A opinião de Isabel Torres: “E agora Ministro Tiago Brandão?”

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Vem isto a propósito dos excelentes resultados alcançados pelos alunos portugueses no estudo PISA (Programme for International Student Assessment) 2015 da OCDE, que pela primeira vez em 15 anos melhoraram em todas as áreas do conhecimento e superaram a média da OCDE em Matemática, Ciências e na Leitura, conseguindo nalguns casos ficar à frente da Finlândia. Isto é um motivo de orgulho para as escolas, alunos, pais e professores.

O estudo de PISA é uma avaliação internacional, que se realiza de 3 em 3 anos para testar a capacidade dos jovens entre os 15 e os 16 anos, na aplicação dos seus conhecimentos científicos e técnicos, para resolver questões do quotidiano.

O Mário Nogueira e a Catarina Martins, que não defendem a exigência, mas antes, a felicidade dos professores e das crianças, ainda estarão por certo, a neutralizar a hiperacidez que este facto notável lhes causou.

É inegável, que alguns Ministros da Educação contribuíram para estes resultados, pois quando exerceram os seus cargos, defenderam sempre a exigência e o rigor no sector da Educação, adoptando políticas e medidas nesse sentido. Porém, recentemente o Professor Nuno Crato enquanto Ministro da Educação no Governo PSD/CDS implementou medidas (numa conjuntura adversa social e política, com greves e manifestações constantes), nomeadamente, a introdução dos exames no 4º ano, o reforço da Matemática nos currículos dos primeiros ciclos e defendeu sempre e com convicção, o rigor e a exigência como pilares do sucesso escolar.  Estes resultados alcançados, são o reflexo inequívoco, da sua passagem pelo Ministério da Educação.

Porém, em Novembro de 2015 chega ao Ministério da Educação, Tiago Brandão. Investigador reconhecido, mas sem qualquer preparação e experiência para o cargo. Sob a batuta de Mário Nogueira, Tiago Brandão, seu refém, começa a desmantelar e a alterar quase tudo o que de bom o anterior Ministro tinha implementado. Mais grave, não esperou para conhecer os resultados das alterações e das medidas que tinham sido recentemente implementadas, não fez estudos, pura e simplesmente, adoptou o lema “queremos crianças felizes”.

E agora Sr. Ministro Tiago Brandão, como explica a sua política desastrosa em substituir o que estava bem, os resultados do PISA comprovam-no, por aquilo que não trará nada de bom e de positivo para o ensino e a aprendizagem das nossas crianças?

Jorge Buescu, Presidente da Associação Portuguesa de Matemática, ao pronunciar-se sobre a prestação dos alunos portugueses no PISA, reconheceu a exigência como um dos factores principais para o sucesso e que, as medidas adoptadas pelo actual Ministro Tiago Brandão, põem em causa o crescimento sustentável dos últimos 15 anos.

Sinceramente, nunca entendi, nem entendo como é que, um ensino com rigor e exigência, contribui para a infelicidade dos nossos jovens. No futuro, talvez, pois serão confrontados com a sua impreparação e aí, talvez se sintam infelizes.

Quando irá prevalecer a melhoria efectiva do ensino e da aprendizagem dos nossos alunos, em detrimento dos interesses instalados e das ideologias?

Já não se aguenta esta política na Educação, do faz e desmancha!