Crónica Urbana: As “pragas” do Funchal

ratos e baratas

Rui Marote

Assinala-se no próximo dia 21 de Agosto o Dia da Cidade do Funchal. O seu padroeiro é São Tiago Menor, irmão do apóstolo Judas e parente próximo de Jesus, filho de Maria, esposa de Cleófas e parente da mãe de Jesus. Todos os anos a cidade presta-lhe homenagem. O santo foi adoptado como padroeiro do Funchal já há muito tempo. A história remonta ao longínquo ano de 1538, quando a cidade estava a ser assolada por um surto de peste. As autoridades camarárias entregaram a guarda dos habitantes da urbe ao santo, sendo todos os anos cumprida a tradição de o homenagear com a procissão que percorre as ruas da zona velha até à Igreja do Socorro.

baratas

Esta pequena introdução tem a finalidade de alertar o coração do “faraó” do Funchal, Paulo Cafôfo, para as “pragas” que a cidade enfrenta, nomeadamente ratos e baratas, que todos os Verões assolam a cidade perante a inoperância das entidades municipais. O coração do ‘faraó’ está endurecido pela necessidade de reeleição, o que o faz esquecer, neste particular, o bem-estar dos funchalenses. Não que os que anteriormente o sucederam no cargo alguma vez se tenham preocupado muito com isto… Mas a verdade é que, enquanto se grita aos quatro ventos que se quer fazer do Funchal uma cidade exemplar, está à vista de todos a praga das baratas, que ao cair da noite saltam das sarjetas às centenas, passeando-se livremente nos ‘trottoirs’ do Funchal e invadindo as casas do centro.

ratos2

O trabalho de casa não foi feito com a limpeza desses canos de esgoto, de escoamento de águas pluviais e com a introdução de produtos de desinfestação. Ora, as baratas (nome científico periplaneta americana) são transmissoras de vírus, esporos de fungos, alergias, salmonela, diarreia, disenteria, protozoários, etc. Algumas já criaram imunidades aos produtos desinfestantes, que se tornam ineficazes. Os supermercados apresentam uma panóplia desses produtos, mas os mais eficientes são mesmo os utilizados por empresas especializadas.

Já não basta a praga dos mosquitos; da formiga branca; dos ratos, que os madeirenses têm de suportar… todos os Verões é a mesma coisa com as baratas. E com as obras nas ribeiras, os roedores fogem dos seus leitos e ainda mais invadem a baixa do Funchal. Por este andar, vamos mesmo completar o número das dez pragas do Egipto, com que Moisés ameaçou o faraó…