Rui Marote
Recordar é viver… Nos anos 60, tinha eu 13 anos e andava no Colégio Nuno Álvares, conhecido pelo ‘Caroço’. Eram necessárias diversas camisas para o novo ano lectivo que se iniciava. A minha irmã mais velha era a encarregada de educação, e representava os meus pais nessas tarefas.
Na época, era costumeiro as famílias fazerem as suas compras em determinadas lojas. Eram os chamado fregueses frequentes. Isto acontecia em lojas de roupa e mesmo nas sapatarias. As pessoas compravam sempre nas mesmas lojas e até lá tinham conta aberta.
No Funchal as camisas e as calças eram então feitas à medida.- Escolhíamos os tecidos, eram tiradas as medidas e o alfaiate encarregava-se da confecção. Nos tempos do Colégio Caroço que evoquei, do que mais precisava era de camisas. A nossa loja era a Casa Mendonça, atrás da Sé, que tinha belos tecidos, uma variedade de modelos e uma confecção impecável. Uma casa centenária que desapareceu muito recentemente mas que deixou história entre as lojas de comércio do Funchal.

Há dias resolvi reviver essa época em Port Blair, ilhas Andaman, Índia. Ao visitar a zona conhecida como Bazar Aberdeen, chamou -me a atenção uma loja com tecidos de alta qualidade e com fotografias de camisas interessantíssimas.
Escolhi o tecido que estava na foto, paguei e fui acompanhado pelo funcionário a um alfaiate que estava a uma centena de metros. Numa pequena travessa da avenida principal, num local tipo vão de escada, estava o alfaiate, que recebeu o tecido e uma pequena foto indicativa do modelo. Submeti-me a um conjunto de medidas do corpo humano: braço, antebraço, tórax e pescoço. A partir daqui era só acertar o preço e a determinar o dia e a hora de efectuar o pagamento e levantar a camisa devidamente confeccionada no interior de uma caixa. Refira-se que essa obra de arte ficou pronta em menos de 24 horas, a um preço que não devo divulgar, pois se o fizesse receberia da vossa parte a qualificação de exploração. A camisa vinha sem botões e alinhavada. Não há dúvida de que valeu a pena.
Quanto ao tecido, o preço é outra música… mas nada que assuste, apenas o equivalente a 1 kg de atum no Pingo Doce…
Já tinha passado por experiências idênticas noutros países: tenho alfaiate em Singapura, do qual recebo todos anos uma mensagem de Feliz Ano Novo; tenho alfaiate em Banguecoque e no Vietname. Agora estou registado na Índia…
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