Espelhos de vida, de Magda Franco, é um livro publicado este mês, pela Chiado Editora e, recentemente, apresentado ao público, no espaço Museu Casa da Luz, Funchal. Com um interessante prefácio de Alexandra Sousa que nos conduz páginas adentro, conhecendo o livro e a sua autora, este título, na expressão desta última, resume uma intencionalidade específica: a de que cada leitor descubra um ponto de comunhão no qual possa encontrar-se.
A obra desenrola-se em capítulos e temáticas diversas que ora convocam e desafiam no sentido da reflexão e do autoconhecimento, ora confortam com uma palavra que dilacera a dor e propõe um retorno à paz. Constrói e desconstrói modos de ser e de estar, deixa o leitor sentir-se acolhido nas pegadas da gratidão e acreditar que o mundo pode (e deveria) ser muito melhor.
Os diferentes temas abordados são intemporais e visam perpassar, de forma mais ou menos intensa, a vida de cada um dos leitores. Não estão alinhados de forma cronológica e a sua leitura não obriga a outra coerência que não seja a da adesão afectiva a este ou àquele tema. Da escola e da aprendizagem, das crianças especiais e das mães do coração, do amor e da amizade, os caminhos do/s sabere/s propostos, pela autora, evoluem numa constante interpelação ao leitor. Não quererá a autora trilhar este árduo caminho sozinha (?).
Por uma das veredas, prendi o bordão à estaca e detive-me nas palavras: “O amor dignifica, enaltece e sobrevive até à própria morte. As pessoas que amamos e que partem não deixam de ser amadas por nós. As memórias e as lembranças fazem com que o amor nunca desvaneça e nunca morra” (p. 166). Foram estas que, neste momento exacto, precisava escutar no respeito da página e na pluralidade das letras. A voz das narrativas cativa o leitor para o seu campo, empreende a par, como referi, esta viagem, propondo que a curiosidade engrandeça, que a mudança de atitude resulte em maturidade emocional, que estas linhas conquistem uma certa conciliação.
São frequentes, ao longo dos capítulos, as epígrafes constituídas por excertos de obras de Paulo Coelho. Também de Gandhi. Trata-se de mentores e guardiães que a autora convoca à viagem e que, de alguma forma, consubstanciam um lastro de referências às quais recorrer no sentido de acompanhar, com a mesma, a sua proposta.
O lugar de onde a autora escreve é, muito certamente, um lugar anteriormente percorrido, o tempo e o espaço de uma conquista que, de forma magnânima, desvenda ao seu leitor, conforme as palavras da sua prefaciadora.
Magda Franco é professora, exerce a par de um constante processo de enriquecimento académico que se tornou, assim mesmo, um dos muitos facilitadores de experiências e de vivências com as quais promove a reflexão que nos propõe.
Do que a autora disse, aquando da apresentação, ficou a certeza de que se colocou, completamente, na sua escrita e que enveredou por essa via de generosidade imensa que é a partilha de experiências, de saberes e de muita da magia que a vida, felizmente, ainda contém e, também, oferece.
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