Rui Marote
Os madeirenses não o necessitam de ir ao Dubai para contemplar algo equivalente ao Burj Khalifa, (a Fonte Mágica), a maior fonte luminosa do mundo, contendo um total de um milhão e quinhentas mil luzes meticulosamente sincronizadas com música, um projeto Wet Design. Ansioso por inovar, o secretário regional do Turismo, Eduardo Jesus, incluiu de tudo no programa das Festas de Fim de Ano – até as missas do Parto, à revelia da Diocese do Funchal.
Mas a surpresa mais recente estava bem guardada: no cais 8, sob a tutela da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura oferece estas imagens impressionantes captadas esta tarde na baía do Funchal, dada a ondulação marítima. O efeito é de tal modo artístico que o Estepilha sugere que no próximo ano sejam também incluídas estas “fontes” no programa de festas.
Os sons produzidos pelo impacto das ondas no molhe, sincronizadas com as saídas de esguicho dos orifícios, são de tal modo impressionantes que fazem-nos esquecer a nona sinfonia de Beethoven.
Os turistas deliciam-se e expressam umas interjeições de admiração, captando fotos para mais tarde recordar, ou não fosse a Madeira o melhor destino insular do Mundo.
Porque não iluminar à noite este espectáculo, com luzes de diversos cambiantes? Seria magnífico. Já agora instalava-se ali uma bancada para espectadores e porque não umas barracas de poncha para aquecer.
A obra do novo cais custou 18 milhões de euros e foi polémica desde o início, tendo nascido na sequência do temporal de 20 de Fevereiro de 2010, visto que a solução encontrada para depositar os inertes arrastados nas ribeiras que desaguam no Funchal foi a frente mar da cidade.
Na ocasião, o actual chefe do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, então presidente da Câmara do Funchal, reagiu negativamente ao projecto, o que acabou por provocar mal-estar no relacionamento entre o Governo Regional e a autarquia.
Em alternativa, a Câmara Municipal do Funchal apresentou um outro projecto, que apostava na ampliação em cerca de 400 metros para oeste do actual molhe da pontinha, um investimento de 42 milhões de euros.
Agora, claro, não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Está consumado …já Cristo exclamou na cruz. Agora temos este cais “artístico”, com esplêndidas condições para acolher navios de cruzeiro!
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