David Caldeira, habitual comentador das áreas económica e política, figura que politicamente e desde sempre esteve próxima do Partido Socialista, considera, a propósito das eleições Diretas no PSD-Madeira, a 9 de dezembro, que Miguel Albuquerque não tem minimamente o lugar em causa e, fora do partido, no tocante à oposição, está “dividida” e, sendo assim, torna-se mais complicado fazer frente ao atual líder social democrata e chefe do governo madeirense.

“Vejo as eleições no PSD-Madeira como o cumprimento de um ato litúrgico. As coisas só rezam para a história quando só há mais do que um candidato, o que é normal acontecer. Miguel Albuquerque ganhou o partido e ganhou as eleições regionais, com maioria absoluta, curta é certo, mas maioria absoluta, não tem qualquer candidato, será mais ou menos como uma “procissão do corpo de Deus, não querendo com isto desmerecer quem quer que seja”.
Oposição dispersa e dividida
Apesar deste “pacifismo” à volta das Diretas, o comentador reconhece que Albuquerque dá “um ar de abertura” e diz mesmo que se tivesse sido Jardim o candidato teria sofrido uma “derrota estrondosa”. Considera, por isso, que há “um outro estilo e um outro ciclo”, além de que, como refere, “é preciso não esquecer que o PSD perdeu sete das onze câmaras da Região e isso nunca tinha acontecido à exceção das câmaras de Machico e Porto Santo, que já tinham pertencido à oposição.
Para David Caldeira, na Madeira “existem várias oposições, enquanto o PSD se mantém como uma força aparentemente forte e unida, talvez menos do que antes, mas ainda assim unida. Ao contrário, a oposição está dispersa, muito dividida, tornando a situação mais complicada para essa mesma oposição e, por conseguinte, mais facilitada para o PSD”.
Autárquicas serão verdadeira sondagem
Por esse facto, e por toda a conjuntura política, o comentador aponta a existência de uma certa curiosidade com o que se irá passar nas eleições autárquicas do próximo ano, altura em que, em sua opinião, acontecerá “a verdadeira sondagem relativamente às forças em presença”. Diz mesmo que “numa perspetiva meramente especulativa, se houvesse um desastre nas eleições para o PSD, então aí a liderança poderia ser posta em causa. Não sucedendo, será muito difícil, até porque Miguel Albuquerque parte com um cenário autárquico muito baixo e se ganhar mais uma já será melhor do que nas eleições anteriores. Parece-me difícil fazer qualquer contestação. Vamos ver o que irá acontecer”.
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