O que pensa Jardim sobre a eleição de Trump: “O que dá vontade de rir, é o ver o Zé Pagode preocupado”

Foto: Fabíola Sousa - Alberto João Jardim- 40 anos de Autonomia
Foto: Fabíola Sousa

O ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim madrugou para colocar hoje no seu facebook um ‘post’ sobre o que as eleições americanas.

Eis o que escreveu Jardim há 20 minutos:

“A GRANDE FITA

A constatada mediocridade das Democracias, infelizmente crescente nestas duas primeiras décadas do século, está bem expressa no facto de a candidatura à presidência da primeira potência mundial ter sido disputada entre … Hilary Clinton e Donald Trump!
É mau demais.
E não abonatório para o estado a que chegou a Democracia também nos Estados Unidos, é que qualquer que viesse a ser o Presidente eleito, continuará o “Sistema” norte-americano, com o seu grande Capital financeiro e económico, com o seu aparelho militar e com as suas poderosas organizações tipo maçónico, a decidir os destino do País.
Mais uma vez o circo da eleição do Presidente do Estados Unidos serve para entreter massas intoxicáveis pela acção psicológica da Propaganda. Ainda que se reconheça que o “establishment” assim montado, vai garantido uma certa estabilidade ao peculiar que é a sociedade norte-americana.
De há muito os dados estão lançados.
O que dá vontade de rir, é o ver o Zé Pagode preocupado, ou ao menos curioso, com o “quem vai ganhar”, e a enfiar o que a comunicação social, quase toda numa certa ingenuidade, Lhe vende. Nesta “informação”, muitos dos aí Trabalhadores a nem vislumbrar o plano onde tudo se urde neste Sistema que, por sobrevivência, tem de servir.
É preciso que se saiba terem sido os Estados Unidos (Obama) a alimentar o parto do auto-denominado “Estado Islâmico” ou Daesh, para derrubar Bachar El-Assada na Síria. Este, por coincidência, o único Chefe do Estado árabe que recusou privatizar a exploração dos recursos petrolíferos.
Aliás, na Opinião Pública ocidental, durante decénios, os EUA beneficiaram de a sua estratégia não ser posta a nú, na medida em que isso afectaria a prioridade da defesa contra o totalitarismo comunista.
Só com o desaparecimento do “inimigo principal”, a ditadura e o colonialismo soviético, é que se começou a denunciar a hipocrisia do “promover e fabricar democracias” para atingir fins anti-éctios, bem como a intoxicação da Opinião Pública mundial por um poderoso aparelho de propaganda.
Propaganda que, por exemplo, “apagou” a histórica violação sistemática dos Tratados com os Indios, para Lhes roubar territórios e justificar intervenções militares genocídios. Aliás, hoje importante parcela do território dos EUA resulta da anexação de parte do México.
Recorde-se o ataque interesseiro dos norte-americanos aos impérios coloniais europeus – apesar do maccarthysmo e das práticas de segregação racial – a par fazendo a omissão universal sobre a ocupação das ilhas Hawai e de Porto Rico, e das dezasseis intervenções armadas em territórios estrangeiros, só entre 1846 e 1926.
Eu não esqueço as dificuldades que a pequenina Madeira passou com estes “aliados” quando se tratou de proteger o “Vinho Madeira” de imitações americanas e de assegurar em Bruxelas o regime de sobrevivência da nossa banana. Para além da indiferença irresponsável pela nossa luta em prol da Democracia e da Autonomia Política, em momentos muito graves.
As Democracias europeias calaram muita coisa, não só para evitar que eventuais denúncias se confundissem com a propaganda pró-comunista, mas também porque a estabilidade e a solidariedade da NATO necessitavam que os EUA, e não qualquer outra potência fora da Europa, continuassem o primeiro Estado mundial.
Com esta cobertura, os norte-americanos nalguns casos intoxicaram a Opinião Pública, inclusive através de elementos conservadores ligados a meios militares e inflitrados na comunicação social.
Puderam levianamente ficar-se nas gestões catastróficas do pós-Saddam Hussein, do pós-guerra do Afeganistão, dos conflitos do Médio Oriente ao Norte de África e à região dos Grandes Lagos africanos, a par de uma propaganda anti-Vladimir Putin que explora os tradicionais tiques autoritários da histórica cultura política russa.
Do lado norte-americano, o pretexto de “principal guardião da Democracia”. Do lado russo, uma hábil instrumentalização da técnica de vitimização.
Acresce a manipulação internacional que é feitas pelas ONG, muitas destas falsamente apresentadas como “inocentes”, “solidárias” ou “desinteressadas”, por parte do jornalismo ocidental. Onde gozam de fácil penetração sob capa de pretenderem ser “sociedade civil”, ajudadas por “idiotas úteis”. Além de receberem forte financiamento dos EUA e apoio das suas Embaixadas em vários pontos do mundo.
Depois, é a manipulação das imagens que correm mundo, através do filmar com a câmara “mais fechada” ou “mais aberta”, conforme se queira dar a ideia de multidão, ou se queira aparentar fraca adesão.
Ainda manipulação através do ciberespaço, recorrendo à mobilização paga de muitos agentes que desenvolvem uma acção maciça de intoxicação.
Trump até financiou a campanha do marido de Hillary Clinton, o que, no decorrer desta campanha, deu lugar a toda a espécie de especulações sobre o baixinho espectáculo montado, não faltando, claro, as “teorias da conspiração”.
“The show must go on”. E o negócio das Industria de produção de material de guerra, também. Por sobre genocídios e hipocrisias insuportáveis.

Funchal, 9 de Novembro de 2016

Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim”


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