A “fé” do povo madeirense é “morta”

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Rui Marote

O maior arraial madeirense foi cancelado, e as opiniões dividem-se quanto a tal decisão. Uns concordam, outros não. Esta é uma festa profana, com barracas de espetada, comes e bebes, alegria do povo.

O que está visto é que sem festa, o povo não vai ao Monte. As imagens que a RTP-Madeira transmitiu ontem à noite eram de um Monte deserto. “Oh, homens de pouca fé!”, disse Cristo a Pedro.

Dias antes, as chamas desceram da montanha à cidade e instalou-se a tragédia, com perda de vidas e bens. Mesmo assim, o povo queria festa pela noite dentro.

Hoje, as comemorações foram vividas pelo acto litúrgico e procissão. A aderência do povo madeirense foi praticamente nula. Já as piscinas e praias têm lotações esgotadas.

Já ninguém pensa na tragédia. Passou. Hoje deveria ser um dia para os que acreditam em Deus prestarem-lhe louvores. E para lhe rogar que não haja nova tragédia de cheias no Inverno que se aproxima. O que se constata é que muitos dizem ser cristãos, mas as prioridades nas suas vidas indicam o contrário: é ver as praias cheias e as igrejas vazias. No entanto, afirmam ter fé, mas não possuem o espírito. Ouvirão o  próprio Cristo dizer-lhes “Nunca vos conheci”.

 


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