Apontamentos da Índia: no país do caril

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Rui Marote (texto e fotos)

Deito-me com cheiro de caril e acordo com caril. Quem visita a Índia tem de estar forçosamente preparado para saborear um caril. Há quem fique com a tripa avariada logo no primeiro dia.

A totalidade dos hotéis serve ao pequeno almoço uma variedade de pratos entre os quais o caril e a pimenta fazem parte da ementa. Esqueçam o bacon, os ovos mexidos e as salsichas. Nã estranhem nem fiquem horrorizados ao verem as pessoas comer com os dedos. Não existem talheres, ou como no restaurante chinês os pauzinhos. Aqui a música é outra; os indianos comem com a ajuda dos dedos. Formam bolinhas de arroz que em seguida passam pelo tal pozinho amarelo.

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Existem caris que chegam a levar setenta plantas diferentes. Quando pensamos em caril, o que primeiro que nos vem à cabeça é provavelmente o pó amarelo feito de uma mistura de especiarias. Aqui esta outra confusão. A verdade é que não existe um pózinho amarelo chamado caril.
Quem se quer integrar na culinária indiana tem de efectuar uns treinos, como se fosse uma preparação para a maratona. Umas semanas antes come um caril, depois abusa na pimenta e vê como o estômago e a tripa reagem. Assim o impacto será menor.

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Esta é uma recomendação séria. Eu com certeza quando regressar terei a tripa amarela, mas parto do princípio de que se os indianos todos dias saboreiam caril, porque havemos de ser diferentes? Tudo isto não passa de uma habituação. Saborear um caril de caranguejo ou de camarão ou um  sarapatel, caril de galinha  ou um chacuti, posso garantir-vos que é divinal. Tudo isto tem um senão: na Índia impera a lei seca… comer apimentado sem uma cerveja geladinha ou vinho branco alentejano não é fácil, só resta a água gelada para apagar o incêndio.
E não fique escandalizado, caso tenha oportunidade de ouvir uns sons esquisitos como seja arrotar em alto e bom som: é uma maneira de agradecimento e de se demonstrar que se está satisfeito.