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Para alguma direita radical (e mesmo para muita, dita moderada, salvo raras e honrosas exceções) a eleição de António Guterres não está apenas a ser mal digerida no momento histórico em que é o novo Secretário-Geral das Nações Unidas. A verdade é que nunca, por nunca, será digerida.
Para alguns, o cargo não passa de um posto com grande visibilidade e prestígio, mas sem qualquer poder real. Um Mestre de Cerimónias bem pago e a viver em Nova Iorque com estatuto diplomático, dizem.
Outros chegaram ao cúmulo de considerar a eleição de António Guterres para Secretário-Geral da ONU como um rude golpe para a civilização ocidental, visto estarmos perante uma pessoa profundamente demagógica, sem capacidade e poder de decisão, e ultra tolerante para com os “refugiados”, apelidando inclusivamente os seus apoiantes como comentadeiros alinhados com o sistema. Para esses, uma Miss Universo, com o discurso redondo do costume, é que era! Uma boneca de trapos também fazia as vezes.
O que é certo é que assistimos a uma Humilhação sem precedentes do Conselho Europeu, que perdeu em toda a linha, tendo ficado provado que a Kristalina candidata búlgara que se prestou a uma triste figura, já em “período de descontos” do “jogo”, assumiu o papel de vice-presidente da Alemanha e da senhora Merkel. Já a licença sem vencimento foi verdadeiramente “de mestre”!
É verdade que nem todos se sentirão orgulhosos pela eleição de Guterres, também à esquerda. Paciência. E, sim, é prestigiante para Portugal e motivo de orgulho para os portugueses. E, sim, imaginamos, para os supostamente portugueses, o quão difícil é perder com goleada de 13 a 0.
Enfim, temos pena, partiu-se a cristaleira em mil cacos, com a agravante de ter recebido oito chumbos.
Quanto ao desempenho na “prova oral” da candidata búlgara, sobretudo quando estava em causa a questão ucraniana, assistiu-se a uma Kristalina atrapalhação de aluna impreparada, cheia de rosinhas comprometedoras no rosto, daquelas de que nem se deu à maçada de estudar a matéria de véspera, e sem qualquer hipótese de usar cábulas. Resumidamente, o “espalhanço” foi de fugir. Nem com teleponto. Houvesse por ali uma adufa aberta e Kristalina aproveitaria para esconder a mal disfarçada vergonha.
Contudo, ainda mais estrondosa foi a imagem de Angela Merkel, que, se já não ficara bem noutras fotografias, nesta estragou o rolo, e não há photoshop que lhe valha.
Desta vez provou-se que a força da Alemanha tem limites, e que ainda há quem ponha travão à sua prepotência, e aos seus matreiros e desesperados “expedientes”.
Importante foi Guterres ter vencido de forma categórica, depois de encabeçar uma campanha para convencer os 193 países que fazem parte da ONU de que era o melhor candidato para liderar a organização.
Durão Barroso, esse sim, para outros, deve deixar-nos a todos “derretidos” de orgulho, pela “tanga” que foi a ocupação de um cargo de mordomo dos grandes da Europa e do mundo. Recorde-se o seu cinzento papel na Cimeira dos Açores, e o último vergonhoso episódio de ligação à Goldman Sachs. Uma vez cherne, forever cherne!
Obviamente que para merkelianos e cristaleiros é intragável a admiração, a simpatia e o respeito que Guterres granjeou um pouco por todo o mundo, tendo sido descrito como “o candidato com perfil mais adequado” para este cargo pelo jornal The Guardian.
Acresce o facto de o atual Presidente da República ter louvado os méritos de Guterres e manifestado o seu próprio orgulho, que reputou de “muito fundo”, em nome de Portugal.
Imagine-se quão fundo chega o orgulho de Cavaco Silva…
Não obstante, para os miguel-vasconcelistas, o sentimento e o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa são para mandar às malvas (para dizer o mínimo), assim como o é a presença ativa de Guterres em momentos chave da diplomacia portuguesa (transferência da soberania de Macau para a China) e mundial (referendo sobre a independência em Timor Leste) enquanto primeiro-ministro de Portugal ou, mais tarde, como Alto Comissário da ONU para os Refugiados, quando teve de lidar com a maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial.
Por último, fico a cismar no esforço sobrehumano que foi para muita gente na Assembleia da República levantar-se e aclamar, aplaudindo de pé, o feito de Guterres, quando, lá por dentro, precisaram do esforço de gruas de grande tonelagem para erguer-se um milímetro. E que pena o discurso de Luís Montenegro (a fazer lembrar Sir Laurence Olivier, considerado por muitos o melhor ator anglófono de todos os tempos) não fazer dele sério candidato ao OSCAR de melhor representação!!!
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