Uma remodelação grande

 

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Qualquer governo, em qualquer parte do mundo, que seja forçado a alterar a liderança num departamento tão relevante como é o da Saúde, por duas vezes em tão pouco tempo, tem obviamente que enfrentar uma situação que envolve alguma fragilidade, de governação e de sector. Três secretários regionais, todos eles mais técnicos que políticos, transformam a saúde numa realidade que, não obstante a necessidade de alterar, terá sempre o estigma de tanta mudança e de modificações que não dão tranquilidade às classes que ali operam a sua atividade.

É verdade que quando as coisas não correm bem, é necessário fazer alguma coisa. E independentemente das razões desta alteração, que até podem não ter sido políticas, a Saúde na Madeira, neste governo – porque é deste governo que estamos a falar – nunca registou um período de acalmia, como precisava, como se exigia num domínio onde as atenções estão particularmente ativas e as vulnerabilidades são objetivamente mais visíveis do que noutro sector qualquer. Daí, sendo a exposição grande, é natural que a governação se torne periclitante face às necessidades que vão surgindo, as carências que vão ocorrendo e a intervenção que se vai exigindo a casa passo, ao secretário e aos chefes sectoriais.

De todos os secretários da Saúde, o mais político até era Manuel Brito, pela experiência que tem, porque se move melhor no meio, mas mesmo assim, não foi suficiente para assegurar a estabilidade que o sector precisava. Seguiu-se Faria Nunes, um homem muito próximo de Miguel Albuquerque, de novo um técnico, mais do que político, acabando por revelar algumas dificuldades de comunicação que foram visíveis nas sucessivas situações que aconteceram ao longo dos tempos. Não teve tarefa fácil, mas também faltou alguma “arte” para tornear essas insuficiências.

Agora Pedro Ramos, um médico conhecido, que já ocupou diversos cargos de chefia ao nível hospitalar, de novo a recolha a recair num técnico, de novo mais técnico do que político, mas agora numa outra pessoa, com outro perfil, com possibilidade de, conhecedor do meio, poder assumir posições que possam, de algum modo, pacificar o sector e dar uma maior consistência nas decisões e no próprio serviço.

Relativamente às mudanças hoje anunciadas pelo Governo Regional, e são muitas em muitos departamentos, algumas eram esperadas e outras nem tanto. Mas sem dúvida que são muitas. E se por um lado, pode ser apontada como uma decisão em “pacote”, do género “o mal faz-se todo de uma vez”, para não dar a ideia de muitas alterações em separado – além de que algumas destas muitas mudanças foram noticiadas já pelo Funchal Notícias – , a verdade é que estas mudanças revelam que o Governo sentiu necessidade de fazer ajustamentos, nomeadamente mudança de perfil de lideranças, colocando figuras mais próximas deste executivo, que se enquadrem mais com a Mudança e com a Renovação, as tais palavras chave da governação social democrata de Albuquerque. É o normal exercício de governação, mas um momento de grandes mudanças é sempre um momento revelador que se anda ainda a “apalpar muito terreno”. E a um governo pede-se que um dia assente, pode logicamente fazer os ajustamentos que entender, mas deve ter estabilidade e transmitir essa realidade.

Saúde, Proteção Civil com a saída de Neri e a entrada do capitão da Força Aérea José António Dias, presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e dos Bombeiros dos Açores desde 2012, APRAM – Administração de Portos com Lígia Correia e Direção Regional de Trabalho, com Savino a regressar à política, representam algumas das mudanças operadas.

Uma grande remodelação governamental expressa uma grande necessidade de mudar. Havia, por isso, muito para mudar.

Agora, é esperar resultados para 2017.


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