Cabo submarino para alimentar Porto Santo de electricidade volta a estar na perspectiva do Governo

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Fotos: Rui Marote

Miguel Albuquerque e os governantes que o acompanhavam, os secretários regionais Susana Prada e Eduardo Jesus, tiveram de fazer hoje face a toda uma série de questões que lhes foram apresentadas pela oposição parlamentar, na Assembleia Legislativa Regional. Edgar Silva, do PCP, por exemplo, confrontou o Executivo com afirmações de que a estação de tratamento de resíduos da Meia Serra já não consegue cumprir cabalmente os seus objectivos, encontrando-se ultrapassada. O presidente reagiu garantindo não ter conhecimento de situações de ineficiência ou inoperacionalidade e desafiando o deputado comunista a informar convenientemente os serviços governamentais sobre quais são as deficiências, para que o GR possa agir em conformidade, mudando o que está mal e pode ser mudado.

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Da parte de José Manuel Coelho, Albuquerque enfrentou acusações de irregularidades na reflorestação: o polémico deputado trabalhista acusou Rocha da Silva e o ‘Martinho do Santo’, ligados à empresa Florasanto, de executarem ineficientemente reflorestações em que eram plantados milhares de plantas “para escaparem dez”. Albuquerque insistiu em que o seu governo é transparente em matéria de procedimentos concursais e respeito escrupuloso pela lei, negando conhecimento de qualquer irregularidade.

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A socialista Mafalda Gonçalves, por outro lado, acusou o Governo Regional de substituir as bungavílias que cobriam as ribeiras do Funchal por travessões de betão, questionando de que forma tal se enquadra numa política ambiental. Albuquerque desconversou, declarando que “não é um técnico” e dando a entender que não se sente habilitado a discutir opções que foram tomadas num determinado contexto de preocupação com o risco de aluviões. A parlamentar, bem como o deputado independente Gil Canha, também questionaram a extracção de inertes que decorre na ribeira da Madalena do Mar, ao que o chefe do Executivo respondeu que a empresa responsável por um depósito de inertes no leito da ribeira foi multada o ano passado em aproximadamente duzentos mil euros.

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Ricardo Vieira, do CDS-PP, levantou por outro lado questões relativas às opções energéticas para o Porto Santo, questionando se é verdade que está em análise a possibilidade de estender um cabo de energia eléctrica do Caniçal para a ‘Ilha Dourada’, que custará cerca de cinquenta milhões de euros.

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O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura aproveitou a oportunidade para falar no projecto “Smart Fossil Free Island’, que, explicou, envolve diversas áreas de intervenção, passando por um aumento da percentagem de energias renováveis utilizadas e numa melhoria da eficiência energética, no sentido das orientações comunitárias. Relativamente à questão do cabo submarino, Eduardo Jesus disse que o que interessa é tornar o Porto Santo livre da pegada de carbono, e que o projecto do cabo submarino tem muitos anos e foi abandonado há muito tempo porque não tinha viabilidade na altura. No entanto, com a evolução tecnológica, a possibilidade de o reequacionar volta a estar na ordem do dia, permitindo não só a passagem de energia da Madeira para o Porto Santo mas, “no momento em que o Porto Santo tenha excedente de energias renováveis”, tal possa funcionar em sentido inverso, alimentando a Madeira. Qualquer estimativa para custos, neste momento de análise técnica, é ainda extemporâneo, adiantou.

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Entretanto, o deputado socialista Jaime Leandro voltou a apontar baterias ao Governo, aproveitando a presença da secretária regional do Ambiente, Susana Prada, para dizer que a mesma não perdeu tempo em ‘despachar’ Miguel Sequeira do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, alegadamente por não ter cartão do PSD, o que já foi desmentido pela governante. A farpa ficou, no entanto.

Roberto Almada voltou a insistir na necessidade de a Madeira ter uma carreira de sapadores florestais, especialmente habilitados a prevenir e a ajudar a combater os incêndios na floresta, ao que o presidente acabou por responder que, para o ano que vem, a Madeira terá dois corpos destes sapadores, com um total de 50 funcionários. Insistiu ainda o presidente nos vultuosos investimentos de milhões que o Governo Regional tem aplicado na reflorestação e, na sua perspectiva, de forma isenta de crítica. Tal como, de resto, tem procurado reforçar a rede de água, frisou ainda o chefe do Executivo.


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