
No alto do Lombo do Jamboeiro, em São Roque, as faúlhas cruzavam perigosamente as moradias da população local. Assustadas, a primeira reação dos populares, mesmo com as crianças ao colo, de máscaras na cara, era correr a retirar para o exterior as botijas de gás, e a gesticularem incessantemente. Impressionante a correria das pessoas, numa luta contra o tempo, para retirar ainda os carros das garagens e salvar os seus animais.
Um manto de fumo intenso “cegava” tudo e todos, até no momento de prestar o socorro. Mais à frente, na zona industrial da Ribeira Grande, as chamas consumiram por completo uma fábrica que comercializava pneus, ao mesmo tempo que as outras estavam a ser acauteladas pelas forças de segurança.
O rodopio de ambulâncias e de viaturas de bombeiros, assim como de polícias, emprestavam aos pontos de fogo um cenário de verdadeiro tragédia, indizível.
O Largo do Encontro, em São Roque, fez jus ao nome. Uma ambulância prestava assistência aos mais aflitos, numa espécie de hospital de campanha improvisado.
O FN percorreu os principais lombos de São Roque a Santo António, mas até certo limite. As forças de segurança, visivelmente exaustas e alarmadas, travaram o avanço das equipas de reportagem no local, por questões de segurança.
O fumo foi de tal ordem extenso que cobriu o Complexo Desportivo do Marítimo. A bomba de gasolina ali existente foi imediatamente desativada.
Com a chegada da noite, as pessoas aglomeravam-se, envoltas em toalhas ou camisolas a taparem o rosto. Os bombeiros, perante várias prioridades, tinham de optar se atacavam uma frente ou outra. As frentes eram tantas que não davam tréguas aos soldados da paz e havia que tomar decisões.
Ao cair da noite, a meia encosta, rodeado completamente de chamas, ouvia-se uma ou outro alerta da população, entrincheirado na sua casa, enquanto o fogo consumia os arredores. Ninguém apontava o dedo a culpados, apenas o desejo de ver parar aquele inferno. Mas o vento não ajudava, uma vez que ora fazia progredir as chamas ora espalhava o fumo deixando toda a gente atordoada e sufocada.








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