O pesadelo americano

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Há artigos que ninguém quer escrever. A vitória de Donald Trump é um deles. A eleição de Trump como Presidente dos Estados Unidos confirmou-se na madrugada de hoje, mas começou muito antes. Começou na deslocalização das fábricas americanas para o estrangeiro, cresceu no desencanto com o establishment de Washington e encontrou voz na América pobre que não passa na televisão.

Foram os operários brancos, sem formação académica, que votaram em Trump, mas quem lhe deu a vitória foram os republicanos moderados e os democratas indecisos. Os que entre dois males menores, escolheram aquele que lhes prometia uma mudança. Na verdade, aceitar a vitória de Trump é reconhecer que a democracia funcionou. Por mais que isso nos custe.

Até porque, Trump partiu para esta corrida como um outsider. Primeiro dentro do Partido Republicano, ganhando a nomeação a Ted Cruz e a Jeb Bush, mas perdendo o apoio da máquina partidária. E, mais tarde, na campanha eleitoral, onde partiu com uma desvantagem de 6% para uma candidata mais experiente, melhor preparada e com mais dinheiro do que ele.

Mas se no papel Hillary era a melhor adversária para bater Trump, era, também, símbolo de tudo o que os americanos queriam mudar. Foi assim que Donald Trump ganhou no Ohio, na Florida e na Carolina do Norte, todos estados tradicionalmente democratas. Foi também assim, que os defensores do brexit conquistaram cidades inglesas historicamente ligadas ao Partido Trabalhista. Da mesma forma que os ingleses confiaram no cinismo de Nigel Farage e Boris Johnson, os americanos acreditaram no América que lhes prometeu Donald Trump.

É esse o principal resultado das eleições americanas, é que mesmo que Hillary tivesse ganho, a América de Trump continuaria a existir. Quanto ao novo Presidente dos Estados Unidos, ficámos a saber que os melhores actores não ganham óscares, ganham eleições.

 

 

 


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