A poucos dias de acabar o ano civil de 2016, os três maiores emblemas do futebol madeirense conseguiram a difícil proeza de produzir um ano tão mau ou pior do que o de 2015.
Ao contrário do ano passado, em que os três clubes se encontravam no mesmo patamar, as suas situações são indubitavelmente piores do que há exatamente um ano. Exceto o Clube Sport Marítimo, que se encontra numa fase crescente da sua temporada, poucas semanas depois da vitória sobre o campeão nacional em título – Sport Lisboa e Benfica – e simultaneamente graças à tão esperada inauguração do seu estádio.
CLUBE SPORT MARÍTIMO
Depois de um início medonho, o clube do Leão do Almirante Reis conseguiu dar a volta, em grande parte graças ao resgate da nova equipa técnica liderada pelo treinador Daniel Ramos frente ao Clube Desportivo Santa Clara, conseguindo emendar num curto espaço de tempo o erro da direção verde rubra na escolha da equipa técnica anterior, liderada pelo treinador brasileiro Paulo Cesar Gusmão. Uma equipa que, não esqueçamos, planeou de forma rudimentar a pré época com um futebol paupérrimo e desinteressante, aliado a contratações no mínimo peculiares, com jogadores dispensados depois de terem sido contratados semanas antes e outros a evidenciar clara falta de qualidade para o patamar que Club Sport Marítimo se encontra inserido.
Com 2017 à porta, o técnico Daniel Ramos é com certeza um oásis num vasto deserto que era o futebol do Marítimo. Estamos convictos de que irá tentar manter o momento atual da sua equipa que já espreita os lugares europeus, sendo que, desde o tempo do técnico Pedro Martins, já não se via um Marítimo a praticar tão bom futebol.

Nestes últimos anos, a direção do Marítimo tem optado por canalizar o dinheiro do futebol profissional para a construção e requalificação do património do clube, decisão essa que, embora cause alguma controvérsia, tem tido bons frutos, pois os verde rubros são, de momento, donos do melhor estádio da Região e do melhor pavilhão da ilha, sendo que também se perfilam como um clube eclético, fornecendo um grande serviço social com as várias opções para a prática do desporto entre os mais novos, conseguindo simultaneamente manter a sua equipa profissional no principal escalão do futebol português sem grandes sobressaltos.
Com o orçamento possível, o técnico Daniel Ramos procura ajustar o plantel um pouco mais à sua imagem, visto que a construção do atual foi levada a cabo pela equipa técnica liderada pelo técnico Paulo Cesar Gusmão, que decerto poucas saudades deixa nos corações dos adeptos verde rubros.
CLUBE DESPORTIVO NACIONAL
Em relação ao Clube Desportivo Nacional, a situação afigura-se menos colorida, um pouco mais à semelhança das cores do seu emblema. O clube alvinegro encontra-se em penúltimo classificado do campeonato um ponto à frente do lanterna vermelha o Clube Desportivo de Tondela e em igualdade pontual com o antepenúltimo classificado, o Moreirense Futebol Clube.
Sendo o Nacional uma equipa que, por norma, desde que milita no escalão maior do futebol português, tem habituado os seus adeptos a um bom futebol aliado a bons resultados e consequentemente a uma constante luta pelos lugares que dão acesso às provas da UEFA, não é segredo nenhum que estas últimas duas temporadas têm sido algo atípicas.
Parece-nos que a direção alvinegra não consegue aprender com os seus erros. Nestas últimas duas temporadas, subsiste um padrão que se prende com facto de o clube planificar mal a pré temporada, insistindo em contratações sem critério que pouco ou nada acrescem ao valor atual do plantel que, em abono da verdade, já não é muito, fazendo com quem a primeira parte da época seja medíocre e colocando o Clube Desportivo Nacional numa classificação muito aquém da traçada pela direção e equipa técnica no inicio da época. Uma classificação que, aliás, tem sido algo mascarada por um reajustamento constante do plantel no mercado de inverno, fazendo subir o rendimento da equipa, elevando-a para uma posição respeitável, embora sempre algo distante da tão desejada competição europeia.
Ora bem, esta primeira parte da época não tem fugido à regra, sendo que este ano existe a agravante de a equipa se encontrar nos lugares de despromoção sem sinais de melhoria. Mais uma vez, assistiu-se a uma pré época conturbada com alguns jogadores a serem contratados e dispensados poucas semanas depois, o que costuma ser um sinal de que a época não está sendo preparada com critério, algo que até agora se veio a confirmar.

É de esperar que este mercado de inverno seja bastante mexido para os lados do Estádio da Madeira e, com a recente saída da equipa técnica liderada pelo emblemático treinador do Clube Desportivo Nacional, o professor Manuel Machado, que não resistiu aos maus resultados, a expetativa paira agora nas cabeças dos adeptos alvinegros.
Jokanovic, o técnico sérvio radicado há muitos anos na Madeira, é o senhor que se segue, regressando a uma casa que bem conhece. Trata-se de uma escolha de último recurso, segura, disponível e economicamente acessível. Embora sem laivos de criatividade ou arrojo.
Dado o seu perfil de pendor defensivo, terá como principal objetivo salvar a equipa da descida de divisão. Portanto, não se perspetivam grandes voos para os lados da Choupana a não ser a manutenção.
CLUBE FUTEBOL UNIÃO
Já o Clube Futebol União, dos tês emblemas é o que se encontra na pior posição passado um ano. Deixou de figurar entre os maiores do futebol português, por culpa da descida de divisão na época passada, sendo que atualmente se encontra em zona de play-off de despromoção. As causas estão identificadas: um registo de performance caseira digna de um filme de terror.
Embora se encontre numa posição crítica, o segundo escalão português é uma autêntica maratona, sendo que para os azuis e amarelos muitos pontos ainda se encontram à disputa para conquistar e… perder.

A época não começou de feição para o clube e para a sua equipa técnica liderada por Filipe Rocha, envolvidos em mais um triste episódio do futebol português que levou a reintrodução do Gil Vicente Futebol Clube no maior escalão do futebol português. Um caso que remonta à época de 2005/06, altura em que o clube desceu de divisão devido ao tão célebre “Caso Mateus”, em que se ponderou o alargamento do campeonato da 1ª divisão das 18 para as 20 equipas. Este caso arrastou-se sem que se chegasse a um veredito final em tempo útil, o que condicionou atualmente quer a pré época, quer a construção da equipa dos azuis e amarelos, pois não sabiam com que verbas contar e se teriam que fazer um plantel para atacar uma primeira liga ou um segundo escalão.
A decisão final veio perto dos inícios dos dois campeonato e ditou que a “subida” do Gil Vicente ficaria adiada para o início da época seguinte, relegando definitivamente o Clube Futebol União para o segundo escalão do futebol português.
À semelhança dos seus dois rivais insulares, os azuis e amarelos também já não contam com o treinador que planificou e consequente começou a época. Filipe Rocha que, embora tenha tido um começo de época com alguns resultados interessantes sobretudo nos jogos fora de casa, fez com que, na fase inicial do campeonato, o União tenha estado nos lugares cimeiros, relançando a esperança de uma nova subida divisão. Mas, para já, tal não parece de todo possível, visto que, no decorrer do mês de dezembro, Filipe Rocha não resistiu aos maus resultados efetuados sobretudo nos jogos em casa que neste momento ditam a classificação dos azuis e amarelos e já foi substituído pelo homem forte da formação Unionista, José Viterbo.
O mercado de inverno promete ser “quente” para os lados da Ribeira Brava. A necessidade de um reforço de qualidade no plantel é clara, devido à tal instabilidade inicial promovida pelo “circo” que foi esta pré temporada. Alguns nomes sonantes do plantel azul e amarelo da época passada optaram por se desvincular muito próximo do início do campeonato, na esperança de que o Clube Futebol União conseguisse manter-se no primeiro escalão ao abrigo do tal “alargamento”. Uma situação que acabou por dar pouca margem de manobra à direção e equipa técnica do clube para colmatar algumas lacunas e construir um plantel capaz de fazer bem melhor do que tem feito, para que o União da bola não se afunde nos escalões secundários do futebol português.
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