Karl Brüllow: comunidade russa queria homenageá-lo com placa no Golden

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Busto de Karl Brüllow, da autoria do madeirense Luís Paixão.

*Com Rui Marote

Karl Pavlovic Brüllow, o pintor russo a quem a Região agora adquiriu uma pintura e de quem deixou escapar outra há anos, vendida por Margarida Lemos Gomes a uma galeria russa, ia ser homenageado pela comunidade russa na Região, apurou o FN. Por iniciativa da mesma, iria ser colocada uma placa circular alusiva ao pintor no Golden Gate Café, quando o mesmo estava ainda em funcionamento, renascido das cinzas do passado e laborando lado a lado com uma agência bancária. Eram então os tempos, inclusive, dos jantares culturais do Golden, dinamizados por Margarida Camacho e Maria do Carmo Santos. Hoje, ignoramos se tal desiderato terá alguma possibilidade de ser cumprido, uma vez que o edifício passou para as mãos de um empresário emigrante, também proprietário de uma churrascaria (Estalagem da Montanha).

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Outra belíssima vista da Fortaleza do Pico, por Karl Brüllow

 

 

A placa em homenagem de Brüllow iria ser, pelo que nos contaram, semelhante à que lá tinha sido instalada, homenageando o escritor Ferreira de Castro, que se referiu ao Golden como “uma das esquinas do mundo”. A razão para ali homenagear o pintor russo era a de que, durante o período em que o mesmo esteve na Madeira, ali gostava de passar as manhãs, sendo cliente assíduo.

O FN apurou que há cerca de ano e meio foi entregue à Câmara Municipal do Funchal a dita peça para colocação no Golden, tendo ficado o edil Paulo Cafôfo com a incumbência de proceder às diligências para que assim acontecesse.

Karl Brüllow foi homenageado com um busto da autoria do artista madeirense Luís Paixão, o qual se encontra instalado no Jardim Municipal.

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Entretanto, nesta altura em que tanto se comenta sobre a aquisição de um retrato da autoria de Karl Brüllow pelo Governo Regional, o FN recorda que quem comprou o quadro a Margarida Lemos Gomes foi uma galeria de arte estatal russa, a galeria Roza Azora. Aqui apresentamos a foto da conservadora que o adquiriu e levou para a Rússia, terra natal do pintor.
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Karl Brüllow nasceu em São Petersburgo em 1799 e faleceu em 1852 em Manziana, perto de Roma. Provinha de uma família de artistas alemães que se fixara na Rússia no século XVIII. Na verdade, o pai foi o primeiro professor de Brüllow, antes de estudar na Academia de São Petersburgo, onde se formou com distinção. Uma bolsa a Karl e a seu irmão para estudos no estrangeiro levou-os à Alemanha e mais tarde na Itália. Por ordem do czar, Brüllow regressou à Rússia, passando pela Grécia e Turquia. Travaria mais tarde conhecimento com o grande poeta russo Pushkin e obteria grande reconhecimento como artista, ensinando também na Academia da sua cidade natal. Do neoclassicismo, Brüllow passou progressivamente ao romantismo. Por razões de saúde esteve na Madeira entre 1848 e 1850, tratando-se com o médico António Alves da Silva.
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Foi este médico que imortalizou no retrato que agora a Região adquiriu por 171 mil euros a uma leiloeira.

Alguns factos interessantes sobre o mesmo: António Alves da Silva nasceu na freguesia de Santa Maria Maior a 13 de Setembro de 1822. Cedo mostrou vocação e talento para a medicina e para as letras.

Cursou Medicina em Coimbra, mas teve de interromper o curso no quarto ano, em 1846, devido às reviravoltas políticas ocorridas no país (Revolta da Maria da Fonte e a Patuleia). Concluiu então o doutoramento em Paris. Em Coimbra onde obteve prémios todos os anos, e em França, denotou capacidades notáveis de trabalho e de inteligência.

Em Dezembro de 1848, tornou-se Doutor na Faculdade de Medicina de Paris, com uma tese sobre a febre tifóide. Recebeu uma bolsa de mérito da universidade para a conclusão do grau de Doutor, devido ao reconhecimento do seu talento.

Voltou para a Madeira e iniciou uma carreira como docente. Concorreu a uma vaga na Escola Médico-Cirúrgica do Funcha, prestando provas públicas e impressionou a assistência e os docentes pelas suas capacidades clínicas. Foi nomeado professor, por decreto de 11 de Março de 1850. Leccionou a cadeira de demonstrador de Anatomia.

Em conferências públicas, Alves da Silva destacou-se pelas leituras que fez sobre medicina e higiene, classificadas como absolutamente notáveis por quem a elas assistia.

Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, este médico madeirense escrevia também artigos para a Revista Académica de Coimbra e para outras publicações científicas.

A vida, porém, não lhe deu grandes oportunidades para demonstrar durante mais tempo as suas habilidades e o seu talento: a tuberculose ceifou-o a 19 de Janeiro de 1854, com apenas 31 anos de idade.


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