Escarpas estão extremamente escalvadas e apresentam distinto perigo para o Inverno

 

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O FN tem percorrido as zonas altas do Funchal, acompanhando as visitas de diversas personalidades
à Região, e tomando a sua própria iniciativa de constatar in loco a situação no rescaldo dos incêndios que afectaram a cidade e que afectaram, inclusive, núcleos históricos da baixa. Percorremos já estradas, caminhos e veredas. Se querer entrar em alarmismos, e muito menos repetir apenas o que outros já têm dito, gostaríamos simplesmente de aqui lavrar o nosso testemunho: a situação é francamente crítica.

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Tendo percorrido as zonas altas dos Canhas no caminho até ao Paul da Serra, encontrámos paisagens terrivelmente afectadas do ponto de vista turístico e ambiental, além das perdas patrimoniais. No Funchal, onde ocorreram mesmo perdas de vidas humanas, em circunstâncias absolutamente dramáticas, não é menos dramático observar o estado em que ficaram as nossas serras, desde o Parque Ecológico às proximidades do Jardim Botânico, que também acabou por ser afectado, e por ali abaixo, no extenso vale por onde desce a Ribeira de João Gomes. Entre a zona do Largo das Babosas, no Monte, e a outra encosta no Curral dos Romeiros, o cenário é de devastação. No percurso do teleférico não sabemos o que haverá agora para mostrar aos turistas, para além de extensas encostas escalvadas e queimadas, despidas de vegetação e com terra e pedras em periclitante equilíbrio.

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Para além do óbvio impacto sócio-económico que as paisagens queimadas terão no turismo, principal sustentáculo de uma economia que muito dele necessita, há algo que reputamos de verdadeiramente atemorizante: imaginar o que poderá acontecer quando o Inverno chegar, se houver circunstâncias de pluviosidade excessiva que se assemelhe ou sequer aproxime à registada nesse dia fatídico que foi o 20 de Fevereiro de 2010. Com chuvas fortes, são de prever graves deslizamentos de terra e pedras que podem causar facilmente destruição de bens e pôr em risco a vida de pessoas, obstruindo a livre circulação dos cursos de água e forçando-os para fora das suas margens. É todo um panorama assustador que se observa lá de cima, e do qual sentimos ser nosso dever alertar os funchalenses. Tal é tanto mais verdade quanto sabemos que não é, de modo nenhum, fácil o trabalho de consolidação das encostas.