Ana Gomes vem à Madeira investigar CINM enquanto eurodeputada e vice-presidente da Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu sobre os Panama Papers

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foto wikipedia

A eurodeputada socialista Ana Gomes vem à Madeira no dia 3 de Janeiro (terça-feira), para, nas suas próprias palavras, “recolher informações sobre o funcionamento do CINM (Centro Internacional de Negócios da Madeira) e benefícios para a Madeira e Portugal”. A sua deslocação acontece também na qualidade de vice-presidente da Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu sobre os designados ‘Panama Papers’ e práticas semelhantes, e como relatora-sombra do Grupo Socialista e Democrata no Parlamento Europeu e nas directivas contra o branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

O Funchal Notícias noticiara ontem à tarde que Ana Gomes viria à Madeira para uma reunião na sede do PS e que, possivelmente, iria também à Universidade da Madeira. Avançámos com a notícia sem conseguir apurar mais dados na altura, junto do líder do PS-M, Carlos Pereira, que pouco mais nos soube adiantar além de que a vinda à Madeira se relacionava com uma iniciativa própria da eurodeputada, naturalmente acolhida na sede do Partido Socialista regional.

Contactada pelo FN, Ana Gomes entretanto respondeu a questões que lhe colocámos por correio electrónico, confirmando que, de facto, vem à Região Autónoma da Madeira por sua própria iniciativa, e que a sua reunião com o PS-M se enquadra no âmbito de uma série de encontros que solicitou, com entidades que a podem ajudar a inteirar-se do funcionamento do CINM, à luz das perspectivas acima descritas.

A eurodeputada tem-se destacado numa série de posições críticas acerca de actuações polémicas do Estado português e não só como por exemplo, há alguns anos, na questão dos voos da CIA que passaram por Portugal, presumivelmente transportando suspeitos de terrorismo ilegalmente detidos pelos EUA ou seus aliados. Na Madeira, diz-nos, não proferirá declarações na sequência das averiguações que efectuará.

Uma coisa é certa: dado o quase consenso actual entre os partidos regionais em apoiar inequivocamente o Centro Internacional de Negócios da Madeira – apenas o Bloco de Esquerda ainda coloca algumas reservas, e mesmo assim não muitas, ao contrário dos seus colegas de partido no continente, mormente Catarina Martins – e o modo como todas as forças políticas da RAM convergem para a opinião de que não se trata de um offshore com os vícios daí decorrentes mas de uma praça financeira controlada, a presença de Ana Gomes, vinda ao que vem, não é de molde a despertar grandes simpatias junto da maioria das instituições ou forças políticas, inclusive do próprio PS-M.

Por outro lado, conforme oportunamente noticiámos, são vários os nomes de figuras destacadas da RAM que surgiram nos Panama Papers, casos, por exemplo, do presidente e vice-presidente da Assembleia Legislativa Regional, Tranquada Gomes e Miguel de Sousa, além do ex-deputado social-democrata madeirense Coito Pita e de várias empresas com o nome da Madeira.

Também a morada ‘Avenida Arriaga, nº 77, Edifício Marina Fórum, 6º andar, Sala 605 9000-060 Funchal Madeira’ surge mencionada quinze vezes nos ‘Panama Papers’, na base de dados colocada online pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Esta é a famosa morada que deu origem ao livro ‘Suite 605’, do economista João Pedro Martins, que acusou o CINM de ser “um bordel fiscal”. Empresas com os nomes ‘Blandy’ e ‘Pestana’ também surgiam nos Panama Papers.

 

 


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