A caricatura de José Alves e o título sugerido, “Será desta?” ironiza com as já tradicionais pretensões do nosso mais lídimo representante da Casa de Bragança, D. Duarte, a uma outra restauração: a da monarquia. Mas receamos que hoje os simpatizantes de um sistema de governo hereditário baseado na herança genética, tenham de se contentar com a celebração do acontecimento histórico que juntou duas correntes geralmente muito distintas: a revolução e a monarquia. De facto, 1 de Dezembro foi o dia em que os sentimentos revolucionários dos portugueses se traduziram na acção de insurgentes contra o monarca espanhol Filipe IV (III de Portugal), e contra o domínio que o país vizinho exercia sobre o nosso. Um grupo de insurgentes portugueses lideraram a reacção ao modo como Portugal estava a ser governado como uma província de Espanha. Cedo os conjurados lusos convenceram D. João, Duque de Bragança, a apoiar as suas pretensões. E foi assim que o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos, funcionário da Duquesa de Mântua, acabou atirado pela janela do Paço da Ribeira, quando os portugueses descontentes invadiram o Palácio. Foi com D. João que se iniciou a quarta dinastia, a de Bragança… aquela que perdeu os seus poderes com o último rei, D. Carlos. Por isso é natural que D. Duarte sonhe com outros tempos, em que o povo amava os seus monarcas… desde que portugueses…
De qualquer modo, o 1 de Dezembro de 1640 permaneceu no imaginário colectivo como um afirmação da identidade lusa. E mesmo mais tarde, e noutros sistemas de governo, há ainda quem se lembre da tradição de grupos de jovens escreverem durante as noites, nas portas, nas calçadas e nas paredes, esta data, com giz. Uma celebração da identidade nacional, hoje já bastante esquecida.
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