
Há quase dois anos fechada ao público e aos turistas a Fortaleza do Pico precisa de ser reaberta.
Quem o diz é o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, António Gomes, que em declarações ao Funchal Notícias adiantou que já enviou um ofício, há cerca de seis meses, ao presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e a única resposta que teve foi que a missiva foi “encaminhada” para a secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, que até ao momento não se pronunciou sobre o assunto.

António Gomes assegura que é fundamental reabrir a Fortaleza porque todos os dias muitos turistas deslocam-se a São Pedro, nomeadamente, junto as redondezas da Junta porque chegam à Fortaleza do Pico e batem com a “cara na porta”. Uma situação que a nossa reportagem presenciou, no tempo, em que tivemos no local, foram vários os turistas que passaram junto ao espaço infantil da Fortaleza, ao café e jardim que faz fronteira com o espaço da junta e apenas podem ver uma parte da vista e acabam por voltar para trás.
Os turistas fazem perguntas sobre o facto da Fortaleza, que é monumento nacional, estar fechada, mas ninguém tem respostas que expliquem este encerramento.

É neste sentido, que o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro insiste na abertura da Fortaleza e até já tem um projecto de criação de uma passagem directa dos jardins subjacentes à junta até a entrada da Fortaleza.
Ao Funchal Notícias explicou que também enviou essa sugestão ao Governo Regional, “é uma necessidade abrir a Fortaleza aos turistas que todos os dias se dirigem aqui na expectativa de visitarem este monumento nacional”, refere, acrescentando, que a Fortaleza “tem um grande valor histórico e é uma forma de promoção do centro histórico de São Pedro”.
Criação de passagem directa dos jardins à Fortaleza

A ideia apresentada por António Gomes, é ligar a zona envolvente à junta directamente à Fortaleza criando uma passagem pedonal com cerca de 150 metros. “Aqui nestes jardins traseiros à Fortaleza criávamos uma descida directa, neste terreno que é camarário, e teríamos uma ligação dos dois espaços, o espaço municipal e o outro espaço que seria dentro da fortaleza. A ligação entre os dois ia dar uma plataforma turística muito maior, mais atractiva para os turistas que visitam a cidade”, explicou.
Para além disso o presidente da Junta de São Pedro esclarece que com esta rampa resolvia-se o problema dos autocarros não poderem entrar na rua que dá acesso à Fortaleza o que condiciona ainda mais a visita dos turistas tanto a Calçada do Pico como à Fortaleza, “a Rua de acesso à porta da Fortaleza é muito pequena, tem muitos estacionamentos e os autocarros não podem vir aqui. E seria muito mais fácil o acesso se tivéssemos o estacionamento nesta rua da junta, porque aqui ainda podemos alargar mais a estrada, os autocarros podiam vir até aqui e com a rampa também era possível que as pessoas portadoras de deficiência e com pouca mobilidade tivessem acesso à Fortaleza”, salientou.

António Gomes considera que acesso directo, pode dinamizar o comércio local e criar ali um roteiro turístico aumentado assim as visitas ao núcleo histórico de São Pedro. “A criação desta passagem, deste jardim que nós temos que é um espaço municipal, para a Fortaleza, requer que nesses 150 metros, seja recriada uma descida feita em calçada madeirense, uma faixa para passagem de pessoas com mobilidade reduzida, e onde sejam recriados os tradicionais bancos de descanso madeirenses, uma estátua de homenagem aos leiteiros que por aqui vendiam leite de casa a casa e também aos senhores das cestas, seria uma forma de enriquecer o património. É isto que os turistas gostam de ver replicado no terreno”.
Cerca de 200 mil euros para criar mais um roteiro turístico
Questionado sobre a verba para criar o referido espaço e se tem de haver expropriação de terreno privado, António Gomes, referiu que a situação é fácil e que o investimento não é avultado tendo em conta o retorno que teria.

“A autarquia e a junta facilitavam esta passagem porque esta parte é da autarquia. Precisamos que a Fortaleza reabra e depois é expropriar a parte do terreno que é privado, mas há facilidade de expropriação porque todo o terreno privado que está encostado a este monumento, a lei permite uma expropriação mais célere”, garantiu, acrescentando, que o valor do investimento não chega aos 200 mil euros. “O mais caro é corte aqui da estrada e a calçada, mas é uma obra pequena que tenho a certeza que valorizava muito mais esta zona de São Pedro, ajudava a economia local, dava mais projecção ao turismo do Funchal porque era mais um roteiro a visitar pelos turistas”, concluiu.

Enquanto, a situação não fica resolvida os turistas vão até a Fortaleza do Pico e continuam a bater com “a cara na porta”.
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