo com o uso e abuso dos funcionários das empresas de prestação de serviços, verdadeira mão-de-obra barata ao dispor”, criticam os comunistas.

As formas de precariedade laboral chegaram a níveis nunca antes vistos, aos trabalhadores dessas empresas, como por exemplo da “Serlima” e “Randstad”, que, apesar de estarem a desempenhar funções no sector da hotelaria, não lhes é aplicado o contracto colectivo de trabalho do sector, denuncia o partido.

“Reinam os baixos salários, raramente superiores ao Salário Mínimo Nacional, e podemos mesmo dizer que voltaram as praças de jorna adaptadas aos tempos modernos. No passado os trabalhadores concentravam-se numa praça ou num local estabelecido pelos empresários para serem escolhidos para trabalhar, hoje já não existem essas concentrações de trabalhadores, mas o principio mantém-se, agora os contactos são feitos por SMS ou por ligação telefónica, a grande generalidade destes trabalhadores são contactados para trabalhar com poucos dias de antecedência, e em alguns acasos com menos de 24 horas, vivem na incerteza, se no dia seguinte têm trabalho, em que unidade hoteleira vão trabalhar e qual o seu horário, por vezes passam semanas e meses à espera do SMS ou da ligação telefónica que nunca chega. Os contratos de trabalho com duração de um dia ou à hora são práticas recorrentes nestas empresas”, afirmam os comunistas.

“Enquanto os grandes hoteleiros lucram com o crescimento do turismo na Região, a instabilidade e os baixos salários é a recompensa dada aos trabalhadores”, criticam.

Esta força política entende que, perante esta realidade, “o Governo Regional é passivo, permite que neste sector empresas de prestação de serviços não apliquem o contrato colectivo de trabalho da hotelaria, permite o uso abusivo de contractos precários para o desempenho de funções permanentes”.

Por isso, reclama a dignificação dos trabalhadores do sector da Hotelaria.

 


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